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Doenças Infecto Contagiosas dos Animais Domésticos – Brucella



As Brucellas são cocobacilos gram-negativos pequenos, imóveis e adaptados ao parasitismo intracelular. Possuem tamanho de 0,6 a 1,5um de largura por 0,5 a 0,7um de comprimento, não apresenta flagelos, não tem forma bipolar e possui cápsula e ausência de esporos.

 

Atualmente dentro do gênero Brucella se distinguem seis espécies B, abortus, B. suis, B, melitensis, B, neotomae, B, ovis e B. Canis. Estas cresce na presença do ar com baixa concentração de oxigênio, cuja classificação e tipificação se faz em laboratórios tomando por base provas sorológicas, bioquímicas e metabólico oxidativas.

 

Cada espécie tem um hospedeiro natural principal, porém podem ocorrer infecções cruzadas entre alguns sorotipos e os hospedeiros habituais.

 

Na população bovina circula principalmente a B. abortus podendo ocorrer ainda infecções por B. suis e B. melitensis.

 

 

A transmissão da Brucelose para os seres humanos pode ocorrer principalmente no contato profissional de quem maneja os animais contaminados e suas secreções sem a utilização de mediadas sanitárias adequadas, como o uso de luvas.

 

Os demais contágios ocorrem por ingestão de leite e seus derivados contaminados por Brucella quando não devidamente processados.

 

O homem está sujeito a infecção pelas mesmas espécies que acometem os bovinos além da B. canis.

 

No caso dos animais a transmissão ocorre por varias vias.

 

Nos ruminantes o destaque e a maior freqüência é as vias gastrintestinais, seguidas do trato respiratório, conjuntivas, pele e trato genital.

 

A fonte de contágio principal é a contaminação ambiental pelas bactérias que são eliminadas durante os episódios de aborto, sendo mais comum os locais onde as fêmeas abortam como pastagens e currais, onde os fetos abortados e restos fetais proporcionam altas concentrações bacterianas e conseqüente contaminação dos animais que ali vivem.

 

A doença, na maioria das vezes, aparece em um rebanhos livres da enfermidade pela introdução no plantei de animais doentes.

 

O recém-ingresso da enfermidade em propriedades onde os animais não têm imunidade contra a Brucelose determina elevadas perdas por aborto nos dois primeiros anos. Após este período os episódios de aborto diminuem, ocorrendo aborto num percentual menor de animais.

 

As fêmeas que não abortam mais e são portadoras das brucellas, produzem bezerros fracos e pouco desenvolvidos.

 

Estes bezerros filhos de vacas positivas ou que são alimentados com leite destes animais podem ser portadores, contribuindo para a contaminação do ambiente.

 

Fêmeas adultas que se contaminam fora do período de prenhez podem reter a infecção em células nos linfonodos.

 

A fêmeas, ao ficarem prenhes, os fatores hormonais e o eritritol estimulam a migração das bactérias no útero gravídico, onde se multiplicam mais intensamente estimuladas por estes fatores e acabam por provocar uma placentite necrótica e uma endometrite ulcerativa que pode levar à morte e expulsão do feto a partir do 7° mês de gestação.

 

A presença de aborto no terço final da gestação e a retenção de envoltórios fetais chamam a atenção para a possível presença da enfermidade, ao exame, estes restos placentários estes apresentam-se com necrose dos cotilédones, O rebanho apresenta aumento nos índices de repetição de cio e retenção de placenta.

 

Os touros apresentam quadros de orquite e epididimite.As brucellas que crescem nos distintos meios artificiais de cultura apresentam freqüentemente, dificuldades para seu isolamento e para obtenção de culturas puras, devido as suas grandes exigências nutritivas e seu crescimento relativamente lento, em especial de isolamento inicial. Por isso, são necessários suplementos nutritivos em forma de sangue, ovo, ou glicerina.

 

Sua temperatura ótima de crescimento é de 37º e o intervalo de crescimento é entre 20º e 40º . O ph ótimo de crescimento está compreendido entre os valores de 6,6 e 7,4.

 

A morfologia colonial da brucella oscila entre lisa, rugoíde e mucóide. As colônias lisas tem a superfície úmida e brilhante, as colônias mucóides tem o aspecto e uma consistência de muco espesso e as rugóides tem um tom ligeiramente azulado e são circuladas com bordas lisas.

 

A brucella pode permanecer viva na urina, no leite, na água, na terra úmida por 4 meses e pode ser destruída pela pasteurização, por um aquecimento de 60 graus durante 10 minutos, além de alguns desinfetantes usuais.

 

A brucella tem sensibilidade à estreptomicina, eritromicina e tetraciclinas.

 

A brucella são parasitas obrigatórias, e cada espécie de brucella apresenta um hospedeiro preferencial que serve de reservatório natural da infecção.

 

As brucellas recentemente isoladas crescem bem em meios com extratos de carne, ph 6,8, contendo tripticase-soja ou triptonas. A tiamina, a biotina e a niacina são essenciais para o seu crescimento. Traços de ferro, manganês e magnésio estimulam a multiplicação dessas bactérias e afetam a virulência da Brucella abortus.

 

Algumas amostras do gênero Brucella podem crescer na presença de corantes, tais como tionina, pironina, fuesina básica e violeta de metila, enquanto outras são inibidas. Para que se obtenham melhores resultados, os corantes devem ser adicionados a meios semi-sólidos, incubados a 37º durante 72 horas.

 

O gênero brucella e as espécies da brucella são descritas abaixo:

 

B. melitensis — Multiplica-se de forma aeróbia sem formação de H2S, apesar de em meios com peptona, podem, às vezes ser encontrados vestígios de H2S. Em geral seu crescimento é produzido em presença de tionina e juesina básica. Predomina o antígeno M. O agente é patogênico para caprinos e ovinos, mas pode afetar outras espécie animais (incluída a bovina) e, também, o homem. Existem três biótipos confirmados. A estirpe de referência é Br. melitensis 16M.

 

Br. abortus — Geralmente necessita a adição de, aproximadamente, 5% de CO2, em especial ao isolá-la pela primeira vez; forma H2S em pequenas quantidades, apesar de existirem estirpes negativas. Cresce, na maioria das vezes, em presença de fucsina básica e é inibida frente à tionina. Geralmente, predomina o antígeno A. As culturas em fase S ou intermediários-S são lisadas pêlos fagos de referência Tiflis na diluição do exame de rotina (RTD = “Routine Test Dilu-tion”). O agente produz abortos nas vacas e pode também afetar outras espécies animais e o homem. Existem nove biótipos confirmados. A estirpe de referência é Br. Abortus 544.

 

Br. suis — Forma H2S em quantidades consideráveis. Cresce na presença de tionina e, geralmente, é inibida frente à fucsina básica. Geralmente, predomina o antígeno A. É patogênica para suínos, mas também pode afetar lebres e outras espécies animais, assim como o homem. A espécie tem quatro biótipos confirmados (Renoux e cols. descreveram um quinto biótipo em 1969). A estirpe de referência é Br. suis 1330.

 

Br. neotomae — Cresce de forma aeróbia com formação de H2S. Cresce em presença de tionina e é inibida frente à fucsina básica. Predomina o antígeno A. O microrganismo não é Usado com a RTD, mas sim com 104 x RTD do fago Tb. Apresenta-se no rato do deserto Neotoma. lépida Thomas). A estirpe tipo é 5K33.

 

Br. ovis — O agente tem uma necessidade de CO2 alta. Não forma H2S. Cresce em presença de fucsina básica e tionina, Ocorrem culturas, especialmente no isolamento primário, que não se encontram em fase S e que, por isso, não têm os antígenos A e M. Não é lisada pelo fago Tb. Br, ovis é patogênica para os ovinos e produz epididimite e abortos, São produzidas reações de aglutinação cruzadas com Br, canis e variantes rugosas de outras espécies de brucelas. O DNA de Br. ovis é semelhante ao de outras espécies de Brucella; entretanto, estão ausentes algumas das sequências de polinucleotídeos do DNA de Br. suis. A estripe tipo é ã 63/90.

 

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Br. canis — Cresce de forma aeróbia em presença de tionina e é inibida frente à fucsina básica. Não produz H2S. No isolamento primário, freqüentemente, falta a fase S e, com ela, os antígenos A e M. Não é lisada pelo fago Tb. São produzidas reações de aglutinação cruzada com Br. ovis e variantes rugosas de outras espécies. O agente é patogênico para o cão e produz epididimite e abortos. A estirpe de referência é a EM 6/66.

 

 

 

A brucelose afeta como antropozonose todas as espécie domésticas, numerosos animais silvestre e o homem. Assim as bruceloses bovinas é causada pela B. Abortus, a suína pela B,suis, a caprina e a ovina pela B. melitensis. As endemias típicas são resultado conjunto desse tipo de relação agente hospedeiro. Uma característica da epidemiologia da brucelose são as disseminações maciças na época dos abortos e do puerpério.

 

O animal infectado é a fonte mais importante de infecção para o homem que pode ser infectado pelas B. Abortus, B. Suis e B, melitensis, sobretudo por contato ou pela ingestão de alimentos que contenham brucella.

 

 

BRUCELOSE BOVINA – Infecção por Brucella abortus

 

O gado bovino é hospedeiro específico original de 9 biótipos de Brucella abortus e ambos os sexos são sensíveis a esse microorganismos. A entrada do agente em criações não infectada é produzida em primeiro lugar pela estabulação das fêmeas gestantes infectadas, ainda sem manifestação clínica e compras de vacas aparentemente sadias mais já infectadas.

 

Os animais infectados podem transmitir a brucella pelo ambiente independentemente do aborto ou parto. Diferentemente da brucelose suína os touros infectados participam da disseminação da brucelose mediante o esrma contaminado.

 

As brucellas penetram no corpo, alcançam a corrente sanguínea e o sistema vascular linfático após ter superado os gânglios linfáticos regionais (barreira linfática), podendo permanecer neles de 10 a 21 dias. Elas podem ser eliminadas pelo fígado, baço, pilares diafragmáticos e tireóide. Mas, não obstante, persistem, sobretudo nos chamados “órgãos e tecidos de predileção”, como as mamas medula óssea, articulação, bainhas tendinosas, bolsas serosas, gânglios linfáticos, útero, fetos e placenta fetal e materna.

 

 

 

 

OS SINTOMAS CLÍNICOS

 

O período de incubação tem duração variável entre 14 e 180 dias. Nas vacas reprodutivas o sistema mais importante é o aborto. A mucosa vaginal hiperemiada pode apresentar pequenos nódulos do tamanho de um grão de milho avermelhado e fluxo vaginal branco acinzentado ou vermelho acinzentado ou muco purulento e sempre inodoro. Após o aborto ocorre freqüentemente uma retenção de membrana fetal, sempre existindo fluxo acumulando-se no útero.

 

 

DIAGNÓSTICO

 

A evolução é lenta, assintomática, e no princípio da doença o animal isolado exige um diagnóstico cuidadoso para ser tomada medidas de erradicação e saneamento definitivo. No diagnóstico diferencial devemos levar em conta que aborto repetidos pode ser produzido por diversas causas infecciosas como por exemplo triconomíase e viloriase, infecção por corynebacterium pyogenese assim como intoxicações alimentares, transtornos na alimentação em rebanhos importantes, ou depois de traumatismo. A retenção de membrana fetais está relacionada freqüentemente com enfraquecimento de seu estado geral.

 

 

TRATAMENTO

 

O tratamento eficaz contra brucellas é feito com quimeoterápicos e/ou antibióticos e com soros hiperimunes.

 

 

PROFILAXICIA E COMBATE

 

Vacinação nos animais jovens com vacina viva recria de bezerros livres de brucelose, procedimentos de eliminação e sacrifícios de voluntários, declaração obrigatória e combate antibrucelas estatais, saneamento de zonas controladas pelo estado. A vacinação de bezerras deve ser afetada entre 5 e 8 meses de idade devendo ser repetida em 4 semanas.

 

 

CONCLUSÃO

 

Frente a diversos graus de difusão da doença são requeridos programas de combate e saneamento diferenciado para o rebanho, localidade, distrito ou município. De acordo com a RDA são especificadas as medidas particulares territoriais para prevenir e combater a brucelose.

 

 

O procedimento de sacrifício e isolamento para animais com brucelose vê condicionada sua eficácia, que somente pode ser fixada pelo tempo que leva em alcançar a erradicação definitiva.

 

Além da vigilância sorológica continuada para descobrir os animais com reação positiva, resultam de importância e respeito, imediata interrupção dos possíveis contatos dos animais com depósitos de esterco, manutenção da limpeza e prática de desinfecções nos alojamentos e ambientes próximos.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

PELCZAR. Doenças Infectos Contagiosas dos Animais domésticos. Microbiologia. Vol. 2 .editora Mc Graw – Hilldo Brasil. 4º ed. Pg. 705.

 

VERGIS, Manuel Ranis. ZEE, Yuan Chung. Tratado de microbiologia Veterinária. 1º ed. Ano 1994. pg 283.

 

FERREIRA, A. Jacinto. Doenças Infectos Contagiosas dos Animais Domésticos. 4º ed. Lisboa: Pundaço Calouste Gulbernkran. Ano 1990. pg. 124.

 

Site: www.med.sc.edu:85/ ghaffar/zoonoses.htm. Acesso em 20/09/05.

 

 

ANEXO

 

Questionário:

 

1- Em que estágio na vida do animal ocorre a infecção causada pela brucella em bovinos?

 

R. A infecção ocorre em bovinos de todas as idades porém persiste mais comumente em animais sexualmente maduros.

 

2- Quais são os principais meios de dissiminação da doença causada pela Brucella abortus?

 

R. Os pastos e os cochos de alimento e de água contaminados pela secreção e pelas membranas fetais de animais infectados, pelos fetos abortados e pelos bezerros recém nascidos acometidos pela doença.

 

3- Qual a importância da técnica da vacinação contra a brucella?

 

R. A vacina contém o agente vivo e deve ser manipulado com variedade para se obter resultado satisfatório. A vacina liofilizada é superior a vacina líquida devida a sua maior estabilidade e longevidade, mas deve ser bem conservada sob refrigeração e o material não utilizado deve ser descartado. Sendo usado com assepsia para evitar a contaminação com outras bactérias.

 

4- Como é diagnosticada a brucella abortus em necrópsia fetal?

 

R. Ocorre pneumonia primária, a placenta esta geralmente idenaciada por haver placas coriácias na superfície externa do córion e necrose dos cotiledones.

 

5- Quais os agentes itiológicos que causam doenças pela Brucella spp?

 

R. Brucella abortus, Brucella suis, brucell melitensis.

 

6- Qual a ordem de preferência dos hopsedeiros?

 

R. Bovinos, suínos, ovinos e caprinos.

 

7- Onde ocorre a manifestação da Brucell abortus?

 

R. Úteros grávido, éberes, testículos, glândulas sexuais, acessórios do macho, linfonoldos, cápsula e bolsas articulares.

 

8- O que caracteriza a Brucella abortus?

 

R. Caracteriza por abortos nos estágios finais da gestação e subseqüentemente por alta taxa de infertilidade.

 

9- Como é diagnosticado a Brucella ovis em carneiros reprodutores?

 

R. Através dos testes séricos de fixação do complemento na palpação física do conteúdo do escroto e na cultura do sémem ou do material do aborto.

 

10- Como é feita a imunização da brucella ovis?

 

R. Através da vacinação que é realizada em todos os reprodutores com 1 ano de idade ou pelo menos 2 ou 3 meses antes de serem utilizados na reprodução.

 

11- Quais as desvantagens da imunização da Brucella ovis?

 

R. Diminuição da fertilidade, alteração de diagnóstico clínico, claudiação e fraqueza nos membros, prejudica o crescimento do animal.

 

12- Classifique a Brucella quanto a sua morfologia e identificação?

 

R. Varia de cocos a bastonetes, com 1,2de comprimento, são gram-negativas, coram-se de forma irregular, são aeróbicas, imóveis e não esporuladas.

 

13- Qual a temperatura ótima para o crescimento da Brucella?

 

R. 37 grau

 

14- Qual o habitat de multiplicação da Brucella no organismo de um indivíduo?

 

R. Intracelular

 

15- Qual a importância da pasteurização do leite para a preservação da brucelose?

 

R. Como são sensíveis ao calor no processo de pasteurização há destruição do microorganismo.

 

16- Como a brucelose pode ser diagnosticado. E qual é o meio de tratamento?

 

R. O diagnóstico é sorológico e o tratamento consiste de antibióticos.

 

17- Qual é o período de incubação da brucelose?

 

R. O período é de 6 semanas.

 

18- Quais as doenças clínicas apresentadas pela Brucella abortus em animais doméstico?

 

R. Abortos e retenções placentárias.

 

19- Quando foi descoberta a relação entre a doença humana com a ingestão de leite fresco de cabra afetadas portadoras dos agente?

 

R. 1906 por Garcia Izcara.

 

20- As brucellas são patôgenicas para os animais como ela pode ser transmitida para o homem?

 

R. Pelo contato com as fezes, urinas, leite e tecidos infectados.

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