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Fusos Horários no Mundo, no Brasil e Horário de Verão



BREVE HISTÓRIA DOS FUSOS HORÁRIOS E SUA ORIGEM

Antes do século XIX, a marcação da hora era um fenômeno apenas local. Cada localidade dispunha de um relógio central que marcava a sua hora oficial, que era acertada ao meio-dia, quando o Sol atingia o zênite (ponto mais alto no céu). A hora local obrigava os viajantes a acertarem seus relógios cada vez que chegassem a uma localidade nova.

Quando as estradas de ferro começaram a operar, a definição dos horários dos trens tornou-se difícil: cada lugar tinha uma hora diferente, o que gerava grandes confusões. Nos Estados Unidos havia mais de 300 horas diferentes. Os trens atravessavam grandes distâncias, e a padronização de horas por grupos de localidades era essencial para uma operação eficiente do serviço. Assim, grande parte das empresas ferroviárias aceitou fixar cerca de cem “fusos”, que foram usados até 1883.

Também a Grã-Bretanha se preocupava com os vários problemas das horas locais. Ainda no início do século XIX, foi criada uma única hora legal para todo o pais (Inglaterra, Escócia e País de Gales). Era a primeira nação do mundo a implementá-la. Essa hora fusos-horarios-historialegal era medida pelo Observatório de Greenwich – em cooperação com outros observatórios do mundo – e fundamentava-se em eventos astronômicos, especialmente na rotação da Terra. Na década de 1840, as diversas horas locais britânicas foram substituídas pela hora de Greenwich (GMT). Em 1855 a maioria dos relógios públicos da Grã-Bretanha apresentavam a hora GMT.

Em 1878, após estudar o movimento da Terra em conjunto com a contagem do tempo civil, o senador canadense Sir Sanford Fleming propôs um sistema internacional de fusos horários – time zones – e recomendou que o planeta fosse dividido em 24 faixas verticais, cada uma delas representando um fuso de uma hora. Os Estados Unidos viram nessa proposta uma solução excelente para o problema dos horários dos trens. Em 18 de novembro de 1883, as estradas de ferro americanas adotaram esse sistema, reduzindo de cem para quatro o número de fusos horários no país.

Em 1884 realizou-se em Washington a Conferência Internacional do Primeiro Meridiano, com o intuito de criar um padrão mundial da hora legal. Participaram 41 delegados de 25 países. Foi escolhido o sistema preconizado por Sir Fleming, considerando-se que o meridiano de origem (longitude de 0o) passaria pelo Observatório Real de Greenwich. O meridiano de 180° – o antimeridiano, localizado no oceano Pacífico – passou a constituir a Linha Internacional de Data.

Com o advento das novas tecnologias, especialmente dos relógios atômicos altamente precisos, reconheceu-se que a definição da hora baseada na rotação da Terra (tal como era feita pelo GMT) era inadequada. Paralelamente, em 1967 houve uma redefinição do segundo até uma precisão de cerca de um nanossegundo – a fórmula anterior apresentava flutuações de alguns milésimos de segundo por dia. As tentativas de relacionar a nova definição do segundo com a hora GMT eram insatisfatórias, e por isso foi criada uma nova escala horária. Em 1° de janeiro de 1972 foi oficializada uma nova hora universal: Universal Time Coordinated (UTC), ou seja, Tempo Universal Coordenado.

OS FUSOS HORÁRIOS

Por causa de seu movimento de rotação, a Terra apresenta dias e noites. Como consequência, vários pontos da superfície do planeta apresentam diferença de horários.

Enquanto na maior parte do Brasil são 10 horas da noite do sábado, na Coréia e no Japão; do outro lado do planeta, são 10 horas da manhã do domingo. No mesmo momento, na costa oeste dos Estados Unidos são 5 da tarde do sábado, em Cuba, assim como na maior parte da costa leste norte-americana são 8 da noite e na África e na Europa começa a madrugada do domingo. O planeta tem, simultaneamente, duas datas, que mudam em dois pontos: no fuso em que for meia-noite e no fuso oposto ao meridiano de Greenwich, ponto pelo qual passa a linha internacional de mudança de data.

Dividindo-se os 360 graus da esfera terrestre pelas 24 horas de duração do movimento de rotação, resultam 15 graus. Portanto, a cada 15 graus que a Terra gira, passa-se uma hora, e cada uma dessas 24 divisões recebe o nome de fuso horário (veja o mapa de fusos abaixo).

Como já dito acima, desde a chamada Conferência Internacional do Meridiano, realizada em 1884 em Washington (Estados Unidos), as regiões situadas num mesmo fuso adotam o mesmo horário. Foi também nessa conferência que se convencionou adotar o meridiano de Greenwich como a linha de referência para medir as longitudes e acertar os relógios em todo o planeta. Para tanto, definiu-se o seguinte procedimento:

O fuso de referência se estende de 7°30′ para leste a 7°30′ para oeste do meridiano de Greenwich, o que totaliza uma “faixa” de 15 graus. Portanto a longitude na qual termina o fuso seguinte a leste é 22°30′ E (e, para o fuso correspondente a oeste, 22°30′ W). Somando continuamente 15° a essas longitudes, obteremos os limites teóricos dos demais fusos do planeta.

As horas mudam, uma a uma, à medida que passamos de um fuso a outro. No entanto, como as linhas que os separam cortam várias unidades político-administrativas ao meio, os países fizeram adaptações estabelecendo, assim, os limites práticos dos fusos, na tentativa de manter, na medida do possível, um horário unificado num mesmo país, estado ou província. No caso dos fusos teóricos, bastaria, para determinarmos a diferença de horário entre duas localidades, saber a distância leste-oeste entre elas, em graus, e dividi-la por 15, a medida de cada fuso. Porém, com a adoção dos limites práticos, em alguns locais os fusos podem medir mais ou menos que os tradicionais 15°, como se observa no mapa abaixo (clique para ampliar):

fusos horarios praticos

Fusos Horários Práticos

Para evitar os transtornos provocados pela diferença de horário em regiões muito povoadas e/ou integradas economicamente, vários países optaram pelos fusos práticos adaptações que fazem com que os limites dos fusos coincidam com limites administrativos ou passem por regiões pouco povoadas. Alguns poucos países utilizam um horário intermediário, como a Índia, que adota um fuso de +5 h 30 min em relação à Greenwich.

O mapa de fusos do planeta mostra que as horas aumentam para leste e diminuem para oeste, de qualquer referencial adotado. Isso ocorre porque a Terra gira de oeste para leste. Como o Sol nasce a leste, à medida que nos deslocamos nessa direção, estamos indo para um local onde o Sol nasceu antes; portanto nessa região as horas estão “adiantadas” em relação ao local de onde partimos. Quando nos deslocamos para oeste, entretanto, estamos nos dirigindo a um local onde o Sol nasce mais tarde; portanto nesse lugar as horas estão “atrasadas” em relação ao nosso ponto de partida.

O QUE É GREENWICH?

Greenwich é o mais famoso observatório astronômico inglês. Mais do que pelo alcance de seus instrumentos, deve a sua fama ao fato de que o meridiano sobre o qual se encontra foi escolhido como origem das coordenadas de longitude. Foi fundado em 1675, numa localidade próxima a Londres que se chama exatamente Greenwich. Naquela época, o principal trabalho do observatório

Observatório de Greenwich em Londres

Observatório de Greenwich em Londres

consistia em efetuar medidas astronômicas que servissem aos navegadores para resolver o problema da determinação da longitude em alto-mar. Mais tarde foram realizadas medidas de tempo e, em 1884, o meridiano que passa pelo observatório foi escolhido, por convenção internacional, como o primeiro do mundo (longitude de 0 grau). Um dos diretores do observatório foi Edmund Halley, que posteriormente batizaria um cometa com seu sobrenome.

Depois da Segunda Guerra Mundial, devido às más condições de visibilidade provocadas pela fumaça das fábricas e pelas luzes de Londres, o observatório, ainda conservando o seu nome original, foi transferido para Herstmonceux, em Sussex. O velho edifício do observatório de Greenwich foi transformado em museu.

FUSOS HORÁRIOS BRASILEIROS

Por possuir uma grande extensão territorial na direção leste-oeste o Brasil até 2008 abrangia quatro fusos horários de 2008 em diante, o território brasileiro passou a ter três fusos horários em lugar de quatro, pela Lei 11.662. Veja no mapa abaixo (o fuso GMT – 2 horas é adotado no arquipélago de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha e Ilhas de Trindade e Martim Vaz).

A hora oficial do Brasil (em Brasília) está três horas atrasada em relação a Greenwich.

O Observatório Nacional Brasileiro é o órgão responsável por gerar a Hora Legal do Brasil, segundo o Decreto n° 4264 de 10 de junho de 2002. 

Mapa de Fusos Horários no Brasil

Mapa de Fusos Horários no Brasil

 

Essa diferença entre os fusos horários dentro do Brasil, além de exigir cuidados com o planejamento de viagens e horários diferenciados para o funcionamento dos bancos, faz com que, em muitos estados brasileiros, os programas de televisão transmitidos ao vivo do Sudeste sejam recebidos num horário mais cedo. Por exemplo, um telejornal produzido e exibido em São Paulo ou Rio de Janeiro às 20 h locais é visto no Amazonas às 19 h e no Acre as 18 h. Quando vigora o horário de verão no fuso de Brasília, o programa é visto às 18 h e 17 h, respectivamente, quando a maioria das pessoas ainda estará nas ruas voltando do trabalho ou da escola, daí então, uma necessidade de planejamento na programação das emissoras de TV.

HORÁRIO DE VERÃO

O horário de verão foi adotado pela primeira vez no Brasil em 1931. Ocorreram vários períodos de interrupção, mas está sendo aplicado de modo contínuo desde 1985. Sua função primordial é a economia de energia, algo especialmente importante em anos de racionamento energético. Em geral, o horário de verão estende-se de outubro a fevereiro, período em que, principalmente no Centro-Sul, a duração dos dias é bem maior. Nesse período o governo determina que a população adiante os relógios uma hora. Isso permite aproveitar melhor a luz natural, mantendo as luzes apagadas durante mais tempo.

Geralmente, o horário de verão é adotado apenas nos estados brasileiros mais distantes da Linha do Equador, onde a diferença de fotoperíodo permite que essa medida proporcione efetiva economia no consumo de energia elétrica. Nos meses finais e iniciais do ano (época onde ocorre o horário de verão), o dia tende a ser mais longo que a noite (sobretudo nos estados mais ao sul do país), e isso significa que o Sol ali nasce antes das 6 h e se põe depois das 18 h. Nas proximidades do Trópico de Capricórnio, por exemplo, ao adiantarmos os relógios em uma hora, o Sol passa a nascer aproximadamente entre 6 h e 6 h 30 min e a se pôr entre 19 h 30 min e 20 h.

Desta forma; em sua maioria, as pessoas saem do trabalho ou da escola e chegam em casa antes de escurecer, quando ainda não há necessidade de iluminação pública, comercial e doméstica. A economia nesse período é significativa por ser ele o horário de pico

horario-de-veraodo consumo de energia, já que, ao chegar em casa, as pessoas também ligam chuveiros e aparelhos elétricos. Na realidade, a economia de energia total é pequena, aproximadamente 0,5%; no entanto, representa muito no horário de pico.

Nas proximidades do Equador, a medida não é adotada porque a variação de fotoperíodo, quando existe, é muito pequena. Caso se adotasse o horário de verão nessas regiões, a energia economizada à noite seria gasta pela manhã, pois, quando as pessoas acordassem, provavelmente às 6 h (astronomicamente 5 h), o Sol ainda não teria nascido e elas precisariam acender as luzes, aumentando o consumo residencial de energia.

Após as restrições ao consumo de energia elétrica impostas no Brasil em 2001, quando os reservatórios das hidrelétricas estiveram num nível abaixo do normal por causa da falta de chuvas, a população adotou algumas medidas que reduziram ainda mais o consumo residencial de energia, como substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes, de aparelhos antigos por novos mais econômicos e desligamento de alguns equipamentos domésticos.

O horário de verão é um recurso adotado em muitos países para evitar sobrecarga no sistema de produção e distribuição nos períodos de pico, uma vez que a energia elétrica não pode ser armazenada, ou seja, ela precisa ser consumida à medida que é gerada.

Referências Bibliográficas:

MENDES, Ivan Lazzari; TAMDJIAN, James Onnig. Geografia Geral e do Brasil: estudos para a compreensão do espaço, São Paulo: Ed. FTD.

MOREIRA, João Carlos; SENE, Eustáquio de. Geografia Geral e do Brasil: espaço geográfico e globalização, São Paulo: Ed. Scipione.

ALMEIDA, Lúcia Marina; RIGOLIN, Tércio Barbosa. Geografia: Geografia Geral e do Brasil, São Paulo: Ed. Ática.

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