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A Atuação do Gestor Educacional
RESUMO
Este estudo abordou a atuação do
gestor dentro das instituições de ensino, seja pública ou particular. Para o
desenvolvimento desse tema foi elaborado um estudo junto a um grupo de
professores, onde os questionamentos apresentados aos entrevistados, foram
codificados em gráficos estabelecendo-se a porcentagem e margem demonstrativa
dos dados adquiridos. No contexto a pesquisa foi embasada em referencial
teórico, o núcleo de estudo foi delimitado entre um grupo de professores e os
objetivos foram definidos de forma geral e específica.
INTRODUÇÃO
Este estudo apresenta um levantamento sobre a relação do gestor educacional
com seus colaboradores, a fim de proporcionar elementos que favoreçam a ação dos
componentes de uma instituição de ensino. Normalmente, as atitudes dos
profissionais que atuam em uma instituição de ensino estão diretamente
envolvidas no processo de ensino e aprendizagem, pois está ligada ao
comportamento de cada indivíduo já que, segundo Chiavenato (2002), cada
indivíduo tem sua maneira de se comportar, de agir e reagir em suas interações.
Diante disso, questiona-se como o gestor educacional atua diante da diversidade
de comportamento dos seus colaboradores, visto que se acredita que esse
problema, que certamente compromete a qualidade do ensino, seja comum e esteja
relacionado à falta de oportunidade de formação e capacitação continuada dos
gestores educacionais.
O interesse em abordar o ambiente comportamental e
organizacional de uma escola surgiu da necessidade de compreender as relações
que se estabelecem no interior dessas instituições de ensino.
O objetivo da
pesquisa é trazer ao conhecimento do leitor descrições básicas a respeito da
conduta de um gestor educacional em relação aos demais colaboradores da escola,
apontando problemas que geram conflitos no relacionamento interpessoal. Nessa
oportunidade, alguns pontos chamam a atenção no que se refere aos aspectos de
relacionamento e comunicação entre gestores, professores, funcionários, alunos e
a comunidade, que muitas vezes parecem ter relações bem difíceis.
Para
alcançar o objetivo geral fez-se necessário alguns passos específicos, como
conhecer a evolução histórica do termo gestão, o próprio gestor educacional e
seu papel na construção de algumas habilidades e desenvolvimento de
competências, e trazer ao nosso conhecimento os aspectos positivos e/ou
negativos para mostrar como o gestor age diante dos problemas enfrentados nas
escolas.
Dessa forma, esta monografia está organizada em cinco capítulos,
sendo que no primeiro trata-se da revisão da literatura que versa sobre o tema,
no qual se destaca a evolução histórica onde será abordado o tema gestão de
pessoas enquanto indivíduos atuantes cognitiva e afetivamente; em seguida o
perfil de líder do gestor, sua atuação enquanto incentivador de lideranças
internas no processo educacional; será abordada também a gestão educativa para a
construção da habilidade, onde a gestão aparece como um conjunto de valores
agregados aos benefícios materiais oferecidos; também aponta o desenvolvimento
das competências onde o gestor se apresenta como um negociador de conflitos
oferecendo um ambiente saudável aos diversos níveis de convivência e ainda neste
capitulo serão tratadas as influências das mudanças organizacionais e suas
respostas, a adaptação do que se pratica e oferece na instituição com o que o
mercado necessita pelas constantes mudanças da sociedade moderna.
Para
compreensão dos temas acima expostos a pesquisa será fundada na utilização das
bases teóricas propostas por Chiavenato, que apresenta exposições sobre gestão
do ponto de vista administrativo; somado a ele vêm as idéias de Joel Dutra
aplicando conceitos de gestão de pessoas, quesito indispensável na relação do
gestor educacional; outro autor largamente citado é Carlo Gil, enfocando os
papéis profissionais nas instituições a que se vincule e embora não seja o
último, mas também de grande relevância Ivan Rocha que apresenta idéias da
gestão na sociedade moderna.
CAPITULO I – REVISÃO DA
LITERATURA
1.1 Evolução Histórica da Gestão
Educacional
Oliveira (2005) nos mostra que com o avanço da ciência e da
industrialização foram necessárias grandes mudanças no contexto de organização,
repercutindo na configuração de novos modelos no campo da administração e no
campo da educação mostrando as etapas históricas das diferentes abordagens dos
estudos nestas duas áreas de conhecimento na parte interação e influência. Com a
industrialização colocava-se em pratica “Sociedade Organizacional” com isso se
observava o avanço da razão da liberdade e da justiça com progresso da sociedade
sobre a irracionalidade humana.
Com o avanço industrial surgiram novas
organizações e novos métodos administrativos, foi nesse caminho ou trajetória
que encontramos ligações das teorias organizacionais com a administração
escolar, pois o crescimento da industrialização houve um crescimento
correspondente na área escolar, visto que a escola prepara o indivíduo para o
trabalho.
Se aceitarmos que uma função primordial da escola é a socialização para o
trabalho – e assim o fazem não apenas a maioria dos estudiosos da educação, mas
também seus agentes e seu público – saltam aos olhos as necessidades de
compreender o mundo do trabalho para poder dar a devida conta da educação
(OLIVEIRA, 2005, p.24.).
A escola hoje é vista como instância de desenvolvimento de relações humanas.
Ela precisa focar a geração que vem nascendo no século XXI, que necessita ser
sensibilizada para a convivência desarmada, negociada, baseada no diálogo,
aceitando divergências, livrando-se da intolerância preconceituosa e
apresentando uma visão não-comportamentalizada da realidade.
O acesso à
informação e ao detalhamento da mesma exige um paradigma de educação e de homem
que não privilegie culturas, pois este profissional do terceiro milênio precisa
ser aberto à convivência pacífica, políticos e étnicos, pois esse tipo de
intolerância mexe com o comportamento do indivíduo, se caso ele não souber
dividir esse relacionamento no campo de trabalho. Pois o ser humano anseia o
atingimento de metas coletivas.
Um novo modelo de gestão poderá reverter as
relações de poder entre as pessoas, a construção e uso das estruturas físicas e
a utilização dos recursos tecnológicos, materiais e econômico-financeiros
surgindo uma organização com potencial para realizar a gestão do conhecimento em
um ambiente de aprendizagem contínuo e uma revisão dos processos pedagógicos e
administrativos, fortalecendo o gestor a tomar decisão de um bom líder com
estratégica e competência.
De acordo com Rocha (2003), o conceito geral de
competência que muitos adotaram consiste em saber atuar com responsabilidade
integrando recursos, inclusive conhecimento, no sentido de aprender a aprender,
com o propósito de agregar valores aos indivíduos e a organização.
Não
podendo esquecer que a organização é o corpo, a instância concreta, pois ela
materializa as instituições primárias que são as regras, as normas e os valores.
A organização engloba os valores em uso e suas significações operantes. Ela é a
esfera onde o institucional se faz efetivo, é o campo de aplicação dos
princípios da instituição.
Chiavenato (2002) atribui a análise cognitiva e a
análise afetiva mostrando os dois modos de comportamento. O cognitivo nos mostra
que o homem usa a mente em um processo de raciocínio, lógica, racionalidade e
inteligência, é o afetivo nos mostra o sentimento, a emoção e a afetividade
mostram que o homem usa os dois lados do comportamento, tanto na sua vida
pessoal como na vida profissional, seja no trabalho ou fora dele, são criaturas
que pensam e sentem.
A área de comportamento e de motivação Organizacional
vem se dedicando cada vez mais nos estudos e nos temas do comprometimento, pois
as empresas querem ver como anda o vínculo do empregado com a instituição,
visando que há muitos conflitos, porém esses conflitos podem ser resolvidos,
pois mostram que uma equipe tem mais chances de contornar dificuldades do que os
indivíduos isoladamente.
Segundo Oliveira (2005), a partir da organização
podemos perceber um conteúdo que certamente pode ser aplicável a qualquer tipo
de empreendimento humano destinado a cumprir uma finalidade definida. Sob esta
pressuposição parece apropriado ver a escola como uma organização, tendo em
vista que deferir ou atender a esses dois requisitos, um é empreendimento humano
e o outro destinado a uma finalidade definida.
A transformação que se requer exige mudanças político-institucionais,
técnico-econômicas e culturais de grande envergadura e profundidade, demandando
tempo, vontade e competência por parte de todos. O objetivo principal dessa
transformação é a elevação do nível global de competitividade da economia, e,
nesse contexto, a centralidade do papel da educação e da produção do
conhecimento é reconhecimento por todos (CEPAL/UNESCO, 1992).
1.2 O Gestor e seu Perfil de
Líder
Ter uma noção básica de comportamento é fundamental dentro do tema
abordado, consiste na maneira pela qual um indivíduo ou uma organização age, ou
reage em suas interações com o seu meio ambiente em resposta aos estímulos que
dele recebe.
Chiavenato (2002) nos mostra que o resultado ou efeito do
comportamento tem como origem vários estímulos: o estímulo de relacionamento
professor-aluno, gestor-professor, gestor-escola. A psicologia da aprendizagem
tem se dedicado a explorar esta temática em inúmeras obras que demonstram que a
necessidade da criação de um clima próprio à concretização do processo
ensino-aprendizagem. Cabe ao professor criar um ambiente de confiança em sala de
aula que favoreça as aprendizagens cognitivas, afetivas e pessoais dos alunos e,
para isso, é preciso que este possa contar com a presença, o companheirismo e a
cumplicidade do mestre, de lado a lado há situações que desenvolvem o
conhecimento e as operações do pensamento, que admitam a auto-avaliação e que
favorecem a socialização.
O exercício do magistério é uma conquista, uma
tarefa que se aprimora com as experiências que há dentro de uma instituição de
ensino. Com a rotina escolar as pessoas vão aprendendo a conviver, a tolerar, a
respeitar-se. É assim que se dá condição para o nascimento e desenvolvimento do
comprometimento de um profissional.
Não cabe a liderança só ao líder maior
do grupo, mas a todos. Cada um é líder de si mesmo, têm pessoas que lideram um
grupo, outros seu próprio trabalho e suas próprias ações, mas contida nesse
entrelaçado estão as relações interpessoais, o grande desafio para todas as
organizações. Como desenvolver as atividades de forma equilibrada, respeitando
as sugestões, opiniões e os valores de cada um? A relação entre o líder e seus
liderados, é peça fundamental para o desencadeamento do sucesso da
equipe.
Vemos que os indivíduos podem não conseguir gostar uns dos outros,
mas eles devem ser capazes de trabalhar em equipe, pois o bom relacionamento é
um fator que interfere no desempenho da equipe e influencia nos resultados ou
normas estabelecidos por elas.
A falta de impessoalidade vista em questão de
apreço e desapreço, insubordinação do corpo docente com relação ao gestor. O
sucesso da escola não depende somente dos fatores pedagógico, administrativo e
financeiro e sim de um conjunto, das relações humanas responsáveis por seu
funcionamento.
Os autores behavioristas verificam que o administrador precisa conhecer as
necessidades humanas para melhor compreender o comportamento humano e utilizar a
motivação humana como poderoso meio para melhorar a qualidade de vida dentro das
organizações (CHIAVENATO, 2002, p 113).
Os líderes escolares, hierarquicamente estabelecidos como gestores, são
responsáveis por orientar e direcionar a equipe ao caminho da organização com
olhos para a realidade de cada docente, mas cabe a todos assumir compromissos,
estar aberto a debates, a mudanças quando for necessário; o pensamento e a
conversa devem ser vigorosos e atentar aos objetivos estabelecidos.
Com as
mudanças e as renovações do modelo de gestão, forçando as organizações a se
adequarem pela busca constante de novas formas de planejar, organizar e realizar
sua missão. Pois as organizações precisam sempre investir na formação cotidiana
de seus diretores. A escola bem como outras organizações tradicionais até pouco
tempo, não precisavam se preocupar com a concorrência, mas com a evolução dos
tempos, cada organização está buscando novas formas para sua sobrevivência. Hoje
se acredita que o líder precisa ser preparado, pois o gestor não nasce
pronto.
1.3 Gestão Educativa para a Construção
de Habilidade
- Segundo Rocha (2003), um novo conceito nasce no cenário da administração, a
Gestão Estratégica que tem a função de acompanhar, avaliar e prospectar o
desempenho de processos e demais atividades desenvolvidas pelas organizações.
Para melhor compreender a gestão escolar e preciso apresentar alguns princípios
de administração e um modelo de gestão estratégica. A palavra administração está
sendo muito usada nos dias de hoje, por isso não resta dúvida sobre o seu
significado. É importante ir além do sentido e da origem da palavra
administração, sendo necessário compreender o papel da administração para as
organizações, de modo particular para as organizações de ensino, levando a uma
melhor compreensão o comportamento de cada indivíduo do quadro docente, dando
ênfase nas tarefas, estrutura, pessoas, tecnologias, ambiente, clientes.
Ao se abordar o tema da gestão estratégica, deseja-se tê-lo, em primeiro
lugar, nas organizações em geral, logo após nas organizações educativas. Uma das
limitações da administração das organizações é a visão cartesiana que elas
possam ter de seus recursos tangíveis (prédios, equipamentos, terrenos, capital,
financeiro) e intangíveis (marca qualificação das pessoas, mercado). Não é
suficiente conhecer os recursos tangíveis e intangíveis da organização; é
preciso combiná-los de forma sistemática para obter deles sinergias efetivas.
Dificilmente os concorrentes conseguem copiar ou imitar os ativos intangíveis e
este podem conferir à organização vantagens competitivas.
Gestão estratégica envolve as seguintes atividades: acompanhamento, para
monitorar o desempenho de processos, de acordo com indicadores de eficiência,
avaliação, para medir a eficácia ou os impactos de políticas, planos programas,
e ou projetos com apreciação das estratégicas adotadas pelas organizações, e
prospectivas para antecipar mudanças e adotar ações corretivas (ROCHA, 2003, p
15).
Vimos que em qualquer espaço organizacional independente de suas
características, tamanho, perfil ou tipo de atividade, a convivência dos seres
humanos e o relacionamento têm sido um dos aspectos mais problemáticos e
conflitantes na atualidade, levando a um desgaste de energia humana e
desperdício de tempo, comprometendo a qualidade de vida de si próprio, das
pessoas e dos resultados do seu trabalho. O gestor escolar desempenha várias
funções atendendo à demanda de diversos setores que dependem do seu trabalho, da
sua criatividade e do seu bom relacionamento. Observando como é o dia-a-dia do
gestor escolar, vimos que para esse gestor exige-se o exercício de múltiplas
competências específicas, entre elas a competências interpessoais.
1.4 O Desenvolvimento de
Competências
O termo competência vem sendo estudado freqüentemente por
todos os setores organizacionais e, para que se torne possível o entendimento,
buscamos os apontamentos de alguns autores.
GIL (2001) nos fala que o
profissional precisa dispor de muita competência tais como: ser um agente de
mudanças, comprometimento com os resultados e acontecimentos internacionais e
com a situação da organização, mostrar racionalidade, cultura, conhecimentos,
conhecer sua área de atuação, dialogar com facilidade, estabelecer uma relação
de confiança, ter perfil negociador, colocar ênfase nas pessoas, ter
comportamento ético, inovador, disposição para assumir riscos, com equilíbrio,
pensamento estratégico, saber compartilhar responsabilidades, lidar com
resistências, perceber sentimentos e propor ações que possam ir à raiz do
problema.
A competência interpessoal do gestor escolar vem complementar a
leitura dos interessados pela temática e enriquecer o conhecimento acerca das
relações interpessoais favorecendo o aperfeiçoamento organizacional da
escola.
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