As informações sobre Camões, reconhecido poeta português são relativamente escassas e pouco seguras. A própria data do seu nascimento, assim como o local, é incerta.
Camões foi notável pelo seu poder de síntese, pela diversidade ao registrar os eventos, pela sua fluência e pela capacidade de adequar, de forma exata, seu pensamento, sendo considerado o poeta português mais completo de sua época.
A lírica de Camões apresenta duas tensões básicas: o Amor e o desconcerto do mundo.
O amor é representado pela mulher angelical e pelo amor platônico, concepção herdada do cristianismo. O amor camoniano é apoiado pelo interesse do poeta ao movimento neoplatonismo. Mas sua experiência de vida o coloca entre o desejo carnal e o ideal platônico de amor, só vivido no mais nobre pensamento.
Já o desconcerto do mundo é o desajuste entre as exigências íntimas da vida pessoal do poeta e suas condições para satisfazê-las. O mundo se lhe aparece desconcertado, como se estivesse destinado à confusão e à irracionalidade. Para Camões o problema central é a relação de não conformidade com os anseios, os valores, as razões e a realidade da vida social e da material. Ele evidencia esse desconcerto do mundo com anedotas históricas ou relativas aos seus mitos e, às vezes, por alusões autobiográficas.
Na lírica camoniana coexistem a poética tradicional e o estilo renascentista. Sua poesia é constituída por redondilhas, sonetos, canções, tercetos, etc.
O amor é descrito como um sentimento que entusiasma o homem, tornando-o capaz de atingir o Bem, a Beleza e a Verdade. Também aparece como um sentimento de significado contrário pela própria natureza. Por um lado, o Amor é manifestação do espírito, por outro é manifestação física. Para ele, o Amor deve ser experimentado e sentido.
Exemplo:
Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Concluindo, a poesia de Camões é riquíssima não só quanto às formas utilizadas, como também às temáticas abordadas. É uma poesia humanista, preocupada com os grandes problemas do ser humano, dentro dos princípios do classicismo renascentista.
