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A Atuação do Psicólogo Nas Organizações



A atuação do Psicólogo nas Organizações pode ser analisada segundo um estudo citado por Bolognini e Stamou (2006) realizado pelo Conselho Federal de Psicologia, em 1980, que traça um perfil geral do psicólogo brasileiro.

 

Carvalho (1988), em sua pesquisa no Brasil, analisou a resposta de aproximadamente 2200 psicólogos à questão que solicitava que fossem assinaladas, em uma lista de 47 atividades, as que tinham sido realizadas no primeiro e no atual trabalho dos pesquisados. Aqui, apresenta-se o que se refere ao profissional que atua na área organizacional.

 

Os resultados da pesquisa de Carvalho (1988) mostraram que mais de 40% dos psicólogos organizacionais realizavam atividades como seleção de pessoal, aplicação de testes e recrutamento; entre 30 e 40% desses profissionais, as atividades citadas foram acompanhamento de pessoal, treinamento,avaliação de desempenho, análise de função; entre 20 e 30%, apareceram atividades como planejamento e execução de projetos, desenvolvimento organizacional, triagem, cargo administrativo e assessoria; e menos de 20% assinalaram atividades de análise de cargos e salários, aconselhamento psicológico, diagnóstico situacional, supervisão de estágio acadêmico, orientação e treinamento para profissionais, psicodiagnóstico e consultoria. (BOLOGNINI e STAMOU, 2006

 

A autora ainda analisa as atividades apontadas apresentando que a grande maioria (16) fica na categoria de atividades tradicionais; três atividades (Planejamento e Execução de projetos, Diagnóstico situacional e Consultoria) representam as tendências ‘modernas’, sendo que as duas primeiras ocorreram com incidência comparativamente alta (27,4% e 17,8%, respectivamente)

 

A mesma pesquisa também mostrou uma diminuição das atividades técnicas e aumento das atividades administrativas, de planejamento, consultoria, supervisão e assessoria quando comparado o primeiro emprego ao atual.

 

Bastos e Zanelli citados por Bolognini e Stamou (2006) fazem uma análise das mudanças ocorridas no mundo contemporâneo e da possibilidade de o psicólogo pesquisar, atuar e intervir, adequando-se aos impactos ocorridos nas dimensões culturais, sociais, humanas e individuais.

 

Para Bastos e Zanelli (2004), as atividades de trabalho são fatores fundamentais na construção das interações humanas, nas suas formas de subjetivação, de constituição de agrupamentos humanos e da sociedade e no que afeta seus valores e projetos de vida. Nesse sentido, a atuação do psicólogo organizacional e do trabalho deve acompanhar as transformações do contexto e o desenvolvimento da ciência. O que se percebe é um alargamento das atividades deste profissional e o intercâmbio da Psicologia com outras disciplinas.

 

As práticas tradicionais, talvez ainda dominantes nessa área de atuação, estão sofrendo transformações em função do desenvolvimento científico e das mudanças no contexto do trabalho:

 

• a análise do trabalho tem recorrido a novas técnicas devido ao impacto das novas tecnologias;

 

• o recrutamento e seleção foram fortemente terceirizados,diminuiu o peso dos testes psicológicos, e novos instrumentos são usados;

 

• o treinamento e desenvolvimento estão mais relacionados ao conhecimento e aprendizagem continuada como fortes fatores competitivos, fazendo com que o trabalhador se torne um agente ativo dos processos de desenvolvimento de suas competências pessoais e profissionais;

 

• a avaliação de desempenho deixou de ser feita apenas por gerentes e supervisores e são vinculadas ao desempenho do grupo e da organização. Além das mudanças nas práticas tradicionais, a inserção do psicólogo em equipes multidisciplinares incorporou novas práticas ao seu campo de atuação, antes realizadas por outros profissionais:

 

• na área de administração de pessoal, com atividades como planejamento e enriquecimento de cargos, movimentação e desligamento de pessoas, remuneração e benefícios, planejamento de recursos humanos;

 

• no campo de qualificação, aparecem atividades tais quais desenvolvimento de carreiras e planos de sucessão, desenvolvimento gerencial de equipes;

 

• no que se refere às condições de trabalho e higiene, com atenção à ergonomia e saúde ocupacional e, em menor proporção, às atividades relacionadas aos acidentes de trabalho, programas de ajustamento e bem-estar e assistência psicossocial;

 

• no campo das relações de trabalho, o psicólogo atua com o objetivo de socialização e integração, regulação de conflitos, mudanças nos padrões de gestão e na organização do trabalho; e

 

• finalmente, nas mudanças organizacionais, enquanto objeto privilegiado de estudo e intervenção, utilizando-se de programas de qualidade de vida e qualidade total. Num terceiro movimento, se percebe uma transição da atuação do psicólogo organizacional para o nível mais complexo da própria organização:

 

• do foco no indivíduo passa-se à intervenção nas questões organizacionais mais amplas;

 

• amplia-se o reconhecimento da necessidade de pesquisas que fundamentem as intervenções;

 

• de técnicas (instrumento para solucionar problemas específicos) evolui para táticas, estratégias e formulação de políticas organizacionais.

 

No entanto, os autores refletem, ainda, sobre a existência de problemas que acompanham a atuação dos psicólogos no ambiente organizacional e de trabalho.

 

Entre alguns deles: o uso, ainda nos dias de hoje, de técnicas e concepções pouco conhecidas e de validade incerta; a existência de psicólogos que são apenas tecnólogos, atuando sem a necessária base científica; a grande atenção dada, coletivamente, para questões triviais; o fato de que, freqüentemente, a atuação profissional é orientada mais pelas respostas já conhecidas do que pelo exame cuidadoso das situações. Tais problemas, entre muitos outros fatores, estão associados às deficiências da formação e treinamento dos psicólogos organizacionais.

 

É evidente que um trabalho realizado nas organizações tem, necessariamente, vinculações com o desenvolvimento das práticas de gestão. Neste sentido, a Psicologia Organizacional e do Trabalho não só incorpora todos os conhecimentos das diferentes áreas da Psicologia que lhe agregam valor, como também é demarcada pela evolução das teorias da organização e pelas demandas decorrentes desse processo.

 

As ações e decisões dos trabalhadores são fatores determinantes para a qualidade da organização e sustentação da competitividade da empresa. Nesta marcha organizacional evolutiva, que já dura mais de um século, chegamos a um momento em que as organizações perceberam que dependem das pessoas para realizar sua missão. A diferença é determinada pela mudança de visão em relação à atuação do trabalhador. Este sai da impessoalidade à qual estava condenado por ser apenas mais um no processo produtivo, colocando-se em um patamar de atuação em que as suas competências singulares o tornam único na organização.

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