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Primeira Guerra Mundial



A guerra começou no continente Europeu.

 

As causas que levaram ao conflito:

 

Nacionalidade, – Poneslavismo, – disputa de mercados, – revanchismo, – a desconfiança recíproca, – o instinto de sobrevivência. Cada país temia que sua existência e seu futuro estivessem ameaçados pelos outros.

 

Nem os povos, nem o governo desejavam realmente a guerra. Mas da mesma forma, ninguém estava disposto a acreditar realmente na paz, tanto nas relações internacionais como nas sociais.

 

O confronto militar entre o bloco dos aliados e o bloco dos impérios centrais, além de confronto imperial pela hegemonia na Europa e pelo domínio dos maus, significa também um acirrado conflito econômico pelo controle dos mercadores, simultaneamente, uma oportunidade de luta por um complexo conjunto de reivindicações nacionais, coloniais, territoriais.

 

Os Estados, governos, os partidos políticos, as instituições e movimentos culturais, as igrejas, a imprensa, os filósofos e líderes intelectuais intervêm – cada um seu modo e conforme suas possibilidades – na tentativa de finalizar e dar um sentido à guerra.

 

A prova vitoriosa da força e da vontade do Estado seria, talvez suficiente para legalizar a guerra.

 

Agosto de 1914 ficou como um momento único e inesquecível, em que se realizou a passagem da paz a guerra e a entrada dos países europeus num quadro de destruição.

 

 

 

EM 1915

 

 

 

Aqui as autoridades militares se questionaram como “programar” essa multidão de soldados jogados sem preparação no horror das trincheiras em meio as bombas e gases asfixiantes.

 

A infantaria, a metralhadora e a trincheira. Elas constituem os fatores dominantes dessa guerra, tanto no ponto de vista da técnica militar propriamente dita como do impacto nas sensibilidades e na vivência dessa experiência sanguinária.

 

A própria guerra torna-se uma atividade econômica completa, oferecendo incentivo e mercado seguro para grande número de mercadoria, num entrosamento cada vez mais estrito entre interesse público e privado, iniciativa individual. A natureza desta guerra exige um tipo de soldado condenado ao espírito gregário e à passividade, com as virtudes que isso implica: agüentar o cansaço, esperar e resistir.

 

Uma forma latente e não declarada de insubordinação pode fermentar por trás dessas tentativas de distanciamento e de salvação pessoal diante da morte, que consistem em se deixar possuir uma “loucura” que pode atravessar todos os estágios, desde a “doença” observável pela medicina até a simulação demonstra dor ou presumida.

 

Na guerra, os riscos psíquicos ligados à identidade dos homens com sua unidade são evidentes. Era porém, uma reação quase necessária, dada a quebra efetiva com o ambiente da pátria. Esta identidade permitia virna morte de cada camarada a perda de uma parte de simismo.

 

 

 

EM 1916

 

 

 

Uma história diplomática, político e militar mais ou menos tradicional está sempre presente. Ela fixou a cronologia dos acontecimentos nos vários fronts e abocalou os fatos políticos do complexo tabuleiro internacional.

 

A mudança no modo de vida de caracteriza por uma regressão ao passado, que a muito, consideravam, até então, superado para sempre.

 

Pela primeira vez, mesmo as cidades distantes do front serão dramaticamente envolvidos no

 

conflito.

 

A Imprensa e a correspondência ambas refletem a tentativa desesperada de continuar a comunicação entre pessoas vivendo em mundos tão diferentes e de tão difícil contato, mesmo quando as condições materiais, em especial a pressão da censura e da propaganda, não colocavam obstáculo ao fluxo de mensagens ansiosas que continuamente se cruzavam.

 

Os que perdem o senso da normalidade neste “novo mundo” marcado pela vizinhança obsessiva da morte imaginavam que retaguarda tudo ficou como antes: um universo estável e familiar. Na verdade, o mundo dos civis também foi profundamente transformado.

 

Nos países onde o módulo feminino de inspiração católica é menos forte e o processo de emancipação das mulheres mais avançadas, o objetivo de igualdade homem – mulher sugere às associações feministas demonstrar a maturidade e confiabilidade das mulheres na política. Elas demonstram então uma adesão à guerra.

 

Elas proclamam sua lealdade, sua adesão ao esforço nacional, e se declaram prontas a levar-lhe a sua contribuição.

 

A organização do front interno torna-se então determinante. É preciso conseguir desenvolver e manter uma máquina de produção que puxe toda a economia de um país e forneça instrumentos aos combatentes.

 

Milhões de mulheres entram pela primeira vez nas grandes fábricas para completar ou substituir a mão – de – obra masculina.

 

No nível internacional, é o fim da livre troca de mercadorias. No interior da Entente criam-se novos organismos para conduzir uma política comum de suprimentos vindos de outros países.

 

 

 

EM 1917

 

 

 

GRANDE E DEMOCRÁTICO ANO DE 1917

 

 

 

1917, três anos depois do começo do conflito o estado de guerra faz sentir seus efeitos também sobre os civis. Pela primeira vez na história, estes não estão mais ao abrigo do fogo e sofrem bombardeiros aéreos. A rápida subida dos preços, a falta de matérias primas, o cansaço, a desmoralização, o luto, tudo isso isola o “front interno” e cria um clima favorável às iniciativas de paz. Estas vem de várias direções, em especial dos impérios centrais, agora conscientes de que precisam sair o mais rápido possível do conflito. Entre os soldados também reina o descontentamento, a exaustão e o desejo de acabar com tudo aquilo. As formas de auto mutilação e de insubordinação se multiplicam, assim como verdadeiros motins. É o caso, em especial, entre maio e junho, num exército disciplinado como o francês. Porém é apenas na Rússia que a situação acaba escapando das mãos das autoridades. Em 12 de março de 1917 estoura uma revolta popular em Petrogroda ; ela é apoiada pelas tropas que deviam reprimi-la.

 

Sobem ao poder os socialistas moderados de Kerenski, também chamados “Mencheviques”, que querem continuar a guerra contra os impérios centrais. Mas os caos se amplia e ninguém mais é capaz de controlar as tropas russas, que abandonaram o front em desordem.

 

 

 

A ENTRADA DOS E.U.A À GUERRA.

 

 

 

Surge um fato novo que se revelará determinante para a solução do conflito, os E.U.A declaram guerra à Alemanha. A decisão Americana não se baseia só nas afinidades política-culturais com as forças da Entente e na rejeição ideológica do imperialismo germânica. Ela também é ditada por considerações econômicas e políticas. Se fato, uma derrota ocidental seria prejudicial a recuperação dos enormes empréstimos concedidos pelos americanos. Além disso, uma naturalidade prolongada impediria os E.U.A de reforçar seu papel político em escala mundial.

 

 

 

EM 1918

 

 

 

1918, ANO INTERMEDIÁRIO ENTRE A GUERRA E A PAZ

 

 

 

A espera, a necessidade, o sonho da paz: eis o grande tema unificador do último ano de guerra.

 

Os que sonham com a paz são os povos famintos dos dois impérios antraz, onde as sólidas e orgulhosas estruturas militares resistem melhor do que as estruturas civis.

 

Pela primeira vez, num grande e longínquo país, a revolução vitoriosa parece ter levado ao poder os oprimidos e frustrados de todos os tempos. Para muitos proletários em uniforme militar, inclusive fora da Rússia, o sonho da revolução prevalece sobre o de simplesmente acabar a guerra e escapar à obrigação de matar ou ser morto.

 

Imenso cansaço se choca não só com os vínculos hierárquicos mas também com sentimentos como o amor à pátria, ou ainda com ligações ainda mais simples, o amor, a necessidade de não tornar vãos todos os esforços realizados.

 

Os países as Entente os E.U.A, que vêem aproximar-se a vitória militar, colocam-se em ação com força total para controlar e orientar as esperanças e sonhos dos povos.

 

Entre a primavera e o outono de 1918 se definem as chances de vitória para a Inglaterra, a França, a Itália e os E.U.A . Esses países enfrentam estados de espírito e orientações políticas menos perigosas e mais fáceis de dominar.

 

Nesta última etapa da guerra, a paz não é o único sonho dos europeus.

 

Revolução e contra – revolução fazem germinar novas raízes de incompreensão evidência, nas almas e nos costumes.

 

Em Novembro de 1918, a guerra e as batalhas terminaram. Começam então, sem interrupção, as lutas do pós – guerra.

 

Luta dos vencedores para impor aos vencidos condições de paz draconianas, brigas sobre a interpretação dos objetos da guerra, dentro dos países vencedores e das frentes patrióticas agora desenvolvidas; lutas de classes e de partido, exacerbados pelos anos de militarização da sociedade civil, movimentos revolucionários, estruturação dos equilíbrio sociais , dos papéis e das formas de comando; luta, ainda para atribuir este ou aquele sentido ao conflito que acaba de terminar e orientar a memória, ou pelo menos a memória pública, com o risco de deixar numerosas seqüelas nas memórias individuais.

 

Por todos os lados, o período do pós guerra logo coloca problemas de reorientação da opinião pública, do conjunto das populações.

 

Esses novos problemas são julgados segundo critérios nascidos na guerra.

 

Toda uma geração cresceu sob o fogo. Outras dessas mobilizados, que já chegaram adultas ao front, dele trouxeram uma experiências, que depois da guerra, parece decisivo e inesquecível.

 

 

 

 

Prelúdio da Guerra

 

 

 

A assinatura do tratado de paz no final da Primeira Guerra Mundial deixou a Alemanha humilhada e despojada de suas possessões. Perdeu seus territórios ultramarinos e, na Europa, a Alsácia-Lorena e a Prússia Oriental. Os exércitos aliados ocuparam a região do Reno, limitaram rigorosamente o tamanho do Exército e da Marinha alemães, e o seu país foi obrigado a pagar indenizações pela Primeira Guerra Mundial que logo provocaram o colapso de sua moeda e causaram desemprego em massa.

 

 

 

Assim, foi numa Alemanha envenenada pelo descontentamento que Adolf Hitler ergueu a voz pela primeira vez. Apelando para a convicção do povo alemão de que tinham sido brutalmente oprimidos pelos vencedores da guerra, logo conseguiu uma larga audiência. Falava de grandeza nacional e da superioridade racial nórdica, denunciava judeus e comunistas como aqueles que haviam apunhalado a Alemanha pelas costas e levado o país à derrota, e por meio de um programa intensivo de propaganda criou o Partido Nacional-Socialista, que em 1932 tinha 230 lugares no Parlamento alemão e cerca de 13 milhões de adeptos. Depois da morte do Presidente Hindenburg, em 1934, o poder de Hitler tornou-se absoluto. No verão de 1934, eliminou implacavalmente os rivais e, desprezando a regra de lei, estabeleceu um regime totalitário.

 

 

 

Em seguida deu inicio a um programa de rearmamento, em contravenção ao Tratado de Versalhes, mas sem ser impedido pelos demais signatários, e no começo de 1936 já estava confiante o bastante para enviar tropas alemães para reocupar a região do Reno. Mais uma vez os Aliados não fizeram nenhuma tentativa para detê-lo, e a operação foi bem sucedida. Mais tarde, no mesmo ano, ele e seu aliado italiano fascista Benito Mussolini enviaram auxílio a Franco na Guerra Civil Espanhola e assinaram um pacto unindo-os no Eixo Berlim-Roma.

 

 

 

A preocupação primária de Hitler durante esse período foi com a necessidade alemã de Lebensraum, ou seja, espaço vital. Se o país devia passar de nação de segunda categoria para primeira potência mundial, necessitava de espaço para se expandir, e se precisava comportar uma população em rápido crescimento e exigindo prosperidade, necessitava de terras para cultivo e matérias-primas para energia e indústria.

 

 

 

Começou olhando na direção da Áustria, que já possuía um forte movimento nazista, mas cujo chanceler estava ansioso por conservá-la como nação independente. Os exércitos de Hitler avançaram assim mesmo e, em 1938, entraram em Viena, sem encontrar oposição. Hitler tivera êxito pela combinação de uma diplomacia de força e um hábil desenvolvimento de sua máquina de propaganda.

 

 

 

A Checoslováquia seria a próxima vítima. A região fronteiriça, conhecida como Sudetos, tinha uma população alemã que se sentia excessivamente discriminada tanto pelos tchecos quanto pelos eslovacos. A região era rica em recursos minerais, tinha um grande exército, e ostentava fábricas de equipamento bélico Skoda. Incitando o descontentamento da população germânica, Hitler foi capaz de fomentar a agitação na Checoslováquia, que levou a um confronto armado na fronteira. Nessa altura, o primeiro-ministro britânico, Neville Chamberlain, representando os defensores da Checoslováquia – Inglaterra, França e Rússia -, foi à Alemanha acalmar Hitler. O resultado de uma série de reuniões foi que, a menos que os Sudetos fossem anexados à Alemanha, Hitler começaria uma guerra; mas se suas reivindicações territoriais na Checoslováquia fossem atendidas, não faria reivindicações posteriores no resto da Europa. A França e a Inglaterra concordaram – apesar de suas promessas de proteger a Checoslováquia -, e Hitler, quebrando também a sua promessa, mais tarde invadiu a Checoslováquia inteira. Considerou que a Inglaterra não estaria preparada para lutar por aquele país, e que a França não ia querer lutar sozinha – e estava certo; mas na vez seguinte, quando invadiu a Polônia, elas declararam guerra.

 

 

 

Como a história provaria mais tarde, a declaração veio com excesso de atraso. As vacilações das potências ocidentais haviam permitido que Hitler alcançasse uma força armada e uma posição na Europa, cujo desalojamento levaria seis anos de carnificina.

 

 

 

Começa a Luta

 

 

 

Nas circunstâncias, as exigências de Hitler na Polônia até que foram modestas: tudo o que reclamava, dizia, era a devolução do porto alemão de Dantzig e livre acesso a ele e à Prússia Oriental através da Polônia, o Corredor Polonês. A Polônia não estava inclinada a ceder, e vendo que a Inglaterra reagira violentamente à ocupação da Checoslováquia, Hitler não fez muita pressão no inicio. Afinal de contas, a Inglaterra havia duplicado seu efetivo bélico e dera à Polônia uma garantia absoluta de proteção. Mas percebeu que a garantia não valia nada sem o apoio russo de leste, e, percebendo que os ingleses iam se apressar a solicitar esse apoio, tratou de trazer a Rússia para o seu lado. Os russos tinham sido evitados pelos ingleses quando ofereceram, anteriormente, uma aliança, e não estavam relutantes, depois de superada a desconfiança inicial, em fazer um acordo com Hitler, particularmente quando este lhes prometia uma oportunidade de recuperar o território polonês que havia perdido em 1918.

 

 

 

Assinado o pacto Molotov-Ribbentrop, o caminho de Hitler estava livre, e em 1° de setembro de 1939 forças alemães cruzavam a fronteira polonesa. Seguiu-se a primeira demonstração da eficácia da tática móvel combinando forças blindadas e aéreas. Os poloneses concentraram seus exércitos bem à frente, perto da fronteira, e suas reservas ficaram escassamente espalhadas. Assim, quando as colunas blindadas de Hitler, apoiadas pela Luftwaffe, atravessaram as fortificações da Polônia, as tropas polonesas, marchando a pé, foram incapazes de retroceder com rapidez suficiente para se reagruparem. Num hábil movimento de pinças, Bock e Von Rundstedt, do norte e do sul respectivamente, lançaram seus homens em direção a Varsóvia. Em 17 de setembro tropas russas cruzaram a fronteira oriental e, apesar da valente resistência, Varsóvia caiu a 28 de setembro.

 

 

 

A oeste, ingleses e franceses haviam conseguido pouca coisa, parte por causa da lentidão da mobilização, parte por causa de idéias táticas ultrapassadas. A leste a Polônia caiu porque seu Exército, ainda confiando em maciças cargas de cavalaria, era um anacronismo, posto em total desorientação pela implacável investida das forças compactas e altamente móveis de Hitler.

 

 

 

A Alemanha e a Rússia dividiram a Polônia entre si, e a Rússia foi além, fazendo consideráveis exigências territoriais à Finlândia, contra o que os finlandeses se opuseram. Seguiu-se uma guerra onde os finlandeses lutaram dura e amargamente, mas que em março de 1940 já era uma questão decidida.

 

 

 

O colapso da Polônia foi seguido pelo que se tornou conhecido como “guerra disfarçada” que durou até a primavera de 1940. Durante esses meses, os líderes aliados consideraram plano ofensivo após plano ofensivo – sem chegar a conclusão alguma -, enquanto Hitler, depois de ter a sua oferta de paz aos Aliados rejeitada em outubro, desenvolveu seus planos para uma ofensiva impetuosa e decisiva contra a França. Quanto mais cedo desencadeasse sua ofensiva, menos preparados estariam os franceses para lhe fazer frente, e depois de derrotada a França, ele tinha certeza de que a Inglaterra negociaria a paz. Entretanto, o tempo, seus generais e as condições climáticas estavam contra ele, e mesmo quando finalmente fixou a data de 17 de janeiro para início da ofensiva, um extraordinário incidente liquidou seus planos. Um oficial alemão, voando de Munster para Bonn, perdeu a rota e aterrissou na Bélgica. Foi preso, e com ele seus captores encontraram o plano operacional completo da Alemanha para o ataque ao oeste. Quando o novo plano, o Plano Manstein foi posto em prática, trouxe poucas surpresas desastrosas para os Aliados.

 

 

 

Nesse meio tempo, e para consternação de seus adversários, Hitler investiu ao norte, repentinamente, atacando a Noruega e a Dinamarca. A 9 de abril de 1940, forças alemães desembarcaram em vários portos ao longo da costa norueguesa e também invadiram a Dinamarca. No fim do mesmo dia, haviam tomado Oslo e os portos principais de Trondheim, Bergen e Narvik, enquanto a Dinamarca agüentou apenas 24 horas. Como é que esses dois países se encaixavam no esquema de Hitler? A maior parte do minério de ferro para o esforço alemão de produção de guerra vinha do norte da Suécia, através de Narvik e Hitler quis salvaguardar a passagem marítima da Noruega, temendo que a Inglaterra ocupasse esse país, usando a Dinamarca como valioso fornecedor de provisões.

 

 

 

Quando Hitler atacou, a Inglaterra foi em auxílio da Noruega, desembarcando tropas perto de Narvik e Trondheim. Mas chegaram tarde demais, pois os alemães, nessa altura, já haviam estabelecido uma posição forte o bastante para serem capazes de derrotar seus atacantes, auxiliados por uma esmagadora superioridade aérea. Para os ingleses, o afundamento de uma flotilha de destróieres alemães em duas manobras no fiorde de Narvik – uma das quais envolvendo o navio de guerra Warspite – não foi mais que pequeno consolo para a completa derrota na campanha norueguesa. Para Hitler isso significou a certeza de fornecimento de minério de ferro e uma base para ataques aéreos à Inglaterra e, mais tarde, aos comboios com destino à Rússia. Mais uma vez as forças alemães se haviam movido rápido demais para seus oponentes.

 

 

A Batalha da França

 

 

 

Chegando a termo a campanha dos Aliados na Noruega, Hitler lançou sua ofensiva para oeste, que deveria culminar com a evacuação da Força Expedicionária Britânica (BEF) de Dunquerque e com a queda da França.

 

 

 

O ofensiva foi iniciada com assaltos bem-sucedidos na Holanda e na Bélgica. Desembarques de tropas aéreas em Haia e Roterdã foram cronometrados para coincidir com ataques na fronteira oriental da Holanda, e essa combinação revelou-se altamente eficaz ao criar a confusão de que os alemães precisavam. As forças blindadas alemães abriram uma brecha ao sul e atravessaram rapidamente o país para se juntar às forças lançadas do ar em Roterdã, enquanto a Luftwaffe mantinha uma pressão implacável. Cinco dias depois do assalto inicial, os holandeses capitularam

 

 

 

A Bélgica seria a próxima a sentir os efeitos do tratamento da Blitzkrieg de Hitler. Aqui, novamente, o ataque alemão veio de terra e ar. Dois objetivos essenciais tinham que ser assegurados antes que a invasão principal pudesse ser desencadeada: a captura intactas, de duas pontes-chaves sobre o canal Albert e o silenciamento do poderoso forte belga em Eben Emael. Um ataque terrestre seria movido com lentidão suficiente para impedir os belgas de dinamitar as pontes e de fazer o melhor uso possível dos canhões de Eben Emael. Assim, pequenos destacamentos aéreos foram silenciosamente lançados do céu: as pontes foram garantidas e o forte, silenciado. As tropas alemães atravessaram o canal, penetrando a linha de defesa belga do outro lado. Duas divisões Panzer moveram-se rapidamente através da brecha criada desse modo, e logo as forças belgas estavam em retirada geral. As tropas britânicas e francesas estavam subindo para apoiá-las, quando, seguindo o brilhante Plano Manstein, o exército de Von Rundstedt, depois de efetuar a travessia das Ardenas, emergiu nas ribanceiras do Meuse. Essa manobra de surpresa pegou os Aliados desprevenidos. Não haviam imaginado que os alemães tentassem uma ofensiva de porte através das montanhas cobertas de mato das Ardenas, região difícil para tanques e veículos motorizados. Investindo contra os alemães, que atacavam ao norte, e mantendo uma forte concentração defensiva na Linha Maginot, ao sul, haviam deixado uma passagem fracamente defendida no extremo ocidental, incompleto da Linha Maginot – exatamente onde os alemães apareceram.

 

 

 

 

Liderada pelo audacioso comandante General “Veloz Heinz” Guderian, a infantaria Panzer e os tanques, com apoio aéreo da Luftwaffe, logo se encontraram do outro lado do Meuse. Uma vez cruzado o rio, seu rápido avanço teria prosseguido sem reveses não fosse a repentina falta de nervos do Alto Comando alemão. Temendo um contragolpe aliado, deteve a marcha de Guderian até que a infantaria tivesse uma oportunidade de alcançá-lo, e só então lhe deu sinal verde. Suas divisões Panzer se estenderam para a frente, rumo á costa norte da França.

 

 

 

Essa manobra, os ingleses não demoraram a perceber, encurralaria suas forças entre alemães avançando de leste através da Bélgica, o exército de Rundstedt vindo do sul, os destacamentos Panzer de Guderian a oeste, e o Canal da Mancha ao norte. Guderian logo atingiu a costa norte, separando a BEF de Boulogne e Calais.

 

 

 

Tornava-se claro, agora, que as tropas britânicas teriam que ser evacuadas por mar, e quando o Exército belga se rendeu, a disputa estava decidida. O único porto de embarque ainda desimpedido era Dunquerque, e, ainda assim, ameaçado pelas divisões Panzer que se encontravam a apenas 16 km.

 

 

 

Se Hitler tivesse resolvido dar ordens nesse sentido, a BEF poderia ter sido aniquilada ou forçada a capitular nessa altura, mas por motivos que nunca ficaram claramente identificados, ele manteve distância e teve inicio a agora legendária evacuação de Dunquerque. Fustigada pelos constantes ataques da Luftwaffe, a frota de navios e barcos que zarpou da Inglaterra para participar da evacuação levou de volta 338.000 homens

 

 

 

A relutância de Hitler em acabar com a BEF enquanto isso estava a seu alcance pode ter tido muitas causas, entre as quais, talvez, uma expectativa de que os ingleses quisessem fazer um acordo de paz com ele. Entretanto, a única conseqüência da evacuação foi deixar partir 338.000 homens das forças aliadas, prontas para lutar contra ele novamente num outro dia. Os ingleses foram capazes, assim, de repelir a subseqüente ameaça de invasão, o que, no final das contas, contribuiu para a derrota da Alemanha.

 

 

 

Contudo, a Batalha da França ainda não estava acabada. As forças francesas tinham sido severamente diminuídas, enquanto os alemães, por seu lado, haviam trazido reforços e reposições. Sem mais que uma pausa para retomar fôlego, desencadearam uma ofensiva contra a frente francesa, ao longo do Somme e do Aisne. A resistência inicial foi feroz, mas após dois dias as divisões Panzer de Hoth atravessaram a linha de fogo perto de Rouen, e a defesa ruiu por terra. A 14 de junho de 1940, apenas 10 dias depois que a última remessa de soldados havia deixado Dunquerque, e apenas 9 dias depois de ter começado a nova ofensiva, as tropas alemães entravam em Paris. O governo francês havia partido para Tours a 9 de junho, forças alemães estavam aprofundando-se cada vez mais em território da França, fragmentando o Exército francês em pequenas unidades, e a situação parecia sem esperanças. A 25 de junho, o Marechal Pétain assinava um armistício com Hitler no mesmo vagão ferroviário que testemunhara a assinatura do armistício de 1918 pela Alemanha.

 

 

 

Os fatos até aqui, culminando no repentino colapso da resistência francesa, haviam provado conclusivamente a eficácia da tática Blitzkrieg. Com forças móveis relativamente pequenas, e com apenas tanques leves e médios, Hitler havia, num espaço de tempo muito curto, tomado posse, ou colocado sob controle, a maior parte da Europa ocidental. Cada vez que se movia, fazia-o rapidamente demais para seus oponentes – na Noruega, Dinamarca, Holanda e Bélgica -, enquanto um brilhante desempenho pôs a França e a Inglaterra de joelhos com uma velocidade que nem ele próprio havia esperado. Para a Inglaterra, que agora devia lutar sozinha, as perspectivas eram negras.

 

 

 

 

 

A Batalha da Grã-Bretanha

 

 

 

A queda da França e a evacuação de Dunquerque teriam deixado a Inglaterra, com seu Exército em desordem e sua Força Aérea ainda longe da potência adequada, exposta a um assalto devastador por parte da Alemanha, se esse assalto tivesse sido desencadeado imediatamente. Mas Hitler se deteve, primeiro porque os arranjos e preparativos para a invasão da Inglaterra por mar, conhecida como Operação Leão-Marinho, estavam longe de estar completos, e segundo porque esperava que Churchill, reexaminando a situação perigosamente fraca da Inglaterra, tentasse fazer negociações de paz. Os termos dessa paz, achava Hitler, seriam altamente favoráveis a ambas as partes: a Inglaterra se retiraria do conflito e permitiria a Hitler prosseguir sem ser molestado rumo à dominação da Europa; e a Alemanha, por sua vez, se comprometeria a deixar a Inglaterra e seu império ultramarino tranqüilos.

 

 

 

Churchill, porém, não tomou qualquer iniciativa para entrar em tais negociações, e, com a Leão-Marinho adiada para setembro, Goering foi instruído para lançar um vigoroso ataque aéreo contra Inglaterra, a fim de enfraquecer a possível resistência à invasão quando esta ocorresse. Os chefes do Exército e da Marinha de Hitler soltaram um suspiro de alívio. Tinham sido sempre cépticos quanto às chances de sucesso da invasão, visto que seria uma operação de extraordinária complexidade logística e tática, e estimularam animadamente, portanto, o desejo de Goering de agradar o Fuhrer demonstrando a supremacia do poder aéreo da Luftwaffe.

 

 

 

Em 5 de agosto Goering recebeu a ordem de ir em frente, e a Batalha da Inglaterra começou. Goering tinha à sua disposição cerca de 2.700 aviões – número consideravelmente maior do que o que os ingleses podiam reunir. Entretanto, ambos os lados possuíam uma quantidade quase igual de aviões de combate, e a Inglaterra tinha três pontos a seu favor. Dispunha de um sistema de radar auxiliado por membros do Corpo de Observadores; estava em condições de construir aviões mais depressa (para substituir as perdas); e seus Spitfires e Hurricanes, tendo de voar uma distância menor até a área do conflito, dispunham de combustível para permanecer mais tempo em combate. Em contrapartida, o Hurricane era mais lento do que o Me 109 alemão (embora o Spitfire fosse ligeiramente mais veloz), e a RAF estava com escassez de pilotos treinados, fato que veio à tona quando a batalha terminou.

 

 

 

Os alemães chamaram o 13 de agosto como Adletag, ou seja, Dia da Águia. Assinalava o lançamento de um esquadrão de 1.400 aviões alemães, com ordens para destruir as bases da RAF e as instalações de radar a sudeste de Londres. Entretanto, os primeiros movimentos não corresponderam às expectativas de Goering. O radar inglês e o sistema de observação davam à RAF condições de ter seus aviões no ar imediatamente, prontos para enfrentar a Luftwaffe, e por uma perda de 45 aviões alemães Goering pôde apenas relatar danos sérios em duas bases inglesas e a destruição de 13 aviões da RAF. O tempo nublado restringiu as atividades da Luftwaffe no dia seguinte, 14 de agosto, mas a 15 de agosto ocorreu o ataque mais violento da batalha inteira. Mais de 1.500 aviões alemães, mais de um terço dos quais composto de bombardeiros, atravessaram a costa britânica. Era a tentativa de Goering para esmagar de uma vez a resistência aérea dos adversários. Houve dois ataques a campos de pouso no norte da Inglaterra: uma feroz resistência obrigou uma esquadrilha de bombardeio, escoltada por aviões Me 110 que não puderam fornecer muita proteção, a voltar atrás sem causar prejuízos sérios; a outra, embora sem escolta, infligiu pesados danos à base da RAF de Duffield, em Yorkshire, apesar de sofrer graves perdas também.

  

No sul da Inglaterra, as bases de Hawkinge e Lympne foram atacadas, sendo que a última ficou temporariamente fora de ação. Por todo o dia, numa desconcertante variedade de ataques, os alemães tiveram os aviões de combate ingleses à sua cola. Felizmente para os ingleses, os ataques alemães não foram bem coordenados e puderam, portanto, ser rechaçados, mas quando duas investidas maciças foram desfechadas no sul da Inglaterra em rápida sucessão, à noite, os ingleses foram forçados a revidar com uma resposta maciça. Para enfrentar o primeiro ataque, nada menos do que 170 aviões de combate decolaram – um tributo à coordenação e ao controle do Comando de Combate. Ambos os ataques foram repelidos, sem que provocassem grandes danos.

 

 

 

As perdas da Luftwaffe nesse dia totalizaram 76 aviões, enquanto os ingleses perderam apenas 34. Estava ficando claro que o domínio do ar sobre a Inglaterra era um objetivo mais difícil do que se supusera. A 16 e 18 de agosto, foram desferidos ataques em escala bem maior, mas ambos conseguiram pouca coisa, e as perdas alemães foram graves. Goering havia superestimado as perdas inglesas e, acreditando que a RAF estaria tão enfraquecida em números que o uso do radar não seria mais um fator crucial, concentrara seus esforços sobre as bases da RAF mais do que sobre as instalações de radar. Mas estava errado em ambas as considerações e pagou pelo erro com a perda de mais de 450 aviões nas primeiras três semanas de agosto.

 

 

 

A 24 de agosto, depois de uma breve bonança, Goering desferiu uma segunda ofensiva contra uma Inglaterra sitiada. A superioridade que a RAF conservava até então dessa vez não foi mantida sem sacrifício: houve pesadas perdas, que não estavam sendo compensadas pela velocidade de produção de novos aviões; fábricas e campos de pouso sofreram danos consideráveis; os pilotos estavam tensos e exaustos; não havia novos pilotos saindo dos centros de treinamento com rapidez suficiente para substituir os que tinham sido perdidos. Além disso, a tática de Goering melhorou, e o final de agosto viu um aumento assustador nas perdas britânicas. Mas as perdas da Luftwaffe haviam-lhe reduzido consideravelmente a potência, e quando a 7 de setembro Hitler instruiu Goering para mudar sua política de visar incessantemente o Comando de Combate da RAF para uma série de bombardeios diurnos sobre Londres, aquele comando teve uma chance para recuperar parte de sua força. Naquele dia Goering e Kesselring se puseram sobre os penhascos da costa norte da França e observaram o maciço esquadrão de 1.000 aviões alemães passar por cima de suas cabeças em direção à Londres. O cais, o centro e o leste de Londres foram bombardeados, causando morte ou ferimentos a 1.600 civis. A oposição de solo e ar foi muito fraca – havia canhões insuficientes e a RAF chegou tarde em cena – e um reforço alemão enviado na mesma noite perdeu apenas um avião em ataques que duraram a noite toda.

 

 

 

Seguiu-se uma série de ataques noturnos a Londres, durando até 3 de novembro, conhecida como Blitz. Apesar do início vacilante, os ingleses logo passaram a dar um tratamento ainda mais violento à Luftwaffe. As defesas antiaéreas foram consideravelmente aumentadas e o Comando de Combate, aproveitando a folga concedida pelo relaxamento da pressão sobre suas bases, logo recuperou forças.

 

 

 

Em 14 de setembro, data marcada para o desencadeamento da Operação Leão-Marinho, a frota para a invasão estava pronta, mas Goering não havia destruído nem Londres nem a RAF, e a invasão foi adiada. Não podia ser adiada por muito tempo, porém, pois as condições de tempo se tornariam desfavoráveis, e na manhã de 15 de setembro Goering e Kesselring lançaram mil aviões sobre Londres, num maciço ataque diurno. Num combate que se estendeu por todo o dia, seis aviões alemães foram abatidos, as perdas da RAF contaram 26 unidades, e finalmente, permanecendo intactas as defesas britânicas, o ataque foi rechaçado.

 

 

 

A 18 de setembro deu-se a ordem para que a frota Leão-Marinho, devido ao mau tempo e aos persistentes ataques de bombardeiros da RAF, fosse dispersada. A única finalidade do assalto aéreo alemão à Inglaterra – o enfraquecimento para a invasão – fôra frustrada, e embora o bombardeio continuasse por algum tempo, o clímax havia passado.

 

 

 

A 3 de novembro, pela primeira vez em meses, nenhum alarme antiaéreo preveniu os londrinos de um ataque iminente. Entretanto, uma nova ofensiva estava a caminho. A 14 de novembro iniciou-se uma campanha de bombardeios noturnos sobre as cidades, centros industriais e portos ingleses. Coventry foi a primeira a sofrer, depois Birmingham, Southampton, Bristol, Plymouth e Liverpool. Londres foi alvo de um ataque pesado em 29 de dezembro, e depois a Luftwaffe abrandou, devido ao inverno. Em março os ataques recomeçaram e a 10 de maio Londres sofreu um assalto realmente violento, mas a 16 do mesmo mês a Luftwaffe desviou a atenção para a iminente invasão da Rússia e o pior havia passado.

 

 

 

Nessa famosa batalha, a Alemanha chegou muito mais perto da vitória do que a Inglaterra admitiu ou Hitler imaginou. Se os ingleses não tivessem bombardeado Berlim em 25 de agosto, Hitler não teria ordenado à Luftwaffe que concentrasse o ataque sobre Londres, e o ataque às bases avançadas do Comando de Combate poderia ter sido repelido num momento em que a RAF estava em seu ponto mais fraco. E se mais tarde a Luftwaffe tivesse persistido mais tempo em seus ataques contra centros industriais, a Inglaterra teria sido posta de joelhos. Dois erros táticos, análogos ao erro de não liquidar com a BEF em Dunquerque, afrouxaram o aperto de Hitler na Inglaterra – e ela sobreviveu para lutar noutra ocasião.

 

 

 

 

 

A Invasão da Rússia

 

 

 

O pacto de Hitler com a Rússia, o pacto Molotov-Ribbentrop de 1939, foi um expediente estratégico que capacitou o Fuhrer a invadir a Polônia e subseqüentemente assolar o ocidente sem recear uma intervenção russa. Mas, nutrindo fanática convicções anticomunistas, não é de admirar muito que, mais tarde, invadisse o território de sua antiga aliada. Seus motivos, porém, não foram puramente ideológicos. A longo prazo a Rússia oferecia um Lebensraum quase sem limites, os campos de trigos e os celeiros da Ucrânia, e o petróleo do Cáucaso. A curto prazo Hitler achou que ela estava ameaçando o seu fornecimento de petróleo da Romênia e conspirava para intervir no lado inglês da guerra da Alemanha contra a Inglaterra. “A Inglaterra”, insistia ele, “deve ser conquistada; portanto, a Rússia tem que ser eliminada.”

 

 

 

Pelo fim de 1940, o general Von Paulus, que mais tarde comandaria o exército que se rendeu aos russos em Stalingrado, foi instruído por Hitler para fazer um plano detalhado para a ofensiva contra a Rússia. A 5 de dezembro Hitler emitiu ordens para que fossem feitos preparativos para Barbarossa – a invasão da Rússia -, que deveriam esta completos em 15 de maio de 1941. De fato, a invasão provavelmente teria ocorrido nesta data se a atenção de Hitler não tivesse sido desviada para a expedição de tropas alemães para os Bálcãs.

 

 

 

Hitler quisera garantir o controle dos Bálcãs por meio de diplomacia armada, antes de invadir a Rússia, prevenindo assim a intervenção britânica naquele setor. A Bulgária submeteu-se, mas a Grécia e a Iugoslávia resistiram, forçando Hitler a desviar divisões Panzer destinadas à ofensiva russa para dominar esses dois países. A intervenção armada da Inglaterra foi quase que complemente ineficaz, e em questão de semanas a Grécia e a Iugoslávia estavam fora de combate, mas o início de Barbarossa teve que ser adiado para a segunda metade de junho, que mais tarde contribuiria para a derrota alemã no leste.

 

 

 

A 22 de junho, tropas alemães atravessaram a fronteira russa em três correntes separadas. Ao norte um exército comandado por Von Leeb avançou contra Leningrado através dos Estados Bálticos ocupados pela Rússia; ao centro, um exército sob o comando de Von Bock moveu-se da área de Varsóvia em direção a Smolensk e depois Moscou; ao sul Von Rundstedt comandou um exército dos pântanos do rio Pripet rumo a Kiev.

 

 

 

Hitler pretendia que esses exércitos avançassem tanto quanto possível em território russo, depois efetuassem um conversão e armassem uma armadilha para os russos com uma série de cercos maciços. Inicialmente o avanço foi quase tão rápido quanto na Polônia e na Franca, mas os alemães não haviam levado em conta a obstinação da resistência russa, que os deteve mais tempo que esperavam. Além disso, as estradas eram precárias e as distâncias a serem cobertas, muito maiores do que as percorridas nas campanhas polonesa e francesa, criaram consideráveis problemas logísticos. A frustração de Hitler crescia à medida que suas forças arremetiam cada vez mais fundo na Rússia e o grande cerco ainda as iludia. Então começou a chover. As estradas sem calçamento transformaram-se em verdadeiros lamaçais. Tanques e outros veículos dotados de esteiras podiam continuar sem impedimento, mas seu abastecimento e a infantaria de apoio, em veículos de rodas, os retardaram.

 

 

 

Apesar desses problemas, as divisões Panzer de Guderian e Hoth foram capazes de capturar 300.000 soldados russos em Smolensk, em julho, e se não fosse pelo lento progresso dos exércitos de Von Rundstedt ao sul, o avanço sobre Moscou se teria processado velozmente. Mas Rundstedt deparou, em Kiev, com um formidável exército russo, sob o comando do veterano Marechal Budiênni. Hitler estava ansioso de que Rundstedt se habilitasse a arremeter com o máximo de pressa para a Criméia e, ante a insistência de Guderian de que devia continuar perseguindo os russos na estrada que levava a Moscou o Fuhrer ordenou a uma parte do exército de Bock, incluindo as divisões Panzer de Guderian, que voltasse para o sul e ajudasse Rundstedt a derrotar Budiênni e seus homens em Kiev. Guderian, atacando ao sul, e Kleist, atacando ao norte, encontram-se a leste de Kiev, num brilhante movimento de pinças que cercou por volta de 600.000 russos, mas já era fim de setembro antes que o avanço se pusesse em marcha de novo. Outro cerco de exércitos de Bock em torno de Viazma fez outros 600.000 prisioneiros, mas o tempo estava piorando e novas forças russas se reunindo diante Moscou.

 

 

 

Os generais alemães pensaram que haviam chegado o momento de parar, devido ao inverno, e consolidar sua posição – até Hitler perdera parte do seu otimismo – , mas Bock achava que deviam continuar, e no começo de dezembro tropas alemães atingiram os subúrbios de Moscou, apenas para serem sumariamente expulsas pelos russos comandados por Zukov. Hitler ordenou a suas forças que não se retirassem, mas estabelecessem posições tão próximas de Moscou quanto possível, e aí ficassem por todo o apavorante inverno russo, mal vestidos e mal equipados para as condições.

 

 

 

Ao sul, os exércitos de Rundstedt haviam entrado na Criméia e na Bacia de Donetz, mas não haviam conseguido tomar os campos de petróleo do Cáucaso, e na primeira semana de dezembro tiveram que bater em retirada. O fracasso de Hitler em tomar Moscou pode ser atribuído ao erro tático de desviar exércitos dirigidos contra Moscou para ajudar Rundstedt em Kiev; ao fato de ter subestimado o tamanho dos exércitos russos que o enfrentaram, que pareciam ter sempre novas tropas para trazer para o front quando sofriam perdas; e ao fato de que a lama ter retardado o avanço a partir de julho.

 

 

 

O ano seguinte deveria testemunhar o inicio da ruína da Alemanha nazista, decretada na Rússia, em Stalingrado.

 

 

 

 

 

 

 

A América Antes de Pearl Harbor

 

 

 

Por toda a década de 30, a América manteve uma política de rígido isolamento que incluía os acontecimentos na Europa. Quando Mussolini atacou a Etiópia, em 1935, o congresso aprovou um ato impedindo o presidente, Roosevelt, na época, de intervir em qualquer dos lados. Igualmente, quando rompeu a Guerra Civil espanhola, o congresso insistiu em que a América adotasse uma posição neutra, proibindo remessas de armas para qualquer das partes. Atado por uma legislação dessa ordem, Roosevelt não podia fazer mais, à medida que a situação na Europa se tornava mais e mais ameaçadora, do que exortar os americanos a adotar uma atitude mais aberta em relação ao exterior, esperando que a opinião pública gradativamente se voltasse contra os regimes fascistas na Europa, que representavam uma ameaça, ainda que distante, para a paz mundial. Mas nem a ocupação da Checoslováquia, a invasão da Polônia ou a declaração de guerra da Inglaterra e seus aliados europeus foram capazes de gerar um movimento unificado pró-abandono da neutralidade americana. Quando a França caiu, porém, e a Inglaterra permaneceu sozinha entre a agressão alemã e os Estados Unidos, o sentimento popular mudou da noite para o dia. Finalmente o congresso autorizou um programa de mobilização e adoção de medidas visando ao fornecimento de ajuda à Inglaterra. Primeiro enviou-se um excedente de armamento; depois, concluiu-se um acordo de transferência de destróieres americanos da primeira guerra mundial para as bases navais britânicas e por fim o Congresso aprovou a Lend-Lease Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), estipulando o fornecimento de equipamento de guerra para os adversários do fascismo em condições de pagamento fácil. No momento em que Roosevelt terminou suas conversações com Churchill a bordo do navio de guerra Prince of Wales, ao largo da Terra Nova em agosto de 1941, era evidente que a neutralidade americana não era mais que formal, pois a nação se comprometera com o lado aliado.

 

 

 

Hitler não gostou nem um pouco disso. E se indispôs ainda mais com os Estados Unidos quando a América tomou a iniciativa de proteger a chegada de fornecimentos transportados pelo Atlântico, oferecendo cobertura de escolta. Submarinos alemães atacaram pela primeira vez navios americanos em 1941, e quando a navegação americana na zona de segurança ao largo da costa oriental se tornou um alvo para submarinos, pelo final do mesmo ano, os Estados Unidos fizeram seus preparativos finais para a ação, embora sem declarar guerra formalmente. Foi nesse período de inquietação que o Japão atacou Pearl Harbor.

 

 

 

As relações entre os Estados Unidos e o Japão andavam tensas há algum tempo, e o principal ponto de discórdia eram as tentativas japonesas de colocar a China sob o controle do império do sol nascente, pôr meios bélicos. A Guerra Sino-Japonesa começara em 1937, provocando protestos americanos, visto que os Estados Unidos tinham fortes interesses na China. A recusa do Japão em dar ouvidos a esses protestos moveu o governo americano a declarar um embargo na exportação de certos produtos para o Japão, inclusive petróleo, o que gradualmente reforçou a disputa. Privados de uma importantes fonte de combustível, os japoneses tinham duas alternativas: aceitar um acordo humilhante com uma América pretendendo a inviolabilidade da China; ou procurar petróleo em outro lugar, se necessário pela força.

 

  

Não conseguindo firmar o acordo com o governo das Índias Orientais Holandesas para o fornecimento de petróleo, os japoneses decidiram negociar mais uma vez com os Estados Unidos, no verão de 1941, esperando que ainda houvesse uma chance de romper o embargo em termos aceitáveis. Se isso falhasse, teriam que recorrer a força nas Índias. Falhou, e houve endurecimento de atitude de ambas as partes.

 

 

 

Pelo final de 1941 parecia que a guerra era inevitável, e os dois lados apressavam seus preparativos. Para ganhar tempo um embaixador japonês foi enviado a Washington na metade de novembro, a fim de apresentar uma última oferta do Japão, cuja rejeição era conclusão previamente determinada, mas deveria manter as discussões em andamento até que o Japão estivesse pronto para atacar. Os americanos também, contemporizaram. Finalmente, quando Roosevelt foi informado das intenções do Japão em romper relações diplomáticas, aeronaves japonesas atacaram a base naval americana de Pearl Harbor, na ilha havaiana de Oahu.

 

 

 

Isso aconteceu às 8 horas da manhã de 7 de setembro de 1941, a frota americana e os campos de pouso estavam desprevenidos, e o estrago foi feito em meia hora. Sete navios de guerra foram destruídos ou seriamente danificados. Apenas os porta-aviões escaparam, porque não estavam no local no momento. Tendo desmembrado a frota americana, os japoneses podiam dar prosseguimento a seu programa de conquista no Pacífico.

 

O Japão Assola o Oriente

 

 

 

O vitorioso ataque japonês à base americana de Pearl Harbor, em 7 de setembro de 1941, efetivamente eliminou, como pretendiam os japoneses, a ameaça de intervenção americana em suas operações no sudeste do Pacífico. Uma quantidade de outras operações simultâneas ao ataque a Pearl Harbor, deveria levar ao colapso extraordinariamente rápido da resistência ocidental no extremo oriente.

 

 

 

A primeira a cair foi Hong Kong, que tinha a fraqueza inerente de estar situada a apenas 650 km das bases aéreas japonesas em Formosa e a 2.600 km da base britânica em Cingapura. Hong Kong foi atacada do continente a 8 de dezembro por uma poderosa força japonesa, que, depois de vencer os obstáculos iniciais, desembarcou na extremidade nordeste da ilha e avançou para o sul, cortando as forças de defesa pelo meio. Dezoito dias após o início da operação, a guarnição de Hong Kong capitulou.

 

 

 

Ainda no mesmo dia do ataque a Pearl Harbor, aviões japoneses investiram contra uma base aérea americana em Luzon, a maior das ilhas da Filipinas. O ataque pegou os americanos desprevenidos, e uma considerável proporção do esquadrão americano em Luzon foi danificado ou destruído, dando aos Japoneses a superioridade aérea que muito contribuiria para a sua conquista das Filipinas. O comandante americano em Luzon era o General Douglas MacArthur, que dispunha de cerca de 110.000 soldados filipinos e por volta de 30.000 soldados de linha. Os primeiros, inadequadamente treinados, foram espalhados ao longo da costa da ilha, enquanto os demais estavam concentrados perto de Manila. Quando as primeiras tropas japonesas, comandadas pelo General Homma, desembarcaram em Luzon, tiveram pouca dificuldade de romper as defesas do exército filipino, e logo estava, se dirigindo para o interior, rumo a Manila. Nessa altura, MacArthur retirou seus homens para a península fortificada da Bataan, movimento esse que foi vitoriosamente efetuado em 6 de janeiro de 1942, apesar do incessante ataque aos americanos em retirada. A área ocupada pelas tropas de MacArthur atrás de suas defesas na península não eram mais que meros 80 km de terreno infestado de malária. Os americanos, isolados de qualquer reforço, resistiram bravamente, embora seus efetivos estivessem sendo dizimados pela febre. Os japoneses foram igualmente reduzidos pela malária, mas receberam reforços em março e gradualmente empurraram os defensores para a extremidade da península. A 9 de abril o comandante americano (na ausência de MacArthur) capitulou.

 

 

 

Então um violento ataque japonês foi desferido contra a ilha de Corregidor, a apenas 3 km de Bataan, cuja guarnição agüentou uma terrível fuzilaria pôr parte da aviação japonesa e pela artilharia sediada em Bataan. No começo de julho estava tudo acabado, e as forças remanescentes se renderam, deixando os japoneses como senhores do norte das Filipinas.

 

 

 

A quarta operação japonesa começou em 8 de dezembro de 1941 e consistiu em desembarques em três pontos da península malaia: Singora, Patani e Kora Bharu, seu objetivo era tomar a Malásia e a vital base naval de Cingapura, que simbolizava o conjunto da presença ocidental armada no oriente, nas mãos dos ingleses. Todos esses desembarques foram feitos na costa leste, mas enquanto uma força diversionária avançava pelo leste da península, a força principal movia-se para o interior e entrava na Malásia pelo lado oeste.

 

 

 

Nesse ponto o poder marítimo britânico no oriente recebeu um duro golpe, que deveria facilitar grandemente a conquista japonesa da Malásia e Cingapura. O moderno navio de guerra King George V, o Prince of Wales, acompanhado pelo antigo cruzador Repulse, navegava sob o comando do Almirante Phillips para interceptar transportes japoneses que haviam acabado de desembarcar em Kuantan, na península malaia, quando os dois navios foram atacados por um grande numero de bombardeiros e lança-torpedos japoneses. Na falta de cobertura de um porta-aviões de acompanhamento (pois não havia nenhum disponível no momento), os navios apenas puderam se defender com fogo antiaéreo e afundaram após duas horas de ininterrupto e preciso bombardeiro japonês. Sua destruição permitiu que o programa japonês de desembarques prosseguisse sem obstáculos e acelerou a queda da Malásia e Cingapura. Encontrando resistência mal organizada e apoiados por uma inquestionável superioridade aérea, os invasores, comandados pelo General Yamashita, conquistaram a Malásia em dois meses. A 31 de janeiro de 1942, o remanescente das forças britânicas na região cruzou o estreito para a ilha de Cingapura.

 

 

 

A defesa da ilha era dificultada pelo fato de sua base naval ter sido construída para resistir a ataques vindos do mar. Assim, quando os japoneses vieram pela porta dos fundos, desembarcando na ilha à força em 8 de fevereiro, foram rapidamente capazes de estabelecer uma base de operações. Embora numericamente inferiores aos defensores, os japoneses estavam mais bem liderados, mais bem treinados e mais bem apoiados pelo ar. Logo estavam empurrando os ingleses para o sul, e apesar das exortações de Churchill para que se lutasse até a morte pela honra do império, as forças britânicas, cerca de 60.000 homens no total, capitularam depois de uma semana, a 15 de fevereiro com Cingapura em chamas ao seu redor. Este foi um dos piores reveses jamais ocorridos na historia militar britânica.

 

 

 

A queda de Cingapura seria seguida de perto pela entrada dos japoneses em Rangum, a 8 de março, e pela subseqüente retirada britânica para a Índia, pela fronteira indo-birmanesa. A conquista da Birmânia representou a consumação dos objetivos estratégicos japoneses no cenário oriental: o estabelecimento de uma inexpugnável barreira de defesa indo das Filipinas à fronteira da Índia, atrás da qual poderiam prosseguir insensatamente na sua intenção de colocar a China sob controle Japonês. Alem disso, podiam garantir os fornecimentos de petróleo de que o embargo americano os privara.

 

 

 

A conquista Birmânia foi realizada por uma força japonesa comparativamente menor. Começou na metade de dezembro de 1941. Com um avanço para o norte da Birmânia, partindo da Malásia e da Tailândia. As forças britânicas de defesa logo se puseram em retirada, e no começo de março, quando os japoneses se encontravam perto de Rangum, a passagem ocidental para a China, seu comandante, o General Sir Harold Alexander, resolveu não tentar defender a cidade. O objetivo era recuar e defender Mandalay, que ainda poderia dar aos ingleses um elo com a China através da estrada da Birmânia. Mas os japoneses avançaram, depois de receber pesados reforços de tropas e aviões e em pouco tempo ficou claro que Mandalay também não podia ser defendida.

 

 

 

Os ingleses então começaram um recuo de 320 km em direção da fronteira, e no começo de maio já se encontravam a salvo, do outro lado. O número de feridos ultrapassou de longe o de japoneses, embora a maioria se tenha salvado, mas a Birmânia, a Tailândia, a Malásia e Cingapura estavam firmemente nas mão dos japoneses. A barreira de defesa estava completa – seis meses depois de Pearl Harbor – e a Inglaterra tinha perdido todo o seu sustentáculo no Oriente.

 

 

 

 

 

A Guerra no Deserto (1940 – 1943)

 

 

 

Na altura em que a batalha na França já podia ser considerada como oscilando decisivamente a favor de Hitler, a Itália entrou na guerra, conduzida por Benito Mussolini. Viu que a França logo cairia e que a Inglaterra seria, portanto deixada sozinha numa posição vulnerável – um momento ideal, pensou ele, para depô-la de sua posição no Mediterrâneo e na África e para aumentar as possessões ultramarinas da Itália.

 

 

 

Nessa altura, também, um pequeno exército britânico no Egito, comandada pelo General Sir Archibald Wavell, defrontou-se com uma força italiana na Cirenaica, comandada pelo Marechal Graziani, muitíssimo superior numericamente. Antes que Graziani tivesse tempo para organizar uma ofensiva, Wavell moveu-se no Egito num ataque-relâmpago que iria acarretar resultados de largo alcance num espaço de tempo bem curto – o tipo de ação, aliás, que iria caracterizar os oscilantes sucessos de ambas as partes na guerra do deserto. Movendo-se em direção à fronteira egípcia, as forças de ataque britânicas, inclusive a 7ª Divisão blindada, que ganharia o apelido de Ratos do Deserto, tomou o forte Capuzzo aos italianos em 14 de junho de 1940. Graziani reagiu contra a ameaça avançando para o leste a 13 de setembro e estabelecendo uma cadeia de acampamentos em torno de Sidi Barrani, contra quais Wavell ordenou ao general O’Connor que investisse. A 7 de dezembro começaram os ataques britânicos aos acampamentos, com os tanques Matilda do 7º Regimento Real de Tanques na vanguarda, e em três dias os italianos estavam debandando, sendo aprisionados 40.000 deles. Esse sucesso retumbante foi seguido pela captura da fortaleza italiana de Bardia, no litoral, onde 45.000 italianos foram aprisionados, e, mais tarde, por uma investida para o oeste, que culminou com a captura do porto-chave de Tobruk, a 21 de janeiro de 1941, e de mais de 30.000 prisioneiros. Durante toda a campanha, os tanques Matilda desempenharam um papel crucial.

 

 

Enquanto isso, O’Connor estava necessitando desesperadamente de reforços e novo equipamento, mas a mente de Churchill estava fixada no envio de tropas para ajudar os países balcânicos a resistir contra a Itália e Alemanha, e os reforços foram negados. Entretanto, O’Connor recebeu permissão para avançar para oeste, com a finalidade de tomar o porto de Benghazi. À medida que o avanço prosseguiu, o reconhecimento de terreno revelou que os italianos estavam se aprontando para partir de Benghazi rumo a El Agheila, pela estrada litorânea, e apesar de seus recursos exauridos, O’Connor audaciosamente resolveu tentar separá-los avançando para o interior e interceptando-os quando contornassem o promontório. Os Ratos do Deserto investiram através do deserto. Tomaram posição em Beda Fomm, e em 6 de fevereiro os italianos em retirada foram desbaratados, 20.000 deles caindo prisioneiros.

 

 

 

Com as forças italianas em confusão, as perspectivas de finalmente expulsá-los da África do Norte por meio de um avanço sobre Trípoli eram excelentes, mas Churchill, ainda convencido de que os conflitos nos Bálcãs era de maior importância, ordenou que seus homens fizessem alto. O fato seguinte, funesto para os ingleses, foi a chegada do General Erwin Rommel, mais tarde conhecido como “Raposa do Deserto”, para apoiar as forças italianas na Líbia. Chegou a 12 de fevereiro e sua presença se revelou tão decisiva que, pela metade de abril, a força britânica toda, com exceção da guarnição retida em Tobruk, fora empurrada para trás, de volta à fronteira egípcia. Vendo que o avanço inglês fora detido, Rommel decidiu, ainda que dispondo de forças bastante inadequadas, tomar a ofensiva. Rapidamente retomou a garganta de El Agheila e tocou para Benghazi, que também retomou. Em 14 de abril assediou Tobruk, que foi corajosamente defendida pela 9a Divisão australiana, comandada pelo General Leslie Morshead; não conseguiu atravessar as defesas e, na terceira semana de maio, o cerco foi levantado.

 

 

 

Então planejou avançar sobre o Egito, mas seus pedidos de reforços foram negados porque Hitler estava dando prioridade à invasão da Rússia. O resultado foi que a Alemanha perdeu uma oportunidade perfeita de conseguir uma vitória decisiva e expulsar a Inglaterra da África do Norte.

 

 

 

Havia pouco tempo, porém, para uma mudança de opinião, pois Wavell acabava de receber o auxílio por que esperava tanto tempo. Com suas ambições balcânicas frustradas, Churchill enviou um comboio à África do Norte através do perigoso Mediterrâneo, conduzindo um grande carregamento de novos tanques. Quando chegaram, organizou-se um contra-ataque britânico. A 13 de maio Wavell desencadeou a Operação Brevidade, destinada a reunir-se à guarnição sitiada de Tobruk e socorrê-la. Não teve êxito, e no final do mês os ingleses estavam de volta ao Egito mais uma vez. Depois, na metade de junho, ocorreu a Operação Arpão, uma tentativa de peso para recuperar a iniciativa, mas no decorrer da campanha os ingleses perderam 91 tanques contra doze alemães, e também esta operação fracassou.

 

 

 

Churchill agora estava totalmente resolvido a vencer a campanha do deserto, e despejou homens e equipamentos na região. Wavell foi substituído pelo General Sir Claude Auchinleck, e prepararam-se planos para a ofensiva seguinte, a Operação Cruzada, que foi desencadeada na metade de novembro. Compreendia um movimento duplo: uma força deveria se ocupar das tropas de fronteira de Rommel; a outra, contornar-lhe o flanco, destruir os blindados, e avançar sobre Tobruk. Em suas tentativas de abater os blindados altamente móveis de Rommel, a força de contornamento se dispersou, mas conseguiu atingir Sidi Rezegh, 20 km a sudoeste do perímetro de defesa de Tobruk. Aqui ocorreu uma importante batalha de tanques, que resultou na vitória de Rommel, embora com o sacrifício de setenta preciosos tanques. Enquanto os ingleses se recuperavam do impacto, Rommel atacou repentinamente pela retaguarda, visando a cortar as comunicações dos adversários. Moveu-se velozmente em direção à fronteira egípcia, mas o ataque perdeu grande parte da sua potência devido à dificuldade de comunicações e à deficiência de combustível, e Rommel acabou fazendo meia volta. Os ingleses em seguida manobraram para investir rumo a Tobruk, e Rommel recuou para a garganta de El Agheila, chegando lá em janeiro de 1942.

 

 

 

Uma vez em El Agheila, recebeu novos tanques e equipamento, e a 21 de janeiro moveu-se para leste novamente, tomando Benghazi e logo alcançando os limites de Gazala, 80 km a oeste de Tobruk. Depois de uma luta feroz, a fortaleza britânica em Gazala caiu, e Rommel rumou para Tobruk, que tomou em junho, junto com 35.000 prisioneiros e grande quantidade de valiosas provisões. Para os ingleses isso representou um desastre que perdeu apenas para a capitulação de Cingapura, ainda mais que logo se viram em plena retirada para o Egito, com Rommel em furiosa perseguição. Nessa precipitada corrida para leste, Rommel cruzou a fronteira egípcia e empurrou os ingleses até uma distância de apenas 100 km de Alexandria.

 

 

 

Aqui, em El Alamein, os ingleses contra-atacaram. As tropas de Rommel estavam cansadas, suas provisões, terminando, e seus tanques, reduzidos em número, mas o ataque britânico não foi de porte suficiente para transformar o avanço alemão em retirada. Entretanto, a vantagem acabou ficando com os ingleses, pois embora suas perdas quase se igualassem às de Rommel, podiam arcar com elas, enquanto ele não – e o avanço foi realmente detido.

 

 

 

No começo de agosto de 1942, o General Bernard Montgomery voou para substituir Auchinleck. Resolveu não empreender qualquer ação ofensiva até ter tempo de organizar uma força para uma vitória decisiva, mas a 30 de agosto Rommel, agora contando com reforços, atacou a posição britânica na cordilheira de Alan Halfa. Foi incapaz de fazer o avanço que planejara e finalmente foi forçado a recuar, devido à deficiência de combustível. Montgomery resolver não dar seguimento a uma tentativa de golpe de misericórdia, preferindo continuar seus preparativos para uma ofensiva posterior, mas a Batalha de Alan Halfa, que fôra bem conduzida e de bom desempenho, representou para os ingleses um grande reforço de autoridade, enquanto finalmente tirava a iniciativa a Rommel à força.

 

 

 

Em 23 de outubro, Montgomery estava pronto, e a Segunda Batalha de El Alamein começou. Rommel estava doente e suas forças eram numericamente bem inferiores, tanto em terra quanto no ar. A batalha abriu com um maciço fogo de barragem combinado com bombardeio às posições do Eixo, mas a primeira investida britânica, a Operação Carga, foi bloqueada, e Montgomery pôs em ação a Operação Supercarga, um ataque de front limitado desferido contra a fraca divisão italiana de Trento, no centro, que pegou Rommel de surpresa. A 4 de novembro as defesas do Eixo foram rompidas e Rommel começou a recuar. Embora Montgomery tenha saído em seu encalço, as tropas de Rommel escaparam e logo estavam de volta à garganta de El Agheila.

 

 

 

A campanha da África do Norte entrava agora em nova fase, a final. A vitória inglesa em El Alamein fôra decisiva, e Rommel viu que dali em diante não poderia fazer outra coisa senão tentar conter o avanço britânico por tanto tempo quanto possível. Juntando-se a essa pressão do leste, ele agora tinha que fazer frente a uma ameaça do oeste, pois tropas britânicas e americanas haviam desembarcado no Marrocos e na Argélia a 8 de novembro, no primeiro estágio da Operação Tocha.

 

 

 

Durante toda a campanha russa, Stalin fizera pressão para que Churchill e Roosevelt abrissem um segundo front e assim desviassem pelo menos uma parte da atenção e do esforço alemães do front russo. Depois de algumas discussão, duas possibilidades vieram à tona: uma invasão na Normandia, que era o que Roosevelt preferia fazer; e desembarques na África do Norte, pelo que Churchill optava. Escolheu-se a primeira possibilidade, mas quando Rommel irrompeu no Egito no meio de 1942, Churchill conseguiu convencer Roosevelt das sérias implicações da ameaça de Rommel ao Canal de Suez, e elaboraram-se então planos para desembarques na África do Norte, sob o codinome de Operação Tocha.

 

 

 

O desembarque ocorreu em Casablanca, Orã e Argel. A resistência das forças francesas de Vichy foi superada ou evitada, mas isso retardou o começo das operações na Tunísia por tempo suficiente para que as tropas do Eixo na região fizessem movimentos ofensivos bem sucedidos e estabelecessem excelentes posições defensivas contra os assaltos aliados do leste e oeste. Os Aliados não queriam prosseguir antes de se reforçarem completamente, mas quando chegou dezembro eles viram que as forças do Eixo tinham sido consideravelmente aumentadas, e isso, junto com o começo do mau tempo, atrasou o avanço na Tunísia até fevereiro de 1943.

 

 

 

Rommel, cujos homens estavam guardando os acessos a leste, percebeu que, se os alemães não tomassem a ação ofensiva, as tropas aliadas logo os encurralariam, sem esperanças, pelos dois lados, e imediatamente pleiteou uma ofensiva a oeste, onde os Aliados eram mais fracos. Mas o comandante alemão a oeste, General von Arnim, fez um ataque muito tímido, que não conseguiu deter o avanço inimigo, e Rommel foi forçado a correr em seu auxílio. Estava começando a fazer algum progresso contra o adversário (tomando o passo de Kasserine), quando teve que correr para leste a fim de desviar uma ameaça de apoio por parte das tropas de Montgomery. Chegou tarde demais, porém, e gradualmente os exércitos do Eixo foram empurrados de ambos os lados para o norte da Tunísia. Hitler recusou-se a sancionar uma evacuação ao estilo de Dunquerque, e a 12 de maio de 1943 todas as tropas do Eixo capitularam. A guerra na África do Norte tinha chegado ao fim. Mussolini fracassara totalmente na obtenção dos territórios que tanto cobiçara no começo; Churchill, enviando reforços em 1941, para impulsionar a Operação Cruzada, fizera isso às custas da força britânica no Extremo Oriente, contribuindo indiretamente, talvez, para o desastroso colapso da resistência britânica em Cingapura; e Hitler, enviando vastos reforços a seus exércitos combatendo na Tunísia, e deixando de evacuá-los antes que fosse tarde demais, fez com que a Sicília e a península italiana ficassem desprovidas de tropas para repelir os desembarque aliados, oferecendo condições para o primeiro estágio da conquista da Europa pelos Aliados.

 

A Batalha do Atlântico

 

 

 

O objetivo estratégico de Hitler na batalha do Atlântico era interromper, na maior escala possível, os fornecimentos de provisões e material bélico da Inglaterra e seus aliados. Foi sua unidade de submarinos, habilmente comandada pelo Almirante Doenitz, que atingiu o maior grau de êxito, mas, felizmente para os ingleses, Hitler e Raeder, o chefe da sua Marinha, persistiram longo tempo na crença de que os grandes navios de superfície eram de importância superior, resultando disso que, até que fosse tarde demais, a força submarina nunca foi suficientemente desenvolvida para conseguir uma vitória completa, embora em março de 1943 a posição aliada fosse extremamente precária.

 

 

 

A luta perdurou por toda a guerra, atingindo o auge entre a metade de 1942 e a metade de 1943. Começou a 3 de setembro de 1939, quando o navio de longo curso Athenia foi afundado por um submarino alemão. No final do mesmo ano, 114 embarcações britânicas e neutras totalizando 420.000 toneladas, tinham sido postas a pique, entre elas o porta-aviões Courageous e o navio de guerra Royal Oak, este último afundado em Scapa Flow pelo submarino alemão U-47, num audacioso ataque noturno.

 

 

 

Nesse meio tempo, os navios alemães de superfície não corresponderam às expectativas: em dezembro, o esplêndido navio de guerra Graf Spee era condenado à morte na desembocadura do rio da Prata e afundado; o Deutschland (depois Lützow) causou pequena impressão em suas incursões pelo Atlântico Norte; e os dois cruzadores de batalha Scharnhorst e Gneisenau fizeram apenas uma breve incursão de reconhecimento.

 

 

 

Iniciando a guerra com uma força submarina de apenas 56 barcos, a Kriegsmarine alemã viu esse número crescer resolutamente, enquanto os comboios aliados permaneciam desesperadamente privados de escolta. A situação foi um pouco abrandada pela entrada em ação, na primavera de 1940, das primeiras corvetas, mas o

  

risco para a navegação aliada redobrou com a queda da França em junho de 1940. Quando isso aconteceu, o Canal da Mancha deixou, naturalmente, de ser seguro, e as rotas de navegação no Atlântico logo foram igualmente ameaçadas por novas bases de submarinos, estabelecidas pelos alemães em Brest, Lorient e outros portos da costa atlântica francesa. Submarinos transoceânicos passavam a poder operar em mais profundidade, no Atlântico, do que as escoltas de destróieres para os comboios de longo curso, e Doenitz não demorou a se aproveitar desse ponto fraco no sistema de comboio.

 

 

 

A única rota que permanecia aberta para os comboios com destino à Inglaterra, ou regressando de lá, passava pelos acessos norte-ocidentais – contornando o norte da Irlanda – , mas nem essa rota escapou aos ataques dos bombardeiros de longo alcance Focke-Wulf Kondor, com bases na Noruega e na França. Em setembro de 1940, Churchill, sem esperanças de reforçar as escoltas de comboios, fez um acordo de concessão de crédito com Roosevelt, segundo o qual a Inglaterra passava a usar 50 destróieres da Primeira Guerra Mundial, com quatro canhões, da reserva naval americana, que foram enviados para bases no lado oposto do Atlântico; mas ainda havia muito pouca escolta, e em outubro de 1940 submarinos alemães afundaram um total de 350.000 toneladas de embarcações, a cifra mais alta até então.

 

 

 

O mau tempo trouxe ao combate um período de calmaria, durante o inverno de 1940-41, mas na primavera Doenitz renovou a ofensiva com uma nova tática devastadora. Começou a desdobrar grupos de submarinos no que foi designado como “matilhas de lobos”. Os membros da matilha se espalhavam e patrulhavam uma vasta área até que um deles localizasse um comboio. Esse submarino então chamava os outros pelo rádio e, depois de todos se reunirem, a matilha fazia um ataque de superfície, à noite. Sua velocidade em superfície superava a da maioria das escoltas de comboio, mas o mais importante era que o aparato de escoltas de Asdic era incapaz de detectar a presença deles. As matilhas de lobos atacaram noite após noite, retirando-se durante o dia e causando efeitos devastadores, mas felizmente Doenitz não os tinha em quantidade suficiente. De qualquer modo, em março de 1941, vários submarinos, atacantes de superfície (o navio de guerra ligeiro Admiral Scheer e os cruzadores pesados Scharnhorst e Gneisenau) e muitos aviões reivindicavam entre si o afundamento de mais de 500.000 toneladas de navios aliados.

 

 

 

Em maio do mesmo ano ocorreu um dos grandes últimos confrontos de navio a navio. O magnífico navio de guerra alemão Bismarck, em companhia do novo cruzador Prinz Eugen, navegava pelo Atlântico à procura de vítimas. Localizados, o cruzador de batalha britânico Hood e o navio de guerra Prince of Wales partiram em seu encalço para interceptá-los. A 24 de maio entraram em combate, e o potente Hood, de 42.000 toneladas, com oito canhões de 381 mm, foi explodido pela primeira salva do Bismarck, enquanto o Prince of Wales era danificado o suficiente para ser forçado a parar. O Bismarck fôra atingido duas vezes pelo Prince of Wales e tinha um vazamento de combustível; assim, fez meia volta, visando a rumar para um pôrto atlântico francês, e, após repetidos ataques de bombardeiros britânicos decolados de porta-aviões (dos quais apenas um acertou o alvo, e com um tiro bem fraco), escapou aos atacantes. Alguns dias depois foi novamente localizado e mais uma vez atacado por torpedeiros. Desta vez foi atingido por dois tiros, um dos quais emperrou seus lemes. Deixado sem controle mas aparentemente impossível de ser afundado, foi alvejado primeiro por obuses dos navio de guerra Rodney e King George V, e depois torpedeado pelo Dorsetshire, até que deslizou por sob as ondas. O Prinz Eugen, que o acompanhava inicialmente, conseguiu seguir a salvo para Brest, mas a destruição do Bismarck representou o fim dos esforços alemães para vencer a Batalha do Atlântico com navios de superfície.

 

 

 

Logo, em março de 1941, a Lend-Lease Bill foi assinada. Segundo seus termos, a Inglaterra podia solicitar armas e provisões sem pagamento imediato. Isso, junto com a ampliação unilateral que os Estados Unidos fizeram da chamada “Zona de Segurança” ao largo da sua costa ocidental (dentro da qual os submarinos tinham que respeitar a neutralidade da navegação americana) e sua decisão de fornecer apoio atlântico à navegação aliada, indicou aos alemães que os americanos estavam se tornando bem menos do que neutros. Essas medidas, porém, melhoraram consideravelmente as chances dos comboios aliados no Atlântico, e quando a Marinha Real Canadense começou a oferecer escoltas até o sul da Islândia, finalmente um sistema de escolta transatlântica contínua entrou em operação.

 

 

 

Pelo final de 1941, as perspectivas pareciam mais animadoras, embora ainda houvesse deficiência de aviões de longo alcance para missões de proteção a comboios, e os submarinos, agora sendo produzidos com cascos soldados a pressão em lugar dos antigos blindados e rebitados, estavam se tornando mais difíceis de afundar. No entanto, os acontecimentos deveriam dar uma guinada, e para pior. Depois que a América entrou na guerra, em resposta ao bombardeio de Pearl Harbor em dezembro de 1941, a Zona de Segurança deixou de existir. Doenitz não demorou a perceber que agora poderia fazer inúmeras vítimas ao largo da costa ocidental americana, e as cifras de 500.000 toneladas postas a pique em fevereiro de 1942 e 700.000 em junho testemunham o sucesso dessa nova ofensiva. Em agosto de 1942, mais de trezentos submarinos estavam em serviço, e em novembro, apesar da introdução de aparelhos de radar de 10 centímetros e de equipamento HFDF (que podia localizar um submarino por transmissões de rádio), os Aliados sofreram a perda de 729.000 toneladas.

 

 

 

No começo de 1943, porém, os Aliados tinham finalmente desenvolvido o que se revelou ser um sistema de contra-ataque verdadeiramente eficaz e, o que talvez tenha sido mais importante, aviões Liberator de longuíssimo curso se tornaram disponíveis, afinal, para missões de escolta de longo alcance. Embora em março se tenham perdido 627.000 toneladas de embarcações, as cifras de abril e maio mostraram um progressivo e impressionante declínio. Em maio, Doenitz calculou que para cada três submarinos que tinha no mar, perdia um, e a 23 de maio, vendo que não resistiria a tais perdas por muito tempo, ordenou a seus submarinos que se retirassem do Atlântico Norte.

 

 

 

Embora a campanha continuasse até o fim da guerra, em junho de 1943 a construção de novos navios mercantes tinha finalmente superado as perdas, e a batalha estava ganha.

 

 

 

 

 

Luta na Itália – (1943 – 1945)

 

 

 

Vários fatores contribuíram para a decisão aliada de invadir a Sicília e a península italiana. Quiseram garantir suas comunicações no Mediterrâneo; formar um segundo front, conforme Stalin solicitava, que desviasse as forças alemães do front russo; e fazer pressão sobre os italianos e alemães, de modo que os preparativos para os planejados desembarques na Normandia pudessem ser completados.

 

 

 

Depois da vitória final na África do Norte, os americanos insistiram para que o desembarque na Normandia ocorresse o mais depressa possível, mas Churchill estava convencido de que uma rápida investida contra o que chamava de “o ponto fraco” da Europa poderia ter um efeito decisivo, e os planos para a campanha na Itália foram avante. O supremo comandante das operações era Eisenhower, com Alexandre como vice, enquanto os exércitos ingleses e americanos eram comandados por Montgomery e Patton, respectivamente.

 

 

 

A campanha acabou tendo êxito, embora atrasada e com conseqüências menos significativas do que as desejadas. Entre as razões do seu sucesso nas fases iniciais estavam o fato de Hitler e Mussolini terem enviado tropas em excesso para a África do Norte nos estágios finais da campanha do deserto e depois não as terem evacuado de volta para a Itália; a relutância de Mussolini em aceitar auxílio alemão para a defesa da Itália; e a própria extensão da linha costeira, indo da Grécia ao Atlântico, que Hitler tinha que defender.

 

 

 

As operações se iniciaram com um assalto na Sicília, a 9 de julho de 1943, realizado por tropas americanas e inglesas lançadas do ar. Infelizmente houve tempestades e o assalto foi dispersado, com muitos planadores carregados de tropas acabando no mar, mas essa natureza casualmente dispersa do ataque causou o feliz efeito de provocar confusão entre os defensores. O principal ataque marítimo começou no dia seguinte, 10 de julho. As forças britânicas comandadas por Montgomery desembarcaram na extremidade sudeste da Sicília, enquanto o exército americano de Patton desembarcava na costa sul, cerca de 32 km para oeste. A resistência italiana aos desembarques foi facilmente superada, e ambas as alas logo estavam avançando para o interior. Montgomery dirigiu-se para Messina. Patton, enquanto isso, fez seus homens contornar a costa oeste e depois rumar para leste, tomando Palermo. As tropas americanas foram as primeiras a entrar em Messina, a 17 de agosto, quando as forças remanescentes alemães e italianas já tinham atravessado o estreito, retirando-se para a península.

 

 

 

A queda da Sicília acabou pondo fim à vontade do povo italiano de continuar participando da guerra. Mussolini foi deposto por um golpe de Estado e seu regime fascista caiu instantaneamente. A 3 de setembro, dia em que o 8o Exército de Montgomery desembarcou na ponta da bota italiana, os italianos assinaram um armistício com os Aliados. Entretanto, os alemães estavam resolvidos a dar prosseguimento à luta e já havia tropas se movimentando para a Itália e para o sul, pois Hitler não deixara de prever o colapso da resistência italiana.

 

 

 

Os desembarques no sul da Itália, na ponta e no calcanhar da bota, depararam com pouca resistência. Tarento foi tomada a 9 de setembro, o valioso pôrto de Bari no dia 22, e as forças britânicas moveram-se firmemente, ainda que com lentidão, para o norte. Mas essa operação era diversionária, destinada a iludir os alemães, pois o desembarque principal deveria ocorrer em Salerno, na costa oeste, seguido de um avanço sobre Roma. A 9 de setembro, o General Mark Clark, comandando o 9o Exército, desembarcou em Salerno e encontrou uma resistência alemã tão forte que, numa determinada altura, começou a considerar a possibilidade de se retirar das praias. Os alemães não tinham sido enganados pelos desembarques no sul, e lutaram furiosamente para deter o estabelecimento de uma cabeça-de-ponte e subseqüentes incursões para o interior. Porém, ajudadas por uma barragem naval altamente eficaz efetuada por pesados canhões navais ao largo (incluindo os devastadores canhões de 381 mm dos navios de guerra britânicos Warspite e Valiant), as forças de Clark foram capazes de passar, e na primeira semana de outubro tinham atingido o rio Volturno, ao norte de Nápoles, que passou para as mãos dos Aliados. Aqui os alemães se detiveram algum tempo, antes de recuar para a linha Gustav, uma barreira defensiva ligeiramente mais para o norte, que o comandante alemão, Marechal-de-Campo Kesselring, erguera às pressas. A fortaleza nessa linha, que corria da costa oeste até leste, era Monte Cassino, guardando a vital Rodovia 6, que levava a Roma. Aqui o avanço aliado foi detido, e houve um embate que deveria durar até a primavera de 1944. Os Aliados desferiram assaltos a vários pontos da linha em novembro e dezembro, mas todos falharam, com pesadas perdas.

 

  

O próximo esforço de peso para desalojar os alemães de suas posições ocorreu em janeiro de 1944. No dia 12 desse mês foi desfechado um assalto importante contra a fortaleza de Cassino e outros pontos ao longo da linha Gustav; no dia 22 as forças aliadas fizeram um desembarque em Anzio, na costa oeste, atrás da linha Gustav. O plano era que os homens de Anzio atacassem Cassino pela retaguarda e ajudassem as forças provenientes do sul, que marchavam igualmente sobre Cassino, a atravessar a defesa. Entretanto, a manobra falhou. O ataque contra Cassino foi rechaçado e a força de Anzio, cercada pelos alemães, foi empurrada para trás, rumo ao mar, embora tenha dado um jeito para agüentar até a eventual tomada de Cassino, que ocorreria em maio.

 

 

 

A 11 de maio, após meses de preparativos, os Aliados desfecharam um ataque final contra a linha Gustav. O front não tinha menos que 21 quilômetros de largura, e essa tática pegou os alemães de surpresa. No dia 18, o regimento polonês capturou a fortaleza de Cassino e expulsou os defensores alemães do entulho a que fora reduzido o mosteiro em ruínas; no dia 23 os alemães abandonaram a linha Gustav. A tropa de Mark Clark em Anzio agora podia prosseguir da sua longamente defendida cabeça-de-ponte, e era intenção de Alexandre que essa tropa avançasse para leste, a fim de rodear as forças alemães que estavam deixando a linha Gustav. Clark, porém, tinha outras idéias. Separando apenas uma divisão para tentar o cerco, efetuou uma conversão para o norte, com quatro divisões, e dirigiu-se para Roma, onde seus homens entraram em 4 de junho, depois de Kesselring tê-la declarado cidade aberta, preferindo isso a vê-la destruída em combate.

 

 

 

Dois dias após a entrada em Roma, em 6 de junho, começou a invasão da Normandia. A campanha italiana tivera um êxito limitado no seu objetivo de tornar Hitler incapaz de organizar sua resistência no norte da França, e em si mesma só produziu resultados desapontadores.

 

 

 

Os fatos que se seguiram à captura de Roma não contribuíram em nada para diminuir o desapontamento dos Aliados. As forças de Kesselring defenderam cada centímetro do caminho por onde os Aliados avançaram, e embora Alexandre tivesse pretendido alcançar a próxima linha defensiva alemã, a linha Gótica, em 15 de agosto, sua ofensiva contra essa linha não foi aberta antes do dia 25. Fez-se um progresso muito lento, e após meses de luta, por volta do Natal de 1944, a ofensiva se exauriu. Os Aliados continuaram na defensiva a fim de organizar forças para uma investida maior na primavera. Essa investida ocorreu na metade de abril, e no final desse mês, com a linha rompida e a maior parte das forças alemães cercada, a resistência chegou ao fim. A 2 de maio de 1945 os alemães capitularam.

 

 

 

 

 

O Brasil na Guerra

 

 

 

No início do conflito o Brasil procurou ficar neutro, mantendo uma posição de equilíbrio entre as grandes potências, segundo a política externa de Getúlio Vargas. No entanto, com o ataque japonês a Pearl Harbor no final de 1941 e as pressões que vinha sofrendo por parte dos Aliados para que se definisse a seu favor, o governo brasileiro rompeu relações com o Eixo no começo de 1942. Em agosto desse ano, em vista do torpedeamento de cinco navios brasileiros por submarinos alemães, nosso governo decidiu, no dia 22, declarar-se em estado de beligerância contra a Alemanha e a Itália.

 

 

 

A 23 de novembro de 1943 foi então criada a Força Expedicionária Brasileira, englobando a recém-criada 1a Divisão Expedicionária e elementos do Corpo de Exército e dos Serviços Gerais, num total de 25.334 homens, comandados pelo General-de-Divisão João Baptista Mascarenhas de Morais.

 

 

 

Depois de meses de preparativos, os transportes para a Itália deram-se entre 2 de julho de 1944 e 8 de fevereiro de 1945. Juntamente com a FEB seguiu o 1o Grupo de Caças, esquadrão aéreo composto de 42 oficiais e pilotos e 400 homens de apoio, equipados com 28 aviões P-47 Thunderbolt.

 

 

 

Desembarcadas em Nápoles, as tropas brasileiras seguiram depois para a região de Pisa, na província de Toscana, centro-norte do país, onde iniciaram suas operações de guerra. Dali se concentraram na região dos Apeninos, entre os rios Arno e Pó (províncias de Toscana e Emília), estendendo-se as operações, mais tarde, até o Piemonte, no norte da península.

 

 

 

A 5 de agosto de 1944 o 1o escalão da FEB é incorporado ao 5o Exército americano, comandado pelo General Mark Clark. Decidiu-se que a nossa Força Expedicionária (Grupamento Tático) ficaria agregrada ao 4o Corpo de Exército, com exceção do Q-G Divisionário, ficando o comando do grupamento, do General Zenóbio da Costa, subordinado ao daquele Corpo de Exército a 13 de setembro de 1944.

 

 

 

Em 16 de setembro o Destacamento da FEB (Grupamento Tático) deslocou-se de Vada a Vecchiano, tomando posse da linha Monte Comunale-Il Monte. Aí se dão as primeiras vitórias brasileiras, com a ocupação de Massarosa e Bozzano. A 18 o General Zenóbio decidiu ocupar Camaiore. Dali lançou-se todo o contingente à conquista das elevações que dominam a rodovia La Rena-Gattoria. Assim conseguiu o destacamento cerrar os prováveis postos avançados do sistema defensivo dos Apeninos, a linha Gótica. A 26 de setembro o General Zenóbio, num avanço de 18 km, resolve atacar as posições inimigas em Monte Prano.

 

 

 

Em 28 de setembro o 4o Corpo de Exército ordena ao General Zenóbio que prossiga até Castelnuovo di Garfagnana, pelo vale do rio Sachio. Porém, com a ocupação das localidades de Fornaci e Coreglia Antelminelli e a captura de uma fábrica de munições e acessórios para aviões, aquela ordem foi suspensa.

 

 

 

Em outubro de 1944 o General Dutra visita o teatro de operações da Itália e recebe a direção temporária do 6o Corpo de Exército Provisional, composto do Destacamento FEB e de um grupamento tático americano, a Task Force 45.

 

 

 

A 30 de outubro os brasileiros conquistaram La Rochette, Lama di Sotto, Lama de Sopra, Prodescello, Pian de los Rios, Colle e o monte San Quirico. Esse avanço encerra a primeira parte da operação relativa a Castelnuovo de Garfagnana, chegando-se a 4 quilômetros da posição inimiga.

 

 

 

Nesse mesmo dia o General Mark Clark reúne todos os comandantes de tropas em seu QG de Passo de la Futa. Então, a 1a Divisão de Infantaria Expedicionária é incorporada ao 4o Corpo de Exército, substituindo os exaustos elementos da 1a Divisão Blindada americana.

 

 

 

No dia 21 de fevereiro de 1945, depois de uma série de marchas e contramarchas, com vitórias parciais e derrotas, a 10a Divisão de Montanha, recentemente chegada, apoderou-se de Monte Belvedere, ao passo que a 1a DIE lançava nova investida sobre Monte Castelo, capturando-o. Aos poucos, a 10a Divisão de Montanha conquista o monte Della Toraccia, graças à tomada de La Serra pela 1a DIE. A 5 de março de 1945 são conquistados , por fim, os montes Della Castellana e de Castelnuovo, possibilitando a abertura da estrada Porreta Terme-Marano ao tráfego aliado.

 

 

 

Tendo em vista completar a ruptura da linha inimiga a oeste do rio Reno, em 16 de abril a 10a Divisão e a 1a Divisão Blindada apoderam-se das regiões de Vergato e Tole, chegando ao vale do Pó. No dia 21 as tropas brasileiras apoderam-se ainda de Montese e depois Montello e Zocca. A partir daí coube ao 4o Corpo de Exército cerrar sobre o vale do Pó. Em 28 de abril os brasileiros intimaram a 148a Divisão de Infantaria alemã a se render em Fornovo, aprisionando 14.779 soldados inimigos.

 

 

 

No fim de abril, com os Aliados rompendo todas as linhas inimigas, vem a derrocada final dos alemães na Itália. A 1a DIE ocupa então as localidades de Piacenza e Alessandria, enquanto a 1a Divisão Blindada toma Novara e segue para Turim, onde o 75o Corpo de Exército alemão, comandado pelo General Joseph Pemsel, se rende. A última etapa da jornada, a 2 de maio, culminou na ligação do Grupamento 11, brasileiro, com a 27a DI francesa em Susa, próximo à fronteira francesa.

 

 

 

Em 29 de abril chegavam emissários dos generais alemães Vietinghoff-Scheel e Wolff, levando os termos da rendição. Finalmente, a 2 de maio de 1945, em Florença, é assinada a capitulação incondicional dos alemães pelo General von Senger und Etterlin e o General Mark Clark.

 

A Retirada na Rússia

 

 

 

O inverno de 1941 viu as forças de Hitler fora de Moscou e seu avanço na Rússia, vacilante. Foi quando planejou uma nova ofensiva para a primavera de 1942. Ao norte investiria novamente contra Leningrado, mas a ofensiva principal ocorreria ao sul, onde era necessário garantir os campos de petróleo do Cáucaso para abastecer de combustível o esforço de guerra da Alemanha. Essa investida deveria ser acompanhada e protegida por uma manobra de contornamento a sudeste, rumo a Stalingrado, a qual, se bem sucedida, isolaria as forças russas que rumavam para o Cáucaso.

 

 

 

Quem atacou primeiro, porém, foram os russos. A 12 de maio de 1942, uma grande força russa avançou para Karkov, mas o assalto foi vencido. No fim do mês, o General Timoshenko e 240.000 homens tinham sido aprisionados. Com os russos vacilantes, o 1o Exército Panzer de Kleist irrompeu pelo corredor Don-Donets em junho e, avançando, tomou a cidade-chave de Rostov, cortando o fornecimento de petróleo caucasiano dos russos. As forças de Kleist em seguida abalaram para o sul, mas pouco depois a falta de combustível e a região montanhosa retardaram o avanço, que foi detido em outubro.

 

 

 

Enquanto isso o General von Paulus e o 6o Exército alemão, marchando pelo corredor Don-Donets abaixo, tinham alcançado a curva do Don perto de Kalach, a apenas 64 km de Stalingrado, em 28 de julho. A 23 de agosto o ataque a Stalingrado, que acabaria por anunciar o fracasso do avanço alemão sobre a Rússia, foi desferido. Tomou a forma de um movimento de pinça, realizado pelo 6o Exército, do nordeste da cidade, e pelo 4o Exército, do sudoeste. Entretanto, os defensores mantiveram os dois braços da pinça bem separados, e os alemães responderam com um ataque direto do oeste. Essa combinação produziu um front semicircular, que gradualmente começou a convergir sobre a cidade, tornando-se cada vez mais apertado. Os russos estavam lutando de costas para o Volga, ali com 3,6 km de largura, e determinados a não ceder terreno. Os alemães lançaram ataque após ataque, mas quando o front se estreitou, ficou mais fácil para os russos enfrentar um assalto vindo de qualquer direção. Enquanto isso, o inexorável esforço alemão para executar o ataque exauria as reservas de homens e de máquinas da Alemanha, o que tornava suas forças de contornamento gradativamente mais fracas.

 

 

 

Em setembro a luta atingiu os subúrbios. A cidade fora reduzida a escombros pelo bombardeio alemão, mas seus habitantes e soldados não cediam. Construíram barricadas improvisadas nas ruas cobertas de destroços e puseram sentinelas nas casas em ruínas. Nos árduos combates de rua que se seguiram, os alemães se viram medindo em centímetros o progresso do seu avanço. O ataque a Stalingrado tornara-se uma batalha de desgaste, de pesadelo, mas era evidente que os defensores russos estavam perdendo terreno. Fazia-se necessário um contra-golpe, que logo ocorreu.

 

 

 

Nos dias 19 e 20 de novembro de 1942, duas colunas russas rumaram para oeste, partindo do norte e do sul da cidade, depois viraram para dentro, cercando hábil e completamente o exausto exército de von Paulus. Esse movimento clássico, planejado pelos generais Zukov, Vassilievski e Voronov, foi executado em 23 de novembro, acompanhado de um amplo cerco a oeste, visando a aparar qualquer possível investida alemã com a finalidade de socorrer o exército encurralado. O apelo que von Paulus dirigiu a Hitler, solicitando permissão para tentar uma retirada da cidade, foi sumariamente rejeitado, mas Manstein recebeu instruções para preparar uma operação de socorro. Na metade de dezembro, o exército do Don, de Manstein, apressadamente reunido, moveu-se do sul numa tentativa de se juntar ao 6o Exército de von Paulus, e penetrou a até 50 km do seu objetivo, mas foi forçado a parar pelos russos.

 

 

 

O destino do 6o Exército estava selado, agora, e uma vasta contra-ofensiva russa tomou corpo. Perdendo a supremacia, as forças alemães de repente se puseram em retirada. Os russos varreram-nas do corredor Don-Donets, ameaçando dividi-las no Cáucaso. Numa corrida desesperada para escapar antes que a passagem se fechasse, as tropas alemães se precipitaram do Cáucaso por Rostov, fugindo no final de janeiro de 1943, quando a porta fechava-se atrás deles

 

 

 

A 10 de janeiro os russos tinham desferido um maciço ataque de cerco contra o exército encurralado em Stalingrado, e finalmente, no dia 31, apesar das instruções de Hitler no sentido de lutarem até a morte, Von Paulus capitulou. Seguindo a precipitada retirada do Cáucaso, a rendição em Stalingrado, quando 92.000 alemães se entregaram, reduziu a pedaços as ambições da Alemanha na Rússia, enquanto para o povo alemão o nome de Stalingrado passava a simbolizar ruína e insensatez. Ao norte, igualmente, a Alemanha sofreu um revés, e Hitler, um golpe em seu orgulho, quando as forças russas finalmente conseguiram abrir uma brecha no cerco alemão a Leningrado e levar suprimentos à cidade assediada, embora mais um ano devesse passar antes que o cerco fosse finalmente rompido.

 

 

 

Fevereiro de 1943 viu a continuação das ofensivas russas em diferentes pontos do setor sul, culminando com uma arremetida ao sul, no final do mês. Isso representou outra tentativa de separar as forças alemães no sul, mas um contragolpe dos alemães restabeleceu parcialmente a sua posição; em seguida houve uma pausa de três meses. Durante esse período Hitler se concentrou em organizar e reparar seu exército, preparando-se para uma nova ofensiva.

 

 

 

Ele tinha poucas dúvidas quanto ao que seria o objetivo; na realidade, esse objetivo, o convidativo bojo da saliência de Kursk, era tão óbvio para os russos quanto para ele. Planejou atacar a saliência e cercar as forças russas que lá se encontravam com outro envolvimento clássico pelo exército de Manstein vindo do norte e de Von Kluge vindo do sul.

 

 

 

A operação iniciou-se em 5 de julho, mas nenhuma das duas alas atacantes foi capaz de realizar uma penetração decisiva. Os russos haviam espalhado minas em profusão pelo caminho e estabelecido fortes posições de defesa em antecipação aos movimentos de Hitler. Depois de uma semana, tornou-se claro para Manstein e Von Kluge que suas perdas iam num ritmo que não podiam acompanhar, e Von Kluge começou a recuar. Os russos então desferiram uma investida à saliência adjacente do Orel, dominada pelos alemães, em 12 de julho, forçando os alemães para trás. As forças em retirada resistiram por todo o caminho e, quando tentaram firmar-se em posições a leste do Dnieper, sua linha de frente se tornara tão delgada devido às perdas na luta contínua, que fracassaram. Tivessem conduzido uma rápida retirada após o colapso de suas posições em torno do Orel, e teriam sido capazes de se entrincheirar a leste do Dnieper e deter o avanço russo.

 

 

 

Em 6 de novembro os alemães perderam Kiev, e no inverno e na primavera seguintes o avanço russo foi acelerado tanto no setor sul quanto no norte. Em janeiro de 1944 Leningrado foi libertada; em abril chegou a vez da Criméia. Em junho os russos desencadearam uma ofensiva com 166 divisões ao norte dos pântanos do Pripet, cronometradas para coincidir com a invasão da Normandia e assim provocar uma pressão máxima em todos os fronts. Num movimento de pinças, em Minsk, que representava uma barreira vital e um importante centro de comunicações, 100.000 alemães foram encurralados.

 

 

 

Em agosto as forças russas atingiram o Vístula. Avançaram tanto e tão depressa, que suas comunicações e linhas de abastecimento se tornaram praticamente intermitentes, permitindo que os alemães se reagrupassem. No fim de agosto as tropas russas no setor sul atravessaram a Romênia, encurralando o 6o Exército alemão, que perdeu vinte divisões. Em seguida lançaram suas divisões motorizadas sobre a Europa oriental, alcançando Budapeste em novembro, onde foram detidas por tropas alemães e húngaras.

 

 

 

No final de 1944, a linha de frente russa se estendia da fronteira oriental da Prússia Oriental, via Varsóvia e Budapeste, até o lago Balaton. Em janeiro de 1945 desferiram uma nova ofensiva que rompeu a linha em todos os setores, e no fim de fevereiro, os exércitos russos do centro haviam alcançado a linha Oder-Neisse, dentro da Alemanha, onde os alemães, à custa de suas defesas ocidentais, conseguiram detê-los. O fim não estava muito longe.

 

 

 

 

 

A Normandia e a Libertação da França

 

 

 

Quando conferenciaram em Teerã, em novembro de 1943, Churchill, Roosevelt e Stalin, se puseram de acordo quanto ao ritmo da invasão da França. Stalin, que continuava duvidando da validade da campanha aliada na Itália como um segundo front que pleiteava há tanto tempo: pressão de oeste sobre os alemães, para se somar à que, desde a vitória de seus exércitos em Stalingrado, ele vinha exercendo inexoravelmente. Para os aliados, igualmente, a invasão da França representava o coroamento dos esforços para esmagar a Alemanha de Hitler, para o que a campanha da Itália lhes dera tempo de fazer os planos, ao mesmo tempo em que desviava e consumia os recursos de Hitler.

 

 

 

Hitler, de seu lado, não deixara de antecipar a probabilidade de uma invasão da França, e havia destacado Rommel para defender a costa desde a Holanda até a Bretanha. Von Rundstedt, na qualidade de comandante supremo na França, controlaria as operações e manteria reservas móveis na retaguarda de Rommel. Armadilhas para tanques, casamatas e outras fortificações foram erguidas ao longo da costa, formando a “muralha do Atlântico”, mas os preparativos de Hitler foram obstruídos pela falta de informações quanto ao local onde ocorreria o impacto.

 

 

 

Na noite de 5 para 6 de junho, três divisões aliadas foram lançadas do ar sobre a Normandia: duas americanas, na base localizada na península de Cotentin, e uma britânica, mais para leste, perto de Caen. Sua missão era garantir as pontes e outros pontos vitais de comunicação atrás da linha costeira, a fim de retardar a chegada de reforços da Alemanha. Os alemães estavam completamente despreparados para essa manobra: primeiro, o tempo estava tão tempestuoso, que consideraram impossível um ataque; depois, haviam esperado desembarques na área de Calais-Dieppe (onde se encontravam as bases de lançamento das bombas V); e finalmente, nenhum dos comandantes alemães veteranos na área estava disponível. Essa combinação de circunstâncias significava que, no conjunto, a invasão da Normandia contava com um bom início. Depois de atingidos os objetivos dos pára-quedistas, 150.000 homens, transportados por 2.700 embarcações, começaram imediatamente a desembarcar, apoiados por um pesado bombardeio aéreo e naval. Os desembarques nas cinco praias escolhidas foram realizados com diferentes níveis de dificuldade: das duas praias americanas, a oeste, Utah apresentou um quadro mais feliz, e uma cabeça-de-ponte logo foi estabelecida com êxito; mas em Omaha a coisa foi diferente. Muitos dos tanques anfíbios afundaram antes de alcançar a praia; as forças germânicas na área eram fortes o suficiente para resistir; e houve um sério congestionamento na praia, além de dificuldade de movimento e manobra. Nas praias inglesas e canadenses, mais para leste – Gold, Juno e Sword – os desembarques ocorreram com facilidade, auxiliados por estratagemas como tanques equipados com manguais rotativos para abrir uma trilha através dos campos minados.

 

 

 

Com exceção da luta em Omaha, os alemães não opuseram nenhum contra-ataque real. Tinham muito poucos homens na região, muito poucos tanques, e a Luftwaffe foi completamente dominada pela RAF. Rommel sempre defendera o esmagamento de qualquer invasão às praias antes que os invasores pudessem ganhar um ponto de apoio, mas Von Rundstedt não concordava. De qualquer modo, seus superiores no Estado-Maior de Hitler persistiam na crença de que os desembarques na Normandia eram um engodo, e que a invasão principal deveria ser esperada em outro lugar qualquer. Assim, as tropas foram detidas.

 

 

 

Nessas condições, as forças invasoras logo estabeleceram um firme ponto de apoio, e homens e máquinas continuaram a ser despejados na área. Depois de vinte dias, mais de 1 milhão de homens estavam em terra firme, e construíram portos artificiais para facilitar o descarregamento das enormes quantidades de provisões. Esses portos eram de dois tipos: os Groselha, feitos com alinhamentos de navios mercantes afundados; e os Amora, feitos com enormes pilastras de concreto pré-fabricado que eram rebocadas até o ponto certo e depois afundadas. Além disso, um oleoduto flexível, conhecido como Plutão, foi estendido ao longo da Mancha, para garantir um fornecimento constante de combustível.

 

 

 

Logo os exércitos começaram a avançar para o interior. Patton e o 3o Exército americano marcharam para o sul, através de St. Lo; depois a tropa se dividiu, uma ala marchando para sudoeste, rumo à Bretanha, a fim de desobstruir a área de possíveis forças alemãs, e a outra marchando para o sul e para leste, em direção de Paris. Enquanto isso os ingleses e canadenses eram detidos pelos alemães nas cercanias de Caen. Hitler viu nessa situação uma oportunidade para dividir ao meio as forças invasoras investindo através dos Avranches, na costa oeste, e assim separar o exército de Patton das forças aliadas ao norte. Mas esse contra-ataque realizado por quatro divisões Panzer foi contido, e em pouco tempo se transformou numa retumbante derrota. Patton seguiu para o norte, e os canadenses avançaram para o sul, visando a pegar os alemães pela retaguarda, mas, encontrando forte resistência, não puderam avançar tanto quanto o exército de Patton, o qual recebeu ordem de parar. Relutante, ele obedeceu, mas isso fez falhar o cerco pretendido. De qualquer modo, as tropas alemães em Falaise sofreram um terrível ataque e, embora uma parte dos efetivos tenha conseguido recuar para Paris, 50.000 homens foram feitos prisioneiros.

 

 

 

Em 19 de agosto as forças francesas de resistência levantaram-se contra os alemães em Paris, e no dia 25, depois da rendição do comandante alemão, o General de Gaulle proclamava a libertação da cidade, desfilando pela Avenue des Champs Élysées. A primeira ala das forças aliadas a entrar na cidade fora a França Livre, comandada pelo General Leclerc, chegando para apoiar os combatentes clandestinos.

  

 

Nesse meio tempo, os exércitos aliados estavam disparando através da França num vasto front, com o 21o Grupamento de Montgomery avançando ao longo da costa norte, tomando Le Havre, Boulogne, Calais e Dunquerque, e o 3o Exército de Patton rumando para leste, pelo centro. Montgomery defendia uma única investida concentrada no centro industrial alemão no norte, o Ruhr; Patton queria seguir para o Reno, ao sul de Frankfurt. O combustível e o transporte eram insuficientes para as duas operações. Eisenhower foi colocado face a uma traiçoeira decisão: que procedimento, ou que combinação de procedimentos, derrotaria mais depressa a Alemanha? Assumiu o risco: Montgomery poderia ter a parte do leão nos combustíveis até garantir a Bélgica e, portanto, o acesso à Alemanha. Então o impulso do leste, ao norte e ao sul das Ardennes, seria retomado. Patton, contrariado, anunciou sua intenção de prosseguir até que seus veículos ficassem sem combustível, o que aconteceu no Meuse em 31 de agosto. No dia 3 de setembro as forças de Montgomery tomaram Bruxelas e, no dia seguinte, Antuérpia. Patton então recebeu sua cota de combustível, mas a pausa em seu avanço dera tempo aos alemães para organizar alguma oposição, e os americanos foram obrigados a parar.

 

 

 

O estágio seguinte das operações de Montgomery no norte iniciou-se em 17 de setembro, quando ocorreram desembarques aéreos visando a garantir a ponte sobre o Reno, em Arnhem, e as pontes sobre o Maas e o Waal, em Eindhoven e Nijmegen. Os pára-quedistas em Eindhoven e Nijmegen atingiram com êxito os objetivos, mas os ingleses em Arnhem saíram-se pessimamente. O 2o Exército britânico, que deveria marchar para o norte a fim de se juntar a eles, foi detido, e após nove dias de luta contínua, sem qualquer apoio, os pára-quedistas que escaparam à morte, aos ferimentos ou à captura, recuaram. Dos 10.000 homens lançados, apenas 2.000 retornaram.

 

 

 

Nessa altura o avanço falhara em todos os fronts. Os alemães estiveram o tempo todo organizando e engrossando uma linha defensiva, e nem uma ofensiva aliada conjunta chegou a fazer grandes progressos. A contra-ofensiva de Hitler no final do ano deveria manter os Aliados na baía ainda algum tempo.

 

 

 

 

 

A Reconquista do Pacífico

 

 

 

O mês de dezembro de 1941 vira o ataque japonês a Pearl Harbor, e os meses seguintes testemunharam a rápida expansão do poder japonês no Pacífico e no sudeste asiático. Mas os americanos esperaram até abril de 1942 para revidar o ataque. A 18 de abril, 18 Mitchell B-52 decolaram de porta-aviões no Pacífico e lançaram suas bombas sobre Tóquio. Esse feito, o ataque a Tóquio, deu aos americanos um estímulo considerável e induziu o alto comando japonês a procurar meios de destruir a frota americana, de modo que o ataque não se repetisse. Resolveram atacar a ilha de Midway, numa manobra que, pensaram eles, levaria os americanos a se arrepender da façanha, pois a presença japonesa em Midway punha em risco a base americana no Havaí. O ataque a Midway seria um diversionamento que esperavam conciliar com êxito a uma investida maior a sudeste, através das Ilhas Salomão. Visavam de fato a interromper o tráfego marítimo entre os Estados Unidos e a Austrália, que estava sendo usada como base para a organização de forças aliadas no Pacífico e como trampolim para operações ofensivas. As forças americanas no sudoeste do Pacífico eram comandadas pelo General Douglas MacArthur, enquanto o Almirante Chester Nimitz era o responsável pelo oceano Pacífico.

 

 

 

O primeiro grande confronto resultante da estratégia japonesa foi a Batalha do Mar de Coral, ocorrida em 8 de maio de 1942. Os americanos tinham ouvido rumores dos planos japoneses e Nimitz enviara todos os aviões disponíveis para o sul, a fim de impedir as invasões japonesas. Seus navios de guerra tinham sido afundados em Pearl Harbor, mas ele conseguiu reunir os porta-aviões Yorktown e Lexington com uma força de cruzadores. Os japoneses puseram em campo dois porta-aviões, junto com cruzadores e destróieres. Em termos de aviões e navios, os adversários estavam praticamente à altura um do outro. Na batalha aérea que se seguiu, a primeira em que os navios de um dos oponentes não viram os do outro, um porta-aviões japonês, o Shokaku, foi forçado a se retirar devido aos danos que sofreu, enquanto o Lexington foi posto a pique. No fim do dia, ambas as partes retrocederam, sem que houvesse um resultado decisivo, mas os japoneses haviam perdido mais aviões do que os americanos, e seus planos de atacar e tomar a cidade-chave de Port Moresby, na Nova Guiné, foram contrariados.

 

 

 

Para o ataque seguinte, na ilha de Midway, o Almirante Yamamoto reuniu quase toda a Marinha Japonesa, mais uma força de invasão. Ele próprio zarpou no novo navio de guerra gigante do Japão, o Yamato, de 73.000 toneladas, com nove canhões de 457 mm. A força naval americana que veio para enfrentá-lo contava apenas com 76 navios, incluindo os porta-aviões Enterprise, Hornet e Yorktown (reparado às pressas depois de ser avariado no conflito do Mar de Coral), contra os 200 de Yamamoto.

 

 

 

No dia 4 de junho, os japoneses desferiram uma investida aérea contra Midway, sem perceber que a frota americana estava se aproximando. Como esse primeiro ataque foi considerado insuficiente, os torpedo-bombardeiros esperando por instruções nos porta-aviões para atacar os navios americanos trocaram seus torpedos por bombas. Foi só então que o comandante dos porta-aviões, o Almirante Nagumo, recebeu notícia da aproximação da força americana. Com seus torpedo-bombardeiros equipados com bombas e muitos de seus aviões de combate ausentes em missão de patrulhamento, sua posição era fraca. Entretanto, quando as três primeiras levas de aviões americanos chegaram, sofreram perdas tão devastadoras, causadas pelo fogo antiaéreo e pelos aviões de combate, que Nagumo sentiu que levara vantagem.

 

 

 

Sua confiança, porém, foi efêmera. Poucos minutos depois, 37 bombardeiros de mergulho americanos atacaram. Três dos porta-aviões japoneses – Akagi, Kaga e Soryu – foram liquidados, enquanto o quarto, Hiryu, afundaria mais tarde, depois de atingir o Yorktown tão seriamente que este precisou ser abandonado.

 

 

 

Para os japoneses o revés foi considerável. Perderam quatro porta-aviões e 330 aviões. Foi a vez de os americanos levarem vantagem e ganharem uma valiosa pausa para retomar fôlego.

 

 

 

O avanço japonês no sudoeste do Pacífico foi retardado, mas ainda estavam fazendo progressos nas Ilhas Salomão e, apesar do contratempo no Mar de Coral, que frustrou seus planos para uma incursão marítima contra Port Moresby, continuaram a ameaçar a posição aliada na Nova Guiné. Em 21 de julho de 1942 uma tropa japonesa desembarcou perto de Buna, na costa norte da península de Papua, na Nova Guiné, com ordens de marchar por terra sobre Port Moresby, na costa sul. Embora o terreno fosse difícil e montanhoso, tomaram Kokoda, a meio caminho da península, e empurraram os defensores australianos para até 21 km de Port Moresby antes de serem detidos. MacArthur logo reuniu reforços americanos e australianos e em breve os japoneses estavam em retirada. A 2 de novembro, tropas australianas reocuparam Kokoda, e a 21 de janeiro de 1943 a resistência japonesa se esgotou perto de Buna, de onde a ofensiva fôra desfechada.

 

 

 

Enquanto prosseguia a luta por Port Moresby, outra guerra assolava a ilha de Guadalcanal, nas Ilhas Salomão. Depois de seu sucesso em Midway, os americanos resolveram passar à ofensiva no sudoeste do Pacífico, e estavam preparando os planos para o restabelecimento da posição aliada quando aviões de reconhecimento comunicaram, em 5 de julho de 1942, que forças japonesas se haviam movido da ilha de Tulagi rumo a Guadalcanal, onde haviam começado a trabalhar num campo de pouso. Isso representaria uma futura ameaça de bombardeiros japoneses, percebeu o comando aliado, e a captura de Guadalcanal instantaneamente adquiriu caráter de prioridade. No dia 7 de agosto, marinheiros americanos desembarcaram na ilha, para encontrar o campo de pouso quase pronto e os japoneses escondidos na selva. Enquanto isso, em Tulagi, a guarnição japonesa era liquidada.

 

 

 

Apesar do sucesso americano inicial, os japoneses não demoraram a pagar na mesma moeda. Em 9 de agosto uma força naval comandada pelo Almirante Mikawa, compreendendo cinco cruzadores pesados, dois leves e um destróier, insinuou-se pelo Slot (a estreita passagem entre as duas cadeias das Ilhas Salomão), afundou quatro cruzadores pesados e inutilizou um quinto. Esse desastroso ataque obrigou a força naval americana remanescente a recuar, deixando incompleta a missão de desembarcar suprimentos em Guadalcanal. Os homens na ilha ficaram isolados, e tivessem os japoneses decidido capitalizar essa vantagem recém-obtida, poderiam ter feito uma devastação. Mas cometeram o erro de subestimar a força das tropas americanas em Guadalcanal (contando então cerca de 11.000 homens), e ao invés de enviar uma poderosa tropa para liquidá-las, enviaram apenas 1.500 homens, que foram destroçados ao desembarcar.

 

 

 

Quando despacharam a remessa seguinte, de 2.000 homens, prepararam uma armadilha para a frota americana. O pequeno porta-aviões Ryujo e os navios transportando os homens deveriam servir de isca para atrair a frota americana, como em Midway, Enquanto atrás deles navegariam dois navios de guerra e dois porta-aviões de esquadra. Felizmente o serviço de inteligência americano advertira do plano o Almirante Ghormley, comandante das forças na área, que já estava à espera dos japoneses quando chegaram. Nessa batalha, a das Salomão orientais, em 24 de agosto, os japoneses perderam o Ryujo e 70 aviões, enquanto o porta-aviões americano Enterprise sofreu avarias. Mas o confronto terminou empatado e, à noite, ambas as partes se retiraram.

 

 

 

Depois disso houve um período de calma, mas os japoneses foram pouco a pouco despejando homens em Guadalcanal a bordo de destróieres, cuja passagem periódica fez que merecessem o apelido de “Expresso de Tóquio”. No começo de outubro tinham 22.000 homens na ilha, e na metade do mês o campo de pouso conhecido como Henderson Field foi repetidamente atacado, sendo destruído um grande número de aviões americanos. A violenta luta que assolava a região desde a metade do verão, em condições de opressivo calor e umidade, estava começando a cobrar ser preço, mas quando os japoneses desferiram uma ofensiva maior, a 24 de outubro, os americanos, sofrendo pequenas perdas, conseguiram rechaçá-los, impingindo-lhes pesadas baixas.

 

 

 

Enquanto isso Yamamoto se movia com uma grande frota, esperando encontrar Henderson Field nas mãos dos japoneses. No confronto que se seguiu, em 26 de outubro, a Batalha das Ilhas de Santa Cruz, o porta-aviões americano Hornet foi afundado e o Enterprise novamente avariado. Dois porta-aviões japoneses foram

  

 

danificados, mas sua perda maior foi em aviões, 70 ao todo. Suas perdas aéreas estavam atingindo um índice com que não podiam arcar, enquanto o poder aéreo americano estava sendo aumentado.

 

 

 

Entretanto, os japoneses tentaram de novo, em dois conflitos navais consecutivos, que ocorreram entre 13 e 15 de novembro. Houve perdas de ambos os lados, mas as japonesas foram mais sérias. De um destacamento de 11.000 homens enviados para reforçar as tropas de Guadalcanal, apenas 4.000 foram desembarcadas.

 

 

 

Em terra os americanos haviam tomado a ofensiva. Os reforços e suprimentos japoneses não estavam conseguindo passar, as tropas estavam sob regime de redução de rações, mas continuavam lutando inflexivelmente. Em janeiro de 1943, porém, o comandante japonês percebeu que o fim estava próximo. Entre os dias 1o e 7 de fevereiro, as forças de Guadalcanal foram evacuadas, deixando os americanos como senhores da ilha.

 

 

 

Com Guadalcanal garantida, os Aliados podiam fazer face à tarefa de se apoderar do resto das Ilhas Salomão e da grande base japonesa em Rabaul, na Nova Bretanha. Propôs-se um ataque a Rabaul partindo de duas direções, com MacArthur e o sucessor de Ghormley, o Almirante Halsey, trabalhando juntos. MacArthur deveria garantir as ilhas Trobiand, a área de Lae-Salamaua, na Nova Guiné, e a ponta ocidental da Nova Bretanha (Rabaul ficava na ponta oriental). Halsey, por sua vez, se ocuparia do resto das Salomão e de Bougainville, que serviria de bom trampolim para um assalto à Nova Bretanha.

 

 

 

No final de junho de 1943 a operação conjunta foi desencadeada. As ilhas Trobriand foram tomadas com facilidade e, na metade de setembro, depois de alguma dificuldade, o objetivo de Lae- Salamaua era atingido. Uma brava resistência foi encontrada nas Salomão, mas pelo meio de agosto Nova Geórgia fôra garantida, fornecendo uma base para vôos sobre Bougainville. Até então a campanha levara mais tempo do que o esperado, e o custo em vidas humanas e material fôra alto demais: era necessário reconsiderar, se não se quisesse que a campanha se arrastasse indefinidamente. Pensou-se num plano. Os Aliados podiam saltar por sobre as posições japonesas mais fortemente defendidas e, isolando-as, neutralizá-las. A estratégia seria essa, mas enquanto isso, em novembro de 1943, dariam continuidade aos desembarques previstos em Bougainville.

 

 

 

Os japoneses viam uma presença americana em Bougainville como uma séria ameaça à sua importante base em Rabaul, e enviaram uma unidade naval para impedir os desembarques, a qual, no entanto, seria derrotada pela frota americana do Almirante Spruance. Nesse meio tempo, em Bougainville, Halsey estava tentando estabelecer uma posição suficientemente grande para acomodar o campo de pouso que estava nos planos, mas havia 55.000 soldados japoneses na ilha e os esforços de Halsey para aumentar a área dominada pelos americanos depararam com forte resistência. De qualquer modo, no final do ano tinham obtido êxito.

 

 

 

O movimento seguinte deveria ter sido contra Rabaul, mas resolveu-se isolá-la ao invés de atacá-la, particularmente porque as vitórias americanas em outros lugares haviam reduzido sua ameaça potencial. Assim, em vez de atacá-la, constituiriam um campo de pouso na ponta ocidental da Nova Bretanha, a fim de desferir uma última ofensiva contra as forças japonesas. Esse plano foi avante, o campo de pouso, construído, e no final de 1944 os Aliados haviam estabelecido uma posição dominante na Nova Guiné, com os japoneses em retirada.

 

 

 

Com todos esses objetivos atingidos, com as Ilhas do Almirantado, Marshall e Gilbert igualmente cercadas, e com Rabaul isolada, portanto neutralizada, os Aliados planejaram seu próximo movimento – um ataque nas Filipinas, o palco da derrota de 1941.

 

 

 

 

 

 

 

Birmânia: A Longa Estrada de Volta

 

 

 

Após a retirada para a Índia em 1942, a primeira tentativa britânica de desafiar a posição japonesa na Birmânia foi a ofensiva de Arakan, que durou de dezembro de 1942 a maio de 1943. Por várias razões, foi um sinistro fiasco: os ingleses tinham recursos inadequados para sustentar uma ofensiva prolongada ou para organizar uma que fosse suficientemente grande; o avanço prosseguiu com tanta lentidão que os japoneses tiveram tempo de sobra para enviar tropas para enfrentá-lo; e a confiança de Wavell em táticas frontais custou muitas vidas. O avanço moveu-se de Assam para o sul, e logo encontrou uma feroz resistência japonesa, mas Wavell resolveu manter a ofensiva, a duras penas. Em abril, o General Slim substituiu Wavell e, encontrando as tropas física e mentalmente exaustas, decidiu passar para a defensiva. Mas não conseguiu deter os japoneses e em maio foram empurrados de volta para a fronteira, até Assam. A ilha de Akyab, cujos campos de pouso tinham sido o objetivo dessa incursão para o interior, continuou nas mãos japonesas.

 

 

 

Enquanto a ofensiva de Arakan perdia a eficácia, atividades no norte geraram um raio de esperança, que, no entanto, também se extinguiu rapidamente. Em fevereiro de 1942, Wavell solicitara que o Brigadeiro Orde Wingate viesse se juntar a ele. Wingate conduzira operações de guerrilha contra os italianos na Etiópia, fôra bem sucedido, e Wavell acreditava que ele pudesse ser útil numa forma similar de atividade na Birmânia. Quis que Wingate criasse e treinasse grupos de penetração de longo alcance, que seriam usados para atacar as comunicações e os postos avançados do inimigo. Deveriam ser especialmente treinados para se igualar à habilidade dos soldados japoneses no combate na selva, e deveriam aprender técnicas de demolição e de comunicações por rádio. Quando estivessem em missão, atrás das linhas inimigas, seriam abastecidos pelo ar.

 

 

 

Em fevereiro de 1943 os Chindits, como foi denominada essa força especial, cruzaram o Chindwin em dois grupos. Movendo-se para leste, atacaram pontes, linhas ferroviárias e postos avançados japoneses, e na metade de março atravessaram o Irrawaddy. Os japoneses nesse meio tempo haviam despachado tropas para se ocupar desse estorvo destrutivo, e os Chindits, ameaçados pela superioridade de forças do inimigo, foram forçados a recuar, voltando para a Índia na metade de abril. A operação conseguira pouca coisa em matéria de vitórias estratégicas, mas provara que os japoneses não eram os únicos senhores da arte de guerrear na selva. Para os japoneses, demonstrou-se a inadequação do Chindwin como barreira, e isso contribuiu em parte para a sua decisão de avançar através da Índia no ano seguinte.

 

 

 

Os chefes aliados, em seguida, consideraram planos para o futuro. Um deles compreendia uma invasão de Rangum por mar, mas foi arquivado porque não havia recursos disponíveis para uma operação como essa. Os americanos estavam ansiosos por restabelecer suas comunicações terrestres com a China, de Mandalay, através da Estrada da Birmânia, de modo que as operações para a próxima estação seca (novembro de 1943 a maio de 1944) se concentrariam, como finalmente ficou decidido, no norte da Birmânia.

 

 

 

Em agosto, Lorde Louis Mountbatten foi designado chefe do recém-criado Comando do Sudeste Asiático, com o General Stilwell como vice, e a força aliada em terra e ar foi organizada como preparativo para a ofensiva. Os japoneses interpretaram corretamente a intenção dos Aliados e começaram, eles também, a traçar planos para um avanço através da fronteira, visando a assegurar a planície de Imphal e as passagens pelas montanhas de Assam, logisticamente importantes. Se bem-sucedida, a operação liquidaria os esquemas aliados de reconquista da Birmânia.

 

 

 

A ofensiva central britânica foi precedida, como estava previsto, por uma nova ofensiva contra Arakan e por um ataque dos Chindits. Em Arakan, no início de 1944, as tropas britânicas começaram a avançar para o sul, rumo à ilha de Akyab. Em fevereiro os japoneses desferiram sua ofensiva em Arakan, e o avanço britânico foi detido e depois liquidado com uma investida japonesa de oeste em direção à costa. As idéias táticas iniciais dos ingleses teriam recomendado uma retirada nessa altura, mas Slim desenvolvera um novo esquema segundo o qual a ala flanqueada recuaria para uma fortaleza estabelecida durante o avanço e permaneceria lá, com abastecimentos aéreos, até que reforços se movessem e pegassem o inimigo que estava fechando o cerco. Na prática viu-se agora que a tática funcionava, e os japoneses abandonaram a ofensiva.

 

  

Enquanto isso, a Operação Chindit teve início. Wingate tinha apoio de alto nível dos chefes aliados, e sua força fôra consideravelmente reforçada. Além disso, mudara de idéia quanto à função de seus Grupos de Penetração de Longo Alcance (LRP): nessa nova missão ele poria de lado o antigo método de atacar-e-correr, dando preferência a estabelecer posições avançadas e, com o auxílio de abastecimentos aéreos, firmar-se nelas e partir daí para conseguir vitórias. Assim sua expedição seria a ponta de lança da subseqüente arremetida para o sul, que viria atrás dele. Em 5 de março de 1944, os Chindits partiram, visando Irrawaddy, e logo estavam surpreendentemente próximos do objetivo. Embora inicialmente apanhados de surpresa, os japoneses rapidamente enviaram reforços para Indaw, e no dia 26 de março o ataque da 16a Brigada LRP a Indaw foi repelido. Wingate morrera num acidente de avião dois dias antes, mas mesmo antes da sua morte as operações dos vários grupos Chindits já haviam começado a falhar, e em abril os Chindits foram removidos para o norte, a fim de se reunirem a Stilwell.

 

 

 

Os esforços dos Chindits por trás das linhas não conseguiram romper a ofensiva japonesa, que irrompeu na metade de março. Compreendia duas investidas principais: uma em Imphal e a outra, um amplo movimento de contorno em Kohima. Com alguma dificuldade, devido ao fato de suas forças estarem largamente dispersas na época, os ingleses puderam organizar posições defensivas na planície de Imphal, mas não foram rápidos o suficiente para fortalecer a guarnição de 1.500 homens em Kohima, e para piorar as coisas os japoneses interceptaram a estrada entre Kohima e Imphal.

 

 

 

Por algum tempo a posição pareceu desanimadora, mas a 10 de maio, uma semana depois do ataque a Kohima, o General Slim ordenou uma contra-ofensiva, e no dia 18, após um combate violento, a guarnição de Kohima foi socorrida e os japoneses que a assediavam, expulsos. Houve uma luta feroz em torno de Imphal, também, mas os ingleses, superiores em homens e aviões, logo conseguiram o controle da situação. O comandante japonês, General Mutaguchi, recusou-se a permitir que suas tropas se retirassem, forçando-as a manter a ofensiva até muito tempo depois de toda esperança de vitória estar perdida. Conseqüentemente, as perdas japonesas ultrapassaram a cifra dos 50.000 homens, contra 17.000 do lado britânico.

 

 

 

O sucesso no episódio de Imphal-Kohima indicou aos Aliados que a fortificação japonesa na Birmânia estava no mínimo enfraquecida, mas não fôra rompida. Durante a estação chuvosa de 1944, os Aliados planejaram uma investida central, final, para o sul, em direção a Mandalay e Rangum. Em outubro a Operação Capital foi desencadeada. A força aliada fora consideravelmente aumentada, enquanto os japoneses não receberam quaisquer reforços, já que a prioridade, agora, estava sendo dada à contenção dos progressos americanos no sudoeste do Pacífico. Junto com a investida central veio outro avanço sobre Arakan, desta vez bem sucedido e resultando na captura da ilha de Akyab, com suas bases aéreas. Nesse meio tempo as forças chinesas de Stilwell avançaram para o sul, rumo ao flanco da Estrada da Birmânia, através do Myitkuima. A estrada foi desobstruída em abril de 1945.

 

 

 

Slim planejara dirigir-se para o sul e cercar os japoneses em retirada perto de Meiktila, e apesar de o inimigo se esforçar por romper o cerco o plano funcionou. O caminho para Rangum estava aberto, portanto, e os homens do General Messervy moveram-se rapidamente em direção à cidade, liquidando os japoneses remanescentes pelo caminho.

 

 

 

A 1o de maio a Operação Drácula, o assalto marítimo contra Rangum, foi desferido. Os japoneses já estavam evacuando a cidade, e as forças aliadas logo tomaram posse dela. No dia 6 encontraram-se com Messervy ao norte da capital. A ocupação da Birmânia chegara ao fim, e só restava a tarefa de limpar a área de japoneses remanescentes.

 

A Queda da Alemanha

 

 

 

Pelo final de 1944 o avanço aliado sobre a Alemanha fôra retardado. Apesar de uma ofensiva de porte na metade de novembro, ainda estavam a 50 km do setor vital do Reno, que incluía o Ruhr, o coração do esforço industrial de guerra da Alemanha. O bombardeio aliado, de noite e de dia, estava tornando cada vez mais difícil manter os níveis necessários de produção, mas a máquina de guerra de Hitler não pararia até que as fábricas do Ruhr fossem postas fora de ação.

 

 

 

Nos exércitos aliados havia um espírito de efervescente otimismo. A França e a Bélgica haviam sido libertadas com surpreendente facilidade. Para que a linha alemã se rompesse definitivamente, bastava apenas continuar mantendo a pressão.

 

 

 

Houve alguma consternação, portanto, quando as forças alemães irromperam nas Ardennes, a 16 de dezembro. O que estava acontecendo? Aquilo era um gesto de desafio ou uma ofensiva de porte? Quando os aliados os detiveram, os alemães haviam cavado uma brecha de 105 km de profundidade no território sob domínio aliado.

 

 

 

Hitler estivera planejando uma contra-ofensiva durante meses. Havia reunido e reequipado suas últimas reservas de homens e blindados para um esquema que ele próprio idealizara integralmente e que planejara até o último detalhe. Mesmo os generais que escolheu para executar suas últimas ordens só puderam fazer ligeiras modificações e, ainda assim, só depois de prolongado raciocínio junto com ele. O plano era inspirado, ainda que excessivamente ambicioso. Manteuffel e Dietrich irromperiam nas Ardennes com dois exércitos Panzer e, seguindo para o norte através de Antuérpia e Bruxelas, dividiriam os exércitos e precipitariam um segundo Dunquerque. Hitler contava com o mau tempo para restringir as operações aéreas dos Aliados contra o avanço de seus exércitos.

 

 

 

Apesar das desagradáveis lembranças do aparecimento de surpresa que os alemães fizeram nas Ardennes em 1940, numa catastrófica velocidade, a linha aliada nesse setor estava fraca, com apenas quatro divisões cobrindo uma extensão de 130 km. Os movimentos de tropas alemães na região tinham sido relatados, mas isso não chegou a provocar reação nos Aliados. Quando a irrupção ocorreu, seu primeiro impacto e os progressos iniciais foram consideráveis.

 

 

 

Hitler preparou o caminho para seus exércitos enviando na frente alguns comandos que, usando uniformes americanos e viajando em veículos americanos, infiltraram-se nas fileiras inimigas, criando confusão com táticas de rompimento como cortar fios telefônicos ou apontar placas de sinalização na direção errada. Quando alguns desses comandos foram capturados, gerou-se uma confusão ainda maior, pois como podia um alemão vestido como americano ser diferenciado de um americano? Ninguém escapou à peneira.

 

 

 

As penetrações iniciais efetuadas pela ofensiva levaram os alemães até Bastogne, uma vital estrada central, no dia 19 de dezembro. Os defensores americanos mantiveram-nos a distância, porém, e em poucos dias Manteuffel foi forçado a contornar a cidade, que agüentou até que o avanço fosse detido. Mas a investida para oeste estava se retardando. Os Aliados estavam aumentando a pressão a cada hora, os veículos atolavam na lama, e o velho fantasma da falta de combustível levantava a cabeça de novo. Finalmente, em 26 de dezembro, os alemães foram detidos. Houve pesadas perdas de ambos os lados, e os americanos tiveram seu combate mais violento desde os desembarques na Normandia, enquanto a brecha aberta pelas pontas de lança alemães tinha mais de 100 km de profundidade e 75 de largura. No seu ponto mais distante de avanço, chegaram a apenas 6,5 km do Meuse, em Dinant.

 

 

 

Embora os Aliados tivessem toda a superioridade agora, Hitler recusou-se a autorizar uma retirada. Pelo contrário, lançou novas tropas, desperdiçando suas magras reservas, apenas para vê-las rechaçadas dia após dia a um alto preço. Então, em janeiro, como a pressão na sua frente oriental se tornasse ameaçadora, ele retirou todas as forças disponíveis para lança-las contra os russos. A contra-ofensiva ganhara apenas uma prorrogação de poucas semanas, e custara a Hitler uma grande parte de suas forças remanescentes.

 

 

 

Então os Aliados se atiraram para a frente. A 7 de março o 3o Exército de Patton atingiu o Reno em Coblenza. Mais ao norte, o 1o Exército tomou audaciosamente a ponte do Remagen, perto de Bonn, que ainda estava substancialmente intacta e permitiu uma travessia, embora limitada. No dia 22 Patton cruzou o Reno em Oppenheim e no dia 23 teve início o gigantesco assalto de Montgomery contra o Reno, perto de Weael. A última barreira caiu e, em 11 de abril de 1945, os exércitos aliados, atingiram o Elba, a apenas 96 km a oeste de Berlim.

 

 

 

Retomando sua ofensiva contra o Oder em 16 de abril, Zukov lançou seus exércitos através das defesas alemães, e uma semana depois os russos estavam combatendo, nas ruas de Berlim, os últimos e desesperados remanescentes das tropas de Hitler. Em 25 de abril Berlim estava cercada, e dois dias mais tarde os russos encontraram os Aliados no Elba.

 

 

 

Restavam as formalidades da capitulação. Hitler envenenou-se no dia 30, no seu bunker de Berlim, e coube aos seus generais concluir os arranjos. No dia 2 de maio as forças alemães na Itália se renderam, e no dia 4 o Almirante Doenitz assinou o documento de capitulação no QG de Montgomery em Lüneberg. Mais tarde ele e seus colegas seriam levados a julgamento em Nuremberg, a expressão da severa condenação do Terceiro Reich pelo mundo.

 

 

  

A Queda do Japão

 

 

 

Em abril e maio de 1944 os Aliados desembarcaram perto de Hollandia, na costa norte da Nova Guiné holandesa, na ilha de Wakde, a pouca distância da praia, e na ilha de Biak. Com essas posições guarnecidas, era tempo de se prepararem para o estágio seguinte, a conquista das Marianas. Havia guarnições japonesas em Saipan, Tinian e Guam, grupo esse que representava uma importante plataforma nas comunicações do Japão com o seu império no sudoeste do Pacífico. Para os americanos, as bases nessas ilhas colocariam as suas Super-Fortalezas B-29 dentro de um fácil raio de bombardeio sobre o Japão e as Filipinas.

 

 

 

Reuniu-se uma frota de invasão, com 130.000 homens a bordo, que no dia 15 de junho desembarcaram em Saipan. Os japoneses haviam planejado uma operação de oposição à invasão americana. O objetivo era esmagar a frota americana entre uma força de porta-aviões avançando de leste para as ilhas, e aviões estacionados em terra voando da ilha para oeste, e quando os desembarques tivessem início a frota do Almirante Toyoda rumaria para o mar das Filipinas, nos estágios de abertura do plano.

 

 

 

Em 19 de junho teve lugar a Batalha do Mar das Filipinas, com os japoneses enfrentando a potentíssima 5a Frota do Almirante Spruance. A posição japonesa estava enfraquecida pela sua inabilidade em exercer pressão sobre os americanos com aviões estacionados em terra, visto que suas forças aéreas nas Marianas já tinham sido largamente dizimadas. Assim, sofreram uma derrota retumbante. Nas duas fases da batalha, perderam quase 500 aviões e três porta-aviões de esquadra, enquanto muitos de seus outros navios eram avariados. Sua retirada eliminou qualquer possibilidade real de obstruir o subseqüente progresso americano sobre as Filipinas, e permitiu à invasão das Marianas prosseguir sem obstáculos. Os desembarques ocorreram em Guan no dia 21 de julho e em Tinian no dia 23, e embora a resistência japonesa fosse obstinada e feroz, não havia mais dúvidas quanto à conquista das ilhas.

 

 

 

O alvo seguinte eram as Filipinas, cuja defesa foi conduzida pelo General Yamashita, comandante das forças japonesas vitoriosas na Malásia em 1942. Depois da captura da ilha Morotai (ao sul de Mindanao) e das ilhas Palau, em setembro, as tropas de MacArthur desembarcaram em Leyte, no dia 20 de outubro. Essa ilha encontra-se no meio do arquipélago filipino: a posse dela dividiria ao meio a defesa japonesa. Os japoneses estavam determinados a defender as Filipinas, e haviam planejado uma sedutora armadilha para a frota de invasão americana. A isca seria uma força naval, incluindo quatro porta-aviões, comandada pelo Almirante Ozawa, que navegaria para o sul partindo do Japão, na esperança de atrair a frota americana ao seu encontro. Isso deixaria vulneráveis os transportes da invasão e suas escoltas ao largo de Leyte. Para esmagá-los o Almirante Kurita subiria de Cingapura, dividindo sua força para atacar de noroeste e de sudoeste, num movimento de pinças. Para essa operação, confiou inteiramente em navios tradicionais, incluindo os maciços vasos de guerra Yamato e Musashi, com canhões de 457 mm.

 

 

 

No papel parecia um esquema de ação bastante razoável, mas na prática exigia que os americanos fizessem tudo o que esperava que fizessem. Além disso, a decisão de usar grandes canhões como principal força de choque, quando os porta-aviões haviam provado sua supremacia nessa função, era um erro. De qualquer modo, as coisas deram errado para os japoneses desde o começo. A frota de Kurita foi localizada a tempo pelos almirantes americanos, que puderam se preparar, e a preocupação com a sua aproximação resultou em que não conseguissem notar a chegada da força chamariz de Ozawa – apesar de seus desesperados esforços para chamar a atenção, emitindo sinais não codificados. Em pouco tempo os porta-aviões de Halsey estavam atacando a frota de Kurita em levas sucessivas, afundando o Musashi e forçando os japoneses a recuar. Halsey considerou isso uma retirada final e, tendo finalmente sabido da aproximação de Ozawa, seguiu para o norte com toda a sua frota para enfrentá-lo. Mal zarpara quando recebeu um relatório de reconhecimento afirmando que Kurita fizera meia-volta e estava se dirigindo de novo para a batalha. Resolvido agora a destruir a frota de Ozawa, Halsey não se sentiu inclinado a crer no relatório e continuou rumo ao norte. Estava convencido de que, ainda que fosse verdade, a frota japonesa fora tão reduzida pelo primeiro confronto que a frota do Almirante Kinkaid poderia facilmente se ocupar dela sem ajuda sua. Kinkaid, por sua vez, não estava prevenido de que Halsey não deixara navio algum guardando o seu acesso norte, através do estreito de San Bernardino, e limitou-se a observar o acesso sul, o estreito de Surigao. Quando a força de Kurita chegou do sul, foi forçada a navegar em fila pela estreita passagem e, numa manobra clássica, os americanos explodiram todos os navios japoneses.

 

 

A vitória foi completa quando chegaram notícias de que a frota norte japonesa já havia começado a atacar a pequena força que guardava os navios de MacArthur. Kinkaid enviou sinais a Halsey para que voltasse, mas Halsey continuou seu caminho. Então os japoneses, tendo eliminado a oposição à sua frente, moveram-se contra os transportes indefesos. Kinkaid emitiu novos sinais a Halsey, que finalmente voltou – mas avançara tanto, que sua chegada só ocorreu horas depois.

 

 

 

Nessa altura Kurita repentinamente fez meia-volta. Mensagens de rádio interceptadas convenceram-no de que os americanos estavam prestes a bloquear sua rota de evasão, e ele precipitou-se para escapar à ameaça fantasma.

 

 

 

A Batalha do Golfo de Leyte estava, milagrosamente, terminada. Fôra o maior conflito naval de todos os tempos, em termos de número de navios envolvidos. Embora os navios de guerra japoneses tivessem escapado, seus porta-aviões (da frota de Ozawa) foram, os quatro, afundados, e essa perda anunciou o fim do poderio marítimo japonês. Eles tinham, porém, utilizado pela primeira vez uma arma nova, quase impossível de ser enfrentada: o vôo suicida camicase, que iria causar muitas vítimas.

 

 

 

No Natal de 1944, a resistência japonesa na ilha Leyte terminou, e em 3 de janeiro de 1945 uma frota americana de 164 navios zarpou do golfo de Leyte para efetuar desembarques na principal ilha filipina, Luzon. Em 8 de janeiro esses desembarques foram realizados, no golfo de Lingayen, ao norte de Manila, e logo forças americanas estavam avançando para o sul, rumo à capital. Em 4 de março, após combate corpo a corpo nas ruas, Manila estava nas mãos dos americanos, enquanto a península de Bataan e a ilha de Corregidor (ambas cenário de derrotas americanas anteriores) tinham sido capturadas.

 

 

 

Restavam dois degraus, agora, entre os americanos e o Japão: as ilhas de Iwo Jima e Okinawa. Iwo Jima, oferecendo bases de bombardeiros tão distantes de Tóquio quanto as bases das Marianas, foi dominada primeiro. Essa ilha, com 6,5 km de comprimento, estava defendida por uma forte guarnição de 25.000 homens, que se haviam entrincheirado muito bem. O Almirante Spruance, comandante da operação, desencadeou um pesado bombardeio aéreo e naval antes de por os marinheiros em terra firme no dia 19 de fevereiro, mas ainda assim os americanos sofreram 2.500 baixas nesse dia. Após um selvagem combate, a resistência cessou em 26 de março. As perdas americanas subiram a 26.000, mas a guarnição japonesa lutou literalmente até a morte, restando apenas umas poucas centenas de homens, que foram feitos prisioneiros.

 

 

 

Em Okinawa os japoneses haviam organizado uma força de 110.000 homens. Era uma ilha muito maior, com terreno acidentado, e mais uma vez as posições japonesas estavam profundamente fortificadas. Okinawa, quase eqüidistante de Formosa, Japão e China, era um desejável objetivo estratégico, mas os americanos perceberam que precisariam empregar uma força enorme para tomá-la. Campos de pouso no Japão foram atacados antes da invasão, a fim de minimizar a ameaça das forças aéreas japonesas, e mais de 250.000 homens foram reunidos.

 

 

 

Em 1o de abril ocorreram os desembarques na costa oeste; em seguida os americanos rumaram para o sul da ilha. Surpreendentemente, a interferência japonesa foi mínima, e foi muito fácil estabelecer uma cabeça-de-ponte na praia. No dia 3 a ilha fora atravessada, mas um movimento ao sul provocou uma firme oposição. Centenas de aviões camicase acometeram os invasores – até o navio de guerra Yamato, em 6 de abril, foi enviado sem combustível para uma viagem sem retorno, numa insípida missão suicida, que culminou com a sua perda e com baixas apavorantes.

 

 

 

As forças americanas então avançaram para o norte e o sul. No dia 19 de abril foi desferido um ataque de peso contra posições japonesas ao sul, mas os defensores estavam bem entrincheirados e os atacantes sofreram consideráveis baixas para poucos ganhos.

 

 

 

Os japoneses estavam ficando impacientes. Depois de obedecer rigidamente à determinação de manter uma defesa obstinada, desencadearam uma contra-ofensiva no começo de maio. Conseguiram penetrar as linhas inimigas, mas tiveram uma perda de 5.000 homens. No começo de junho tinham sido forçados a descer para o extremo-sul da ilha, e no meio do mês, após um vasto emprego de lança-chamas, conseguiram abrir uma brecha. Nessa batalha os japoneses utilizaram grande quantidade de ataques camicase e lutaram com terrível determinação, mas, significativamente, a proporção de soldados que acabou se rendendo no final foi muito maior. Suas perdas foram de 110.000 homens contra 45.000 dos americanos.

 

 

 

Enquanto as operações de limpeza da área prosseguiam em vários pontos, o Japão era submetido a um maciço bombardeio americano, que começou em outubro de 1944, das Marianas. Embora isolados de abastecimentos essenciais, e com sua produção de guerra dizimada, o país se recusou a capitular nos termos incondicionais dos Aliados. Finalmente, recorreu-se às novas bombas atômicas: uma foi lançada sobre Hiroxima em 6 de agosto, outra em Nagasáqui no dia 9. A 2 de setembro, a bordo do navio de guerra americano Missouri os japoneses capitularam.

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