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Conjunção Coordenativa e Subordinativa



1. Examinemos os seguintes provérbios:

 

O mal e o bem à face vêm.

Deseja o melhor e espera o pior.

Só dura a mentira enquanto a verdade não chega.

 

No primeiro, encontramos a palavra e, que está ligando dois termos de uma oração: o mal e o bem.

No segundo, vemos a mesma palavra e, que está ligando duas orações de sentido completo e independente: Deseja o melhor. Espera o pior.

No terceiro, aparece a palavra enquanto unindo duas orações que não podem ser separadas sem que fique alterado o sentido que expressam, pois a segunda depende da afirmação contida da primeira.

Os vocábulos invariáveis que servem para relacionar duas orações ou dois termos semelhantes da mesma oração chamam-se CONJUNÇÕES.

As conjunções que relacionam termos ou orações de idêntica função gramatical têm o nome de COORDENATIVAS.

Denominam-se SUBORDINATIVAS as que ligam duas orações, uma das quais determina ou completa o sentido da outra.

 

2. Percebe-se facilmente a diferença entre as conjunções coordenativas e as subordinativas quando comparamos construções de orações a construções de nomes.

 

Assim, nestes enunciados:

 

Ler e escrever. A leitura e a escrita.

Ler ou escrever. A leitura ou a escrita.

 

Vemos que a conjunção coordenativa não se altera com a mudança de construção, pois liga elementos independentes, estabelecendo entre eles relações de adição, no primeiro caso, e de igualdade ou de alternância, no segundo.

Já nos enunciados seguintes:

 

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Quando tiver lido o livro, escreva a carta.

Após a leitura, a escrita.

 

Observamos a dependência do primeiro termo ao segundo.

No último exemplo, em lugar da conjunção subordinativa (quando), temos uma preposição (após), que está indicando a dependência de um elemento a outro.

 

Conjunções coordenativas

 

 

1. Classificação

 

Classificam-se as conjunções coordenativas em ADITIVAS, ADVERSATIVAS, ALTERNATIVAS, CONCLUSIVAS e EXPLICATIVAS.

 

a) ADITIVAS, que servem para ligar simplesmente dois termos ou duas orações de idêntica função: e, nem [= e não]

Tinha saúde e robustez.

Pulei do banco e gritei de alegria.

Não é gulodice nem interesse mesquinho.

 

b) ADVERSATIVAS, que ligam dois termos ou duas orações de igual função, acrescentando-lhes, porém, uma idéia de contraste:mas, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto.

Seu quarto é pobre, mas nada lhe falta.

Cada uma delas doía-me intensamente; contudo não me indignavam.

 

c) ALTERNATIVAS, que ligam dois termos ou orações de sentido distinto, indicando que, ao cumprir-se um fato, o outro não se cumpre: ou…ou, ora…ora, quer…quer, seja…seja, nem…nem, já…já, etc.

Para arremedar gente ou bicho, era um gênio.

Ou eu me retiro ou tu te afastas.

 

d) CONCLUSIVAS, que servem para ligar à anterior uma oração que exprime conclusão, conseqüência: logo, pois, portanto, por conseguinte, por isso, assim, então.

Não pacteia com a ordem; é, pois, um rebelde.

Ouço música, logo ainda não me enterraram.

 

e) EXPLICATIVAS, que ligam duas orações, a segunda das quais justifica a idéia contida na primeira: que, porque, pois, porquanto.

Dorme, que eu penso.

 

2. Posição das conjunções coordenativas

 

Nem todas as CONJUNÇÕES COORDENATIVAS encabeçam a oração que delas recebe o nome. Assim:

 

1. Das CONJUNÇÕES COORDENATIVAS apenas mas aparece obrigatoriamente no começo da oração; contudo, entretanto, no entanto, porém e todavia podem vir no início da oração, ou após um de seus termos. Sirvam de exemplo estes períodos:

 

Tentou subir, mas não conseguiu.

Tentou subir, porém não conseguiu.

Tentou subir; não conseguiu, porém.

 

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2. Pois, quando CONJUNÇÕES CONCLUSIVA, vem sempre posposta a um termo da oração a que pertence:

 

Era, pois, um homem de grande caráter e foi, pois, também um grande estilista. (J. RIBEIRO)

 

3. As conclusivas logo, portanto e por conseguinte podem variar de posição, conforme o ritmo, a entoação, a harmonia da frase.

 

Conjunções subordinativas

 

1. Classificação

 

As conjunções subordinativas classificam-se em CAUSAIS, CONCESSIVAS, CONDICIONAIS, CONFORMATIVAS, COMPARATIVAS, CONSECUTIVAS, FINAIS, PROPORCIONAIS, TEMPORAIS, e INTEGRANTES.

As causais, concessivas, condicionais, conformativas, finais, proporcionais, temporais, comparativas e consecutivas iniciam ORAÇÕES ADVERBIAIS. As integrantes introduzem ORAÇÕES SUBSTANTIVAS.

 

Exemplifiquemos:

 

a) CAUSAIS (iniciam uma oração subordinada denotadora de causa). porque, pois, porquanto, como [= porque], pois que, por isso que, já que, uma vez que, visto que, visto como, que, etc.

Dona Luísa fora para lá porque estava só.

Como o calor estivesse forte, pusemo-nos a andar pelo Passeio Público.

 

b) COMPARATIVAS (iniciam uma oração que encerra o segundo membro de uma comparação, de um confronto): que, do que (depois de mais, menos, maior, menor, melhor, pior) qual (depois de tal), quanto (depois de tanto), como, assim como, bem como, como se, que nem.

Era mais alta que baixa.

Nesse instante, Pedro se levantou como se tivesse levado uma chicotada.

 

c) CONCESSIVAS (iniciam uma oração subordinada em que se admite um fato contrário à ação principal, mas incapaz de impedi-la). embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, bem que, se bem que, apesar de que, nem que, que, etc.

Pouco demorei, conquanto muitos fossem os agrados.

É todo graça, embora as pernas não ajudem…

 

d) CONDICIONAIS (iniciam uma oração subordinada em que se indica uma hipótese ou uma condição necessária para que seja realizado ou não o fato principal): se, caso, quando, contanto que, salvo se, sem que, dado que, desde que, a menos que, a não ser que, etc.

Seria mais poeta, se fosse menos político.

Consultava-se, receosa de revelar sua comoção, caso se levantasse.

 

e) CONFORMATIVAS (iniciam uma oração subordinada em que se exprime a conformidade de um pensamento com o da oração principal):conforme, como [= conforme], segundo, consoante, etc.:

Cristo nasceu para todos, cada qual como o merece…

Tal foi a conclusão de Aires, segundo se lê no Memorial.

 

f) CONSECUTIVAS (iniciam uma oração na qual se indica a conseqüência do que foi declarado na anterior): que (combinada com uma das palavras tal, tanto, tão ou tamanho, presentes ou latentes na oração anterior), de forma que, de maneira que, de modo que, de sorte que.

Soube que tivera uma emoção tão grande que Deus quase a levou.

 

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g) FINAIS (iniciam uma oração subordinada que indica a finalidade da oração principal): para que, a fim de que, porque [= para que], que

Aqui vai o livro para que o leias.

Fiz-lhe sinal que se calasse…

 

h) PROPORCIONAIS (iniciam uma oração subordinada em que se menciona um fato realizado ou para realizar-se simultaneamente com o da oração principal): à medida que, ao passo que, à proporção que, enquanto, quanto mais… (mais), quanto mais… (tanto mais), quanto mais… (menos), quanto mais… (tanto menos), quanto menos… (menos), quanto menos… (tanto menos), quanto menos… (mais), quanto menos… (tanto mais)

Ao passo que nos elevávamos, elevava-se igualmente o dia nos ares.

Tudo isso vou escrevendo enquanto entramos no Ano Novo.

 

i) TEMPORAIS (iniciam uma oração subordinada indicadora de circunstância de tempo): quando, antes que, depois que, até que, logo que, sempre que, assim que, desde que, todas as vezes que, cada vez que, apenas, mal, que [= desde que], etc.:

Custas a vir e, quando vens, não te demoras.

Implicou comigo assim que me viu.

 

j) INTEGRANTES (servem para introduzir uma oração que funciona como sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto de outra oração): que e se

Quando o verbo exprime uma certeza, usa-se que; quando incerteza, se:

Afirmo que sou estudante.

Não sei se existe ou se dói.

 

2. Polissemia conjuncional

 

Como vimos, algumas conjunções subordinativas (que, se, como, porque, etc) podem pertencer a mais de uma classe. Em verdade, o valor desses vocábulos gramaticais está condicionado ao contexto em que se inserem, nem sempre isento de ambigüidade, pois que há circunstâncias fronteiriças: a condição da concessão, o fim da conseqüência, etc.

 

Locução conjuntiva

 

A par das conjunções simples, há numerosas outras formadas da partícula que antecedida de advérbios, de preposições e de particípios. São chamadas LOCUÇÕES CONJUNTIVAS: antes que, desde que, já que, até que, para que, sem que, dado que, posto que, visto que, uma vez que, à medida que.

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16 Comentários »

  1. Felipe 19 de março de 2012 at 17:32 - Reply

    Parabenizo pelo trabalho que está excelente e pode me ajudar no que eu estava precisando.
    Obrigado.
    Abraços!

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  2. Luziane de Carvalho Fonseca 21 de março de 2012 at 20:18 - Reply

    Tenho certeza que muitos precisarão dessa ajuda.

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  3. Vinícius 9 de abril de 2012 at 21:59 - Reply

    Meu trabalho ficou excelente, estava precisando dessa ajuda.

    Este site é ótimo!

    Obrigado!

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  4. Sara 1 de maio de 2012 at 21:49 - Reply

    Vou fazer uma prova sobre esse assunto amanhã e o artigo me ajudou muito, pois não sabia nada sobre ele. Obrigada

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  5. Vanessa Barbosa 18 de maio de 2012 at 20:23 - Reply

    Vou fazer um trabalho sobre isso e tenho certeza que vai ficar bom. Muito Obrigada!

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  6. Natália 26 de maio de 2012 at 0:34 - Reply

    Gostei muito desse assunto, pois consegui fazer meu trabalho sem dúvidas. Essa matéria é ótima e o site é perfeito. Sem dúvidas, sem notas baixas. Obrigada!

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  7. Juciene Martins 14 de setembro de 2012 at 15:23 - Reply

    Eu estava perdida e achei este site foi tudo de bom.Obrigada.

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  8. João 31 de outubro de 2012 at 11:06 - Reply

    Gostei muito desse assunto, pois consegui fazer meu trabalho sem dúvidas. Essa matéria é ótima e o site é perfeito. Sem dúvidas, sem notas baixas. Obrigada!

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  9. Suelly Rocha 5 de novembro de 2012 at 13:55 - Reply

    Vocês realmente foram muito felizes com o artigo. Deu base para que fossem tiradas várias dúvidas.

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  10. Danilo 4 de dezembro de 2012 at 22:27 - Reply

    O texto ficou bom porém ficaria melhor com as conjunções sublinhadas.

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  11. Rodrigo 18 de janeiro de 2013 at 1:42 - Reply

    Parabéns pelo artigo. A explicação ajuda muito na hora de sanar as dúvidas; principalmente, em estudos para concursos.

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  12. Alaide Silva 5 de fevereiro de 2013 at 17:35 - Reply

    As informações foram ótimas, tirei minhas dúvidas.

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  13. Nilton Byhain 27 de março de 2013 at 13:48 - Reply

    Excelente texto para ser usado como ajuda para escrever um artigo, principalmente na parte conclusiva.

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  14. Catarina de Souza 16 de abril de 2013 at 14:34 - Reply

    Gostei! Parabéns pelo trabalho e obrigado pela ajuda.

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  15. Débora 9 de outubro de 2013 at 1:31 - Reply

    Essa ajuda me salvou nos temas :) hehe Muito obrigada!

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  16. marcos 23 de abril de 2016 at 20:29 - Reply

    Muito esclarecedor. Parabéns pela didática utilizada digna de um verdadeiro mestre.

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